capítulo 10

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Enquanto Clara e Leo aproveitavam o momento sob o céu estrelado, o silêncio foi quebrado por um leve sussurro que parecia vir da clareira. A sensação de paz foi repentinamente atravessada por um arrepio que percorreu a espinha de ambos. Leo ergueu o rosto, o olhar se tornando atento, e Clara percebeu que ele também sentia aquela presença.

“Você ouviu isso?” ela sussurrou, segurando a mão dele com mais força. Leo assentiu, os olhos vasculhando a escuridão ao redor. Não havia ninguém ali, mas um frio estranho invadia o ar, como uma sombra silenciosa que os rondava.

Sofia, que estava por perto, também notou a mudança e deu um passo cauteloso, aproximando-se deles. “Parece que… algo não foi completamente resolvido,” murmurou ela, os olhos estreitando enquanto olhava para o bosque escuro.

De repente, um vento forte surgiu, movendo as folhas secas no chão e fazendo as árvores balançarem. Clara sentiu uma energia familiar, como a presença das almas que haviam libertado, mas essa era diferente, uma sensação inquieta, misturada com algo antigo e sombrio.

Leo se colocou na frente dela, num gesto protetor, e Clara se lembrou de todas as vezes em que ele a havia defendido, colocando-se em risco para protegê-la. Dessa vez, porém, ela não queria ficar para trás. “Estamos juntos nisso, Leo,” ela disse, sua voz firme.

Uma figura começou a se formar na névoa que pairava sobre a clareira, uma sombra vaga com um brilho sinistro nos olhos. Ela se aproximou, flutuando sem fazer ruído, seu olhar preso em Clara e Leo. Quando falou, a voz era um eco distante, como se viesse de um tempo muito remoto.

“Vocês libertaram muitas almas… mas não a minha,” a figura murmurou, sua voz gélida e carregada de rancor. “Eu fui traído, e enquanto meu espírito vagar, vocês nunca terão paz.”

O ar ao redor deles ficou cada vez mais frio, e Clara sentiu uma pontada de medo, mas, ao olhar para Leo, encontrou a confiança que precisava. De mãos dadas, eles encararam a figura juntos, o calor da conexão entre eles desafiando a frieza daquela entidade.

Leo deu um passo à frente, sua voz firme. “Quem é você? E por que sua alma não foi libertada com as outras?”

A figura se aproximou mais, revelando uma face pálida e marcada pelo sofrimento. “Eu fui condenado por uma traição que não cometi. Minha alma foi amaldiçoada a vagar pela eternidade… mas agora que vocês estão aqui, talvez possam corrigir o erro que selou meu destino.”

Clara sentiu uma onda de compaixão pela figura, mas sabia que precisava manter-se cautelosa. “Se há algo que possamos fazer para libertá-lo, faremos, mas só se você deixar claro o que aconteceu e como chegou até aqui.”

A figura hesitou, e o vento ao redor deles cessou por um instante, como se o espírito ponderasse em silêncio. Finalmente, ele se dissolveu lentamente na neblina, mas não antes de lançar um último aviso: “Eu voltarei… E vocês, guardiões, terão que decidir se estão prontos para enfrentar o passado que abriram.”

A presença se dissipou, deixando a clareira em um silêncio pesado. Clara, Leo e Sofia se entreolharam, cada um sentindo o peso daquela nova ameaça. Mas, ao sentir o toque firme da mão de Leo, Clara sabia que, juntos, poderiam enfrentar qualquer coisa — inclusive as sombras do passado que haviam despertado.

Na clareira silenciosa, enquanto Clara, Leo e Sofia tentavam assimilar o que acabava de acontecer, uma brisa gelada soprou novamente, levantando folhas e sussurrando segredos esquecidos. Mesmo com a presença desaparecida, a sensação de inquietação continuava, como se algo estivesse observando-os das sombras.

Leo olhou para Clara, os olhos sérios, mas repletos de uma determinação silenciosa. “Se existe algo que o liga a essa maldição, vamos descobrir e libertá-lo de uma vez por todas. Mas precisamos ter cuidado… algo me diz que essa presença não quer apenas paz.”

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