O Baratie era diferente de tudo que eu já tinha visto antes: um grande navio em forma de peixe, repleto de cheiros deliciosos e uma energia vibrante que parecia puxar você para dentro. Quando ancoramos, Luffy estava mais empolgado do que nunca, falando sem parar sobre como precisava encontrar um cozinheiro para a tripulação.
Eu, por outro lado, estava mais cauteloso. Desde que embarcamos nessa aventura, minha cabeça estava girando com tantas mudanças. Era incrível fazer parte de algo tão grande, mas eu ainda me sentia inseguro sobre o meu lugar no navio.
Ao entrarmos no restaurante, fomos recebidos por uma cena que parecia saída de um pesadelo — ou talvez de uma peça de teatro. Um homem de uniforme da Marinha, alto e arrogante, estava jogado no chão, segurando o nariz ensanguentado, enquanto um jovem de cabelos loiros acendia calmamente um cigarro.
– Se não sabe apreciar uma boa comida, não merece nem comer aqui – disse o loiro, com a voz carregada de desprezo.
Eu pisquei, tentando absorver o que estava acontecendo.
– Parece que já encontramos alguém interessante. – Nami sussurrou.
Luffy, claro, estava mais preocupado em pedir comida. Ele ignorou completamente o clima tenso e gritou:
– Ei, traz carne pra mim! Um monte de carne!
O loiro virou os olhos para nós, e algo na intensidade do seu olhar me deixou desconfortável. Não era exatamente hostilidade, mas havia uma dureza ali, como se ele estivesse carregando um peso que ninguém conseguia ver.
– Isso aqui não é uma taverna. Se quer comer, sente-se e espere como qualquer outro cliente. – Ele soltou uma baforada de fumaça, enquanto julgava até a nossa respiração.
Nami tentou puxar Luffy para se sentar, mas ele já estava discutindo com o homem que parecia ser o dono do restaurante, um sujeito de bigode extravagante que usava uma perna de pau como arma. Enquanto eles falavam sobre o preço da comida, meu olhar voltou para o loiro.
Ele parecia alheio à discussão, mas não completamente. Seus olhos dançavam entre o grupo da Marinha que começava a se recompor e o ambiente ao redor. Eu percebi que ele estava atento a tudo, como se esperasse que algo desse errado a qualquer momento.
– Ei, você está bem? – perguntei antes de me dar conta.
– O quê? –Ele me olhou, surpreso, como se não estivesse acostumado a ouvir essa pergunta.
– O... O tenente. Ele parecia irritado. Só queria saber se você está bem.
– Isso não é da sua conta, mas valeu pela preocupação, pedaço de neve. – Ele soltou uma risada curta, sem humor.
"Pedaço de neve.....é por causa do meu cabelo? Isso foi um elogio ou uma ofensa? Mas neve é boa certo? Ou é ruim se você for um boneco de neve?"
Eu me encolhi um pouco, sem saber como responder, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Luffy interrompeu:
– Ei, você cozinha?
– Claro que eu cozinho. Isso aqui é um restaurante, gênio. – O loiro olhou para ele, confuso.
– Então se junte à minha tripulação! – Luffy declarou, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
Eu quase caí para trás. Como ele conseguia ser tão direto? O loiro ficou em silêncio por um momento, como se estivesse avaliando se Luffy era sério ou só louco.
Finalmente, ele balançou a cabeça.
– Não estou interessado.
Luffy, no entanto, não parecia nem um pouco desencorajado. Eu sabia que ele não desistiria tão facilmente, mas o que me deixou intrigado foi o olhar que o loiro lançou ao resto da tripulação — e, por um breve momento, para mim.
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ᴏ ꜰᴀɴᴛᴀꜱᴍᴀ ᴅᴏ ᴍᴀʀ - 𝙊𝙣𝙚 𝙋𝙞𝙚𝙘𝙚
FanfictionNa vastidão dos mares, onde as ondas guardam mistérios e tesouros, um jovem chamado Yuri sonha em se aventurar, desde a infância, ele e Monkey D. Luffy eram amigos inseparáveis e amantes compartilhando sonhos de liberdade e aventuras em alto-mar. Qu...
