Nami olhava fixamente para o chão, os olhos ardendo com lágrimas de ódio e impotência. O grito preso em sua garganta finalmente explodiu quando viu os moradores de sua vila marcharem em direção ao Arlong Park, munidos apenas de ferramentas de trabalho e um desejo suicida de liberdade. Ela sabia que não poderiam vencê-los. Não havia como. Mas eles estavam decididos, e nada que ela dissesse mudaria isso.
Ao retornar ao local onde tudo começou, a casa que compartilhava com Nojiko, a fúria tomou conta de seu corpo. Com as mãos trêmulas, ela pegou uma faca.
A visão da tatuagem dos Piratas Arlong em seu ombro fez algo dentro dela se quebrar. Com uma violência quase irracional, Nami começou a esfaquear a marca repetidamente, como se aquilo pudesse apagar os anos de submissão e dor.
O sangue escorria de sua pele, mas ela parecia alheia à dor física. Sua mente estava repleta de lembranças — o sorriso cruel de Arlong, a promessa quebrada, os sacrifícios feitos por Nojiko e Bell-mère, e os gritos desesperados de uma vila que nunca teve escolha. Tudo culminava naquele momento de puro desespero.
Quando não conseguia mais continuar, ela caiu de joelhos, ofegante, com a faca ainda em mãos. Os sons da vila ao longe indicavam que o confronto já havia começado.
As lágrimas que antes se recusavam a cair agora desciam livremente. Foi então que ela levantou a cabeça e, com uma voz carregada de dor, gritou.
— Luffy... Me ajuda!
A voz dela parecia se quebrar em mil pedaços enquanto dizia o nome dele. Meu coração apertou. Nami nunca pedia ajuda. Ela sempre foi forte, sempre foi a pessoa que guardava tudo para si. Ouvir aquele pedido, daquela forma, me destruiu.
Antes que eu pudesse reagir, Luffy correu até ela. Ele nem hesitou, como sempre. Vi quando ele colocou seu chapéu sobre a cabeça dela, aquele gesto tão simples, mas tão cheio de significado. Luffy era assim. Ele não precisava de palavras grandiosas.
O chapéu dizia tudo: "Eu estou aqui. Você não está sozinha."
Nami ainda estava ajoelhada, o rosto coberto de lágrimas, a faca tremendo em sua mão.
Eu nunca tinha sentido algo assim antes.
A raiva subiu por mim como uma onda incontrolável, queimando cada fibra do meu corpo. Ver Nami naquele estado, ajoelhada no chão, o ombro sangrando, tentando apagar aquela maldita tatuagem... era demais. Cada vez que a faca descia, meu peito apertava mais. Ela estava se destruindo. Ela estava desistindo.
E tudo isso por culpa dele. Arlong.
Aquele desgraçado tinha feito isso com ela. Ele tinha esmagado o espírito de alguém que era tão forte, tão cheia de vida. Agora, ela estava ali, se punindo, como se toda essa situação fosse culpa dela.
"Aquele peixe desgraçado."
As palavras ecoaram na minha mente enquanto eu encarava Nami, ainda ajoelhada no chão, segurando a faca com os dedos trêmulos. Cada gota de sangue que escorria do ombro dela parecia gritar o nome dele. Arlong.
Minha visão ficou turva por um momento, e eu percebi que era pura raiva. Ele fez isso. Ele quebrou ela. Esse monstro tinha destruído tudo o que ela tentou construir, roubado suas esperanças e agora estava lá, rindo em algum lugar, acreditando que tinha vencido.
Minhas mãos tremiam enquanto eu me aproximava. Não era medo. Era raiva. Uma fúria que eu nunca soube que podia sentir.
Caminhei até ela, cada passo pesado como chumbo.
— Nami. — Chamei, minha voz mais grave do que o normal. Ela mal me olhou, ainda segurando a faca com os dedos trêmulos. O sangue escorria pelo ombro dela, mas parecia que ela nem sentia.
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ᴏ ꜰᴀɴᴛᴀꜱᴍᴀ ᴅᴏ ᴍᴀʀ - 𝙊𝙣𝙚 𝙋𝙞𝙚𝙘𝙚
Fiksi PenggemarNa vastidão dos mares, onde as ondas guardam mistérios e tesouros, um jovem chamado Yuri sonha em se aventurar, desde a infância, ele e Monkey D. Luffy eram amigos inseparáveis e amantes compartilhando sonhos de liberdade e aventuras em alto-mar. Qu...
