A viagem até a floresta foi marcada por um silêncio carregado de tensão. Cada um deles sentia o peso do que estavam enfrentando, mas nenhum sabia como colocar isso em palavras. Clara não conseguia parar de olhar para o mapa em suas mãos, onde a floresta estava marcada como "Bosque dos Sussurros".
“Por que tem esse nome?” ela perguntou, tentando desviar sua mente da ansiedade crescente.
Sofia, no banco de trás, folheava os papéis que trouxera. “Lendas dizem que quem entra lá ouve vozes... Sussurros de pessoas que desapareceram. Dizem que a floresta é viva, que ela se alimenta do medo e das almas perdidas.”
“Ótimo,” Leo murmurou, os dedos apertando o volante. “Parece o lugar perfeito para umas férias.”
Quando chegaram ao limite da floresta, a atmosfera parecia mudar instantaneamente. O ar era mais pesado, e uma névoa espessa cobria o solo, como se quisesse esconder algo. Árvores altas e retorcidas formavam uma parede natural, bloqueando a luz do sol.
“Esse lugar já é assustador sem os sussurros,” Leo disse enquanto pegava sua faca e uma lanterna.
Clara hesitou ao sair do carro, sentindo o estômago revirar. Algo na floresta parecia... consciente. Como se ela estivesse sendo observada antes mesmo de dar o primeiro passo.
“Temos que ficar juntos,” Sofia alertou, prendendo uma lanterna em sua mochila. “Se as lendas forem verdadeiras, essa floresta pode tentar nos separar.”
“Perfeito,” Leo disse secamente, dando uma última olhada para Clara. “Vamos acabar com isso rápido.”
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O Chamado das Árvores
Os primeiros passos pela floresta foram silenciosos. O som de folhas secas sob os pés era o único indicativo de que estavam se movendo. A névoa parecia dançar ao redor deles, tornando difícil enxergar além de poucos metros.
“Vocês ouviram isso?” Clara sussurrou, parando de repente.
Leo e Sofia trocaram olhares, mas balançaram a cabeça.
“Devem ser os sussurros,” Sofia disse em um tom baixo. “Eles tentam confundir você, Clara. Não ouça.”
Mas Clara sabia que não estava imaginando. As vozes eram suaves, mas familiares, como se alguém que ela conhecia estivesse chamando seu nome. Ela sentiu um arrepio percorrer sua espinha e tentou ignorá-las, mas as palavras continuavam ecoando em sua mente.
“Clara... venha... você precisa ver...”
“Não ouça,” Leo disse, segurando sua mão. “Fique comigo.”
O toque dele a trouxe de volta à realidade, e ela apertou a mão dele com força. “Estou bem,” mentiu, tentando parecer mais confiante do que realmente estava.
Depois de alguns minutos, chegaram a uma clareira no centro da floresta. No meio dela, havia uma árvore enorme e antiga, com raízes que se estendiam como tentáculos pelo solo. No tronco, símbolos estranhos estavam gravados, semelhantes aos que haviam visto na mansão e na igreja.
“É aqui,” Sofia disse, verificando o mapa. “Esse é o ponto exato.”
Clara se aproximou da árvore, sentindo um estranho magnetismo emana dela. Sua mente foi invadida por flashes novamente: pessoas sendo arrastadas até a árvore, suas almas sugadas para dentro dela. O som de gritos e sussurros misturados fazia sua cabeça latejar.
“Essa árvore é o portal,” ela disse, recuando.
Sofia pegou um dos frascos com água consagrada que havia trazido e deu um passo à frente. “Se for um portal, precisamos selá-lo. Mas deve haver alguma coisa protegendo.”
Como se em resposta, o chão sob seus pés começou a tremer. As raízes da árvore se moveram, crescendo e retorcendo-se como cobras. De dentro da névoa ao redor, figuras começaram a emergir — formas humanas, mas sem rosto, seus corpos cobertos por uma sombra densa.
“Lá vamos nós de novo,” Leo murmurou, levantando sua faca.
Clara pegou um pedaço de madeira do chão, segurando-o com força enquanto as figuras avançavam lentamente. Os sussurros ficaram mais altos, quase ensurdecedores.
“Clara, o portal!” Sofia gritou. “Eu e Leo vamos distraí-los. Você precisa selá-lo!”
“Mas como?” Clara perguntou, sentindo o pânico crescer.
Sofia jogou um pedaço de papel para ela — uma página rasgada de um dos livros que havia pesquisado. “Recite isso enquanto toca a árvore com a água consagrada. Rápido!”
Clara correu em direção à árvore, desviando das raízes que tentavam agarrá-la. As sombras avançavam contra Leo e Sofia, que lutavam para segurá-las. O coração de Clara batia tão rápido que parecia que iria explodir.
Ao alcançar a árvore, ela tirou o frasco de água consagrada do bolso e colocou a mão no tronco. O frio da madeira parecia sugar sua energia, mas ela começou a recitar as palavras da página, mesmo que sua voz tremesse.
“Que a luz sela o que as trevas abriram. Que o equilíbrio seja restaurado. Que o portal seja fechado para sempre.”
A árvore começou a tremer violentamente, e os símbolos em seu tronco brilharam em um vermelho intenso. As raízes se retorceram como se estivessem sentindo dor, e as sombras ao redor gritaram antes de desaparecerem uma a uma.
Clara continuou recitando, derramando o líquido prateado sobre a árvore. Com um último brilho intenso, os símbolos desapareceram, e a árvore ficou imóvel. O silêncio caiu sobre a clareira.
Leo e Sofia correram até Clara, que caiu de joelhos, exausta.
“Você conseguiu,” Leo disse, ajudando-a a se levantar.
Sofia olhou para a árvore, ainda desconfiada. “Um portal a menos. Mas quantos ainda restam?”
Clara olhou para eles, seus olhos cheios de determinação. “Não importa quantos. Vamos fechar todos.”
Enquanto saíam da floresta, o ar parecia mais leve, mas Clara sabia que a verdadeira batalha estava apenas começando.
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eco das sombras
Misteri / ThrillerSofia e leo, com dois jovens com habilidade espirituais, acreditavam em ter encontrado paz após derrotar um poderoso inimigo poderoso e liberar almas poderosas. No em quanto uma mulher misteriosa chamada Clara surge em busca de ajuda, eles percebera...