Tangerinas

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As notícias da derrota de Arlong se espalharam rapidamente por toda a ilha. As ruas estavam cheias de celebração, os moradores comemoravam, e finalmente podíamos sentir que a opressão que Arlong causava havia sido quebrada. 

Mas eu não estava preocupado com isso naquele momento. O que mais importava era estar ao lado de Luffy, que, mesmo depois de tudo o que passamos, ainda tinha aquele sorriso inabalável.

Zoro estava sendo tratado por Nako, as feridas de sua luta contra Hatchan finalmente sendo cuidadas com atenção. Sanji, depois de sua própria batalha com Kuroobi, estava fazendo comida para todos os moradores e Ussop...ele tava falando pras crianças da vila de como ele derrotou um exército sozinho.

Mas, enquanto todos estavam ocupados com seus próprios cuidados, eu estava ali, nos braços de Luffy. Eu havia me deixado cair no colo dele após a batalha, exausto demais para ficar de pé. O calor do seu corpo, a suavidade do seu toque... Era tudo o que eu precisava naquele momento.

Eu estava dormindo, com a cabeça repousada no peito dele, ouvindo o ritmo calmo do seu coração. Aquele som me tranquilizava, e me fazia sentir que tudo ficaria bem. Eu estava seguro ali, ao lado dele, onde sempre quis estar.

Luffy, mesmo com os olhos cansados e os ferimentos, me abraçava com cuidado, como se temesse me machucar. Eu podia sentir a força dele em cada movimento, mas também o carinho que ele transmitia em cada gesto.

De repente, ele riu baixinho, e eu, meio acordado, abri os olhos para olhar para ele.

— Você está me deixando todo mole, sabia? — Ele disse com aquele sorriso torto e brilhante que sempre fazia meu coração bater mais rápido.

Eu só consegui fechar os olhos, minha cabeça repousando confortavelmente em seu colo, enquanto ele continuava a comer. O som de seus mastigamentos parecia distante, como se o mundo tivesse parado, e só existíssemos nós dois naquele momento.

Eu senti a suavidade de sua mão acariciando meu cabelo, e naquele toque, toda a tensão da luta desapareceu. Luffy, com seu jeito tão natural de cuidar de mim, fez com que o ambiente ao redor ficasse em paz, mesmo com a ilha ainda em festa.

Luffy parou de comer por um momento e olhou para mim com um sorriso terno. Eu não sabia se estava acordado ou sonhando, mas naquele instante, tudo parecia perfeito. Eu me sentia seguro, envolvido pela presença dele. 

Ficamos ali por um tempo, em silêncio, enquanto o resto do bando festejava lá fora. Para nós, naquele momento, não havia mais nada além da calmaria e da felicidade de estarmos juntos, seguros e, acima de tudo, amando um ao outro.

Finalmente, depois de algum tempo, Luffy sussurrou baixinho, mais para ele mesmo do que para mim:

— Acho que finalmente conseguimos...

Eu, já quase dormindo novamente, respondi com a voz suave:

— Sim... finalmente conseguimos.

— Você está bem, Yuri? — Ele perguntou em voz baixa, a preocupação misturada com o carinho em suas palavras.

Eu apenas respiro fundo, me aninhando mais no seu colo. O calor do seu corpo e a tranquilidade daquele momento me fizeram esquecer do mundo lá fora. Eu sabia que o futuro seria cheio de desafios, mas com ele ao meu lado, tudo parecia possível.

Eu não precisava responder. O silêncio entre nós dizia tudo.

Luffy, aparentemente satisfeito, soltou uma risada baixa e continuou comendo, mas agora com mais calma, como se estivesse compartilhando aquele momento só comigo.

Enquanto isso em um lugar não tão longe...

 Nami caminhava ao lado de Nojiko e Genzo em direção ao túmulo de Bell-mère. As flores coloridas ao redor da sepultura pareciam brilhar sob a luz suave do entardecer, e o ar estava pesado de uma saudade que Nami não conseguia deixar de sentir.

Ela se ajoelhou ao lado da lápide, tocando as flores com os dedos, como se ainda pudesse sentir a presença de sua mãe ali. Nojiko se aproximou e colocou uma mão reconfortante sobre seu ombro, enquanto Genzo se afastava um pouco, dando-lhes o espaço que precisavam para refletir.

