Cap 17

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Elleanor POV

Sentada na sala, meus olhos percorriam os detalhes do próximo plano. O atraso na missão já era preocupante, mas não tanto quanto o caos que dominava minha mente. A pressão estava me sufocando, não apenas por temer pela minha vida, mas também pelos sentimentos inesperados que começavam a florescer. Apaixonar-me por um dos líderes da máfia? Isso era algo que eu não poderia, nem deveria, permitir.

- Elleanor? - Aquela voz familiar me trouxe de volta à realidade.

- Ah... Desculpa, estava distraída. Podemos continuar.

- Como eu dizia, tentar sequestrá-los em casa seria extremamente arriscado. A tecnologia de segurança deles é praticamente impenetrável, sem contar os guardas que patrulham do lado de fora. - Explicou Ninck, sua voz calma contrastando com a seriedade do assunto, enquanto ele fazia anotações rápidas em sua caderneta.

- Então, como faremos isso? _ perguntei, cruzando os braços. - Não estou nem um pouco afim de encontrá-lo naquela maldita boate novamente. - A lembrança do que aconteceu naquele dia me invadiu. Por mais que tenha sido... bom, eu precisava esquecer.

- Ou você manda uma mensagem logo, ou esperamos ele dar o primeiro passo - Sugeriu Ninck, sem desviar o olhar de sua caderneta. - Mas, se você tomar a iniciativa, estaremos um passo à frente. Isso nos dará o tempo necessário para preparar a armadilha sem riscos de imprevistos.

- Se eu mandar isso vai ter que dar certo, mesmo que ele morra lá mesmo, na frente de todos! - Pego me celular, mandando uma mensagem.


- Quando você vai me encontrar pra repetir a última noite? Diz o lugar e a hora.

- Eu diria agora mesmo, mas quero ouvir você pedir com mais vontade.

- Que tal pararmos de enrolar e combinar logo? Quero você, sem desculpas.

- Amanhã, meia-noite em ponto. Não se atrase, gatinha.


Desligo o celular assim que recebo a resposta que precisava. Foi mais fácil do que imaginei; achei que ele prolongaria com mais brincadeiras tolas.

- Feito. Meia-noite de amanhã. Organize tudo o mais rápido possível - digo, fitando o homem à minha frente, que finalmente me encara diretamente.

- Perfeito. Já tenho tudo esquematizado. Agora, só falta aguardarmos a Isabel.

- Onde ela está? Não a vejo desde ontem à noite - pergunto, já antecipando a resposta. Ela tinha essa maldita mania de desaparecer nos momentos mais importantes. Que droga.

- Disse que ia esfriar a cabeça. Onde, eu não faço ideia.

Levanto irritada e vou direto para o meu quarto, tentando ligar para a bendita.

Ela não atendia. Não sabia se era por raiva ou distração, mas a cada toque ignorado, minha ansiedade crescia. Preocupada, sentia a vontade ardente de sumir daquela maldita casa. Essa missão era arriscada demais, e a tensão estava me consumindo.

Esperei por horas que pareciam uma eternidade, até que a princesinha finalmente apareceu, carregando várias sacolas de marca. Yebat'! Como ela conseguia? Em meio a tanta confusão, arrumar tempo para fazer compras?! (Caralho)

- Estava fazendo compras enquanto a gente quebrava a cabeça tentando finalizar esse plano?! Eu te liguei várias vezes, Isabel. O que foi agora, ficou surda ou cega? - Sim, eu estava um pouco alterada, estava frustrada e puta.

- Estava esfriando a cabeça, dá pra parar de gritar? Não estou com paciência pra brigar agora, Elleanor. Vocês estavam fazendo o plano? Ótimo.

Que idiota!

A observo largar as sacolas no canto da sala e caminhar até Nick com a maior naturalidade. Como ela conseguia agir como se nada tivesse acontecido depois de toda aquela confusão?

Isabel POV

Chego por trás de Nick e roubo-lhe um beijo rápido, sentindo-o se sobressaltar levemente.

- Finalizou o plano? - pergunto, puxando uma cadeira e me sentando de frente para ele.

- Estou terminando agora. - Ele dá um leve sorriso, ainda concentrado. - Te passo a sua parte depois. Fez muitas compras? Você demorou um pouco.

- Nada demais, só o básico. - Dou de ombros. - Na última missão acabei perdendo muita coisa, sabe? Correria.

- Entendo. - Ele faz uma pausa, como se buscasse algo para continuar a conversa. - Vocês duas se conheceram nesse ramo?

Às vezes esqueço o quanto ele é quieto.

- Desde a infância - respondo, rindo de leve. - Tivemos muitos problemas em comum, e isso acabou nos unindo. Mas é uma história bem longa... fica pra outra hora.

Levanto-me de repente, lembrando-me de algo.

- Ah, quase esqueci! -
Corro até o quarto, pego uma das bolsas de grife e volto para a sala, balançando-a na mão. - Trouxe uma lembrancinha pra você. - abro um sorriso animado. - Acho que é bem a sua cara.

Ele pisca, surpreso, mas logo sorri e abre a bolsa com cuidado. Quando vê o que está dentro, seus lábios se curvam num sorriso maior.

- Não precisava... - murmura, tirando de lá uma blusa azul-escura com a frase estampada no peito: "Cyber Rebel".

- Combina com você, não acha? - digo, inclinando a cabeça.

Ele apenas ri baixo, balançando a cabeça, como se admitisse que eu estava certa.

Ele passa a mão pelo tecido da blusa, examinando os detalhes, como se fosse um presente muito mais importante do que realmente era.

- Admito... combina comigo. - Ele ergue os olhos para mim, um sorrisinho no canto da boca. - Você tem bom gosto.

- Eu sei. - Dou de ombros, tentando esconder o orgulho. - Agora veste, quero ver.

- Agora? - Ele arqueia a sobrancelha, divertido.

- Sim, agora. - Apoio o cotovelo no braço da cadeira e o encaro. - Não vale só agradecer, tem que provar que gostou.

Nick suspira de forma teatral, mas tira a própria camisa ali mesmo. Tento disfarçar, mas meus olhos acabam se demorando um pouco mais do que deveriam.

- Está olhando por quê? - Ele pergunta com um meio sorriso, sabendo exatamente a resposta.

- Só checando se ainda está em forma. - Respondo rápido, cruzando os braços.

Ele ri baixo e veste a blusa nova, que cai perfeitamente sobre o corpo.

- Bom, e aí? - Ele dá uma volta lenta, como se estivesse em uma passarela improvisada. - Passei no teste?

- Com louvor. - Digo, me levantando. - Mas ainda acho que fica melhor sem.

Ele concorda, ainda sorrindo, e guarda o resto do plano na mochila. Mas antes de sair, ele se aproxima de mim e me rouba um beijo de volta - mais demorado dessa vez.

- Considera isso meu jeito de agradecer - murmura contra meus lábios.

Fico parada por um instante, surpresa, antes de soltar uma risada baixa.

- Hm... talvez eu deva te dar presentes com mais frequência.

Ele apenas sorri de canto, pegando as chaves e indo em direção à porta.

- Só se forem desse tipo. - Responde, me lançando um olhar rápido antes de sair.

Continua...

Oi, gente! Desculpa o sumiço, mas voltei de vez com a fic. Novos capítulos toda sexta-feira, com muita ação e paixão! Não esqueçam de deixar a ⭐️.

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