A Fuga da gatuna

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O vento gélido trazia com ele um cheiro denso de sal e algo mais. Não era só o mar; havia um peso no ar, como se a tempestade ainda estivesse espreitando no horizonte. Do convés do Baratie, eu observava o oceano à frente, coberto por uma espessa névoa que parecia engolir tudo ao redor. O som das ondas batendo contra o casco do restaurante flutuante era ritmado, mas agora tinha algo mais — um sutil lamento, como se o mar estivesse se preparando para cuspir algo indesejável.

E então, ela apareceu: A frota de Krieg.

Os vultos dos navios emergiram da bruma, como fantasmas gigantescos. Meu coração apertou ao ver aqueles mastros quebrados e velas esfarrapadas. Um exército derrotado, mas faminto e perigoso.

 À medida que se aproximavam, o ambiente no Baratie mudou. Os clientes cochichavam, assustados, enquanto os cozinheiros se reuniam na entrada, como se pudessem enfrentar o perigo com simples panelas e facas.

Eu permaneci onde estava, meio escondido entre as sombras. Era um hábito que eu não conseguia abandonar. Aí estava Luffy, como sempre, encarando o horizonte com um brilho nos olhos que eu não entendia. Ele parecia mais animado do que preocupado, como se fosse apenas mais um dia comum.

 O capitão exigiu o controle do Baratie, ameaçando cozinheiros e clientes, e a confusão tomou conta.

— Que covardia... — murmurei para mim mesmo, os punhos cerrados.

Meu olhar encontrou o de Sanji por um momento. Ele parecia frustrado, mas determinado a defender o restaurante. Foi quando Zeff interveio, sua voz grave cortando o caos. Ele criticou Krieg pela falha na Grand Line, expondo a hipocrisia do capitão. O que aconteceu depois foi uma enxurrada de informações: Krieg queria o diário de bordo de Zeff, acreditando que aquilo poderia guiá-lo de volta à Grand Line.

Não demorou para Krieg voltar ao navio e preparar seus homens. Eles pareciam fantasmas, ou melhor, zumbis — corpos magros e exaustos, mas com olhos cheios de ganância. Gin tentou se desculpar pelo capitão, mas aquilo não diminuía a tensão.

Foi então que tudo mudou. Com um único golpe, o navio de Krieg foi cortado ao meio, e a figura imponente de Mihawk, o "Olhos de Falcão", surgiu. O silêncio voltou, mas dessa vez era diferente. Era reverência.

Luffy parecia quase hipnotizado. Ele tinha aquele brilho nos olhos novamente.

— Quem é ele? — perguntei, quase sem perceber.

Zoro foi quem respondeu, seu tom carregado de respeito e algo mais.

— O homem mais forte do mundo com uma espada.

Observei enquanto Mihawk encarava Krieg e seus homens, como se fossem insetos. Meu instinto era ajudar, mas eu sabia que não tinha como interferir. Não contra alguém como ele. Fiquei quieto, tentando entender o que aquele momento significava para todos ali.

Foi nesse momento que Yosaku e Johnny finalmente apareceram, os amigos de Zoro que estavam navegando com a gente, puxados para dentro do Baratie por uma corda improvisada. Ainda molhados e ofegantes, eles não esperaram muito antes de contar o que aconteceu.

— Ela nos enganou! A Nami... — Yosaku começou, mas precisou de um instante para recuperar o fôlego. — Estávamos distraídos, de costas para ela, e... — Ele fez uma pausa, o rosto vermelho de frustração.

Eu escutava aquilo e sentia meu estômago revirar. Nami... nos traiu? Por quê? Eu pensava na forma como ela olhava para o tesouro no navio, sempre com aquele brilho inconfundível nos olhos, mas... será que era só isso? Alguma coisa parecia não se encaixar.

— E o quê? — Usopp perguntou, inclinando-se para frente, como se cada palavra fosse vital.

— Ela nos empurrou! Direto para a água! Disse que precisava cuidar de "negócios" e levou o Merry! — Yosaku concluiu, balançando a cabeça.

ᴏ ꜰᴀɴᴛᴀꜱᴍᴀ ᴅᴏ ᴍᴀʀ - 𝙊𝙣𝙚 𝙋𝙞𝙚𝙘𝙚Onde histórias criam vida. Descubra agora