— Eu... queria tanto que você estivesse aqui para ver isso. — Nami falou, sua voz suave e trêmula. — Acho que finalmente encontrei um lugar onde posso ser eu mesma. Um lugar onde posso... ser feliz.

Ela olhou para o céu, o pensamento longe, como se as palavras não estivessem apenas para Bell-mère, mas para ela mesma. Depois de tantos anos sob o domínio de Arlong, ela finalmente sentia que a prisão estava quebrada. Não pela derrota do homem-peixe, mas pela possibilidade de um novo começo.

— Você está indo embora, não é? — Nojiko perguntou, sabendo o que estava se passando na mente da irmã. Era algo que elas haviam falado antes, mas ouvir as palavras em voz alta parecia diferente.

Nami ficou em silêncio por um momento, como se estivesse ponderando suas próprias palavras.

— Sim, eu vou. — Ela respondeu, com uma firmeza que era nova nela. — Eu sempre fui uma prisioneira dessa ilha, dessas correntes. Mas... eu vi o que eles têm lá fora. E agora eu sei o que quero.

Genzo se aproximou, um sorriso triste no rosto, mas cheio de compreensão.

— Você sempre foi mais forte do que nós, Nami. Vai ser feliz, eu sei disso.

Ela sorriu, seus olhos se marejando, mas sem deixar que as lágrimas caíssem. Ela se levantou, olhando para o horizonte, onde as cores do pôr do sol refletiam os novos começos que estavam por vir.

— Eu... vou para o lado deles. Para o lado de Luffy e seus amigos. Eu quero ser parte da tripulação dele. Eu quero ser a navegadora deles. — Ela olhou para Nojiko, que estava ao seu lado, com um sorriso pequeno e triste. — Eu sei que é difícil, mas... eu não posso ficar aqui. Não mais.

Nojiko abraçou Nami, sussurrando palavras de apoio e encorajamento.

— Eu te entendo, Nami. Vai em frente. Eu estarei aqui, sempre que você voltar.

À noite, a festa na vila continuava. Música e risos preenchiam o ar, e a alegria de todos estava em cada canto da ilha. Mas, enquanto a festa acontecia, Nami sentia que um peso importante precisava ser tirado de suas costas.

Ela estava na casa de Nako, onde havia decidido remover a tatuagem dos Piratas Arlong, a marca que ela carregava como um lembrete de sua dor e do seu passado sombrio. Ela havia vivido com essa marca por tantos anos, mas agora, sentia que precisava se livrar dela para poder seguir em frente.

— Vai doer um pouco, mas é por um bom motivo. — Nako disse enquanto preparava os utensílios para a remoção da tatuagem.

Nami olhou para o reflexo em um espelho pequeno enquanto Nako trabalhava, sua mente vagando. Ela pensava sobre o futuro, sobre a tripulação de Luffy e o que seria a vida ao lado deles. Finalmente, o momento que ela tanto desejava: um novo começo. 

Quando Nako terminou, Nami tocou o local onde a tatuagem de Arlong costumava estar, sentindo uma sensação de alívio. Mas não foi apenas o alívio de se livrar do passado. Era o alívio de saber que ela estava se transformando, se tornando uma nova pessoa.

A tatuagem com símbolo de um mikan e um catavento no ombro de Nami, dois símbolos que representavam sua nova jornada. O mikan simbolizava sua força e liberdade, e o catavento sua determinação em seguir o vento para onde seu coração a guiasse.

Depois de alguns minutos, Nami olhou para o reflexo, observando a nova marca com um sorriso genuíno.

— Agora sim, agora sou eu, Nami, navegadora do bando do chapéu de palha.

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Aviso:

Oi, pessoal! Só queria avisar que, devido aos meus estudos para o vestibular e ao curso de inglês que vou começar, o tempo vai ficar um pouco mais limitado. Por isso, os próximos capítulos da fanfic podem demorar um pouco mais para sair, mas eu vou postar assim que possível!

E, por favor, comentem mais! Eu realmente adoro ler os comentários de vocês, me divertem muito e me motivam a continuar escrevendo. Obrigada por todo o apoio até aqui! 💖


ᴏ ꜰᴀɴᴛᴀꜱᴍᴀ ᴅᴏ ᴍᴀʀ - 𝙊𝙣𝙚 𝙋𝙞𝙚𝙘𝙚Onde histórias criam vida. Descubra agora