Isabel POV
O olhar dele era afiado, cada gesto calculado. Mantinha a arma firme, e mesmo à distância, dava pra sentir o controle em cada respiração.
— Você devia ter ficado fora disso — disse ele, a voz baixa e sem emoção.
— E perder o show? — arqueei uma sobrancelha. — Não sou muito de plateia.
Ele não respondeu. Apenas me observava, como quem mede o próximo movimento antes de atacar.
A ponta da arma brilhava sob a luz fraca, mas o que realmente me incomodava era o jeito dele — calmo demais pra um assassino qualquer.
— Vai atirar ou só ficar olhando? — provoquei, firme.
O silêncio tomou conta do beco. O som da luta entre Elleanor e Scanor ecoava ao fundo, misturado à respiração contida entre nós dois.
— Nenhum de nós vai ceder — disse ele por fim, sem desviar o olhar.
Soltei um leve sorriso. — Então é bom estar preparado.
Por um instante, ele hesitou. Depois, baixou lentamente a arma e a jogou pro lado.
O som metálico ecoou, cortando o silêncio.
— Luta justa. — A voz dele era firme, quase fria.
Respirei fundo e soltei minhas pistolas. O peso deixou minhas mãos, mas não a tensão no ar.
Ficamos frente a frente, a luz trêmula iluminando só metade do rosto dele. Eu ainda não sabia oque era, mas algo naquela presença me deixava em alerta.
Ele avançou um passo.
Eu avancei também.
— Vai mesmo encarar assim? — perguntei, um sorriso de canto escapando.
— É o único jeito que respeito — respondeu ele, assumindo posição.
O ar pareceu parar. Por um segundo, nada se moveu... e então, tudo começou.
O primeiro movimento veio rápido. Ele avançou, eu girei o corpo e desviei de um golpe certeiro. Cada passo levantava poeira e cascalho, espalhando faíscas de luz pelas paredes do beco.
— Rápida — comentou, sem emoção.
— E você nem começou — retruquei, acertando um chute baixo que ele desviou com precisão.
Nosso confronto era calculado, quase coreográfico: bloqueios firmes, esquivas rápidas, golpes precisos, cada impacto ecoando no beco silencioso. A chuva leve começava a molhar o chão, tornando cada movimento ainda mais arriscado.
Ele tentou um golpe com cotovelo, eu rolei para o lado; eu ataquei, ele desviou com agilidade. Cada contato era pesado, técnico, sem espaço para erro.
— Bom — disse ele, respirando de forma controlada. — Você se mexe bem.
— Obrigada — sorri de canto, posicionando-me para o próximo ataque. — Mas ainda não é suficiente.
Recuei um passo, ele fez o mesmo. O beco virou nosso tabuleiro, e nós duas peças mais perigosas do jogo. Tensão pura, nenhum de nós disposto a ceder.
Pietro avançou rápido e acertou meu ombro com um golpe forte. Cambaleei para o lado, sentindo a força dele.
Trocamos golpes rápidos. Ele acertou um soco no meu torso e eu bloqueei com dificuldade, sentindo a força percorrer meus ossos. Um golpe de cotovelo quase me atingiu, e eu rolei para o lado, mantendo o corpo firme.
Ele me atingiu no ombro novamente, e eu consegui acertar um soco no peito dele, fazendo-o recuar levemente. Cada movimento era calculado, pesado, nenhum de nós queria errar.
De repente, um grito cortou o ar: Elleanor.
Olhei e vi Scanor derrubando-a com um golpe forte. Ela caiu no chão, gemendo de dor.
— Elleanor! — gritei, e a raiva me impulsionou.
Mas me distrair foi meu erro. Pietro aproveitou e desferiu um golpe pesado no meu torso. Fui jogada contra a parede molhada, o ar saindo dos meus pulmões.
O beco girou por um instante. Pietro não se mexeu, apenas esperou que eu me levantasse, calculando meus próximos movimentos. Ao fundo, a luta entre Scanor e Elleanor continuava, lembrando que cada segundo podia custar nossa vida.
Senti o ar saindo dos meus pulmões, mas me recuperei rápido. Cada músculo do meu corpo tremia, mas eu não podia parar. Pietro avançou de novo, tentando me acertar no torso. Eu rolei para o lado e contra-atquei com um soco firme no ombro dele. Ele recuou, mas continuava focado, calculando cada movimento meu.
— Bom reflexo — disse ele, mantendo a distância.
— Não subestime — retruquei, esquivando de outro golpe e acertando um soco no braço dele. A chuva misturava-se ao suor, tornando o chão escorregadio, mas cada movimento meu era controlado e rápido.
Do fundo do beco, ouvi um baque mais forte: Scanor derrubou Elleanor outra vez. Ela caiu de lado, o corpo inconsciente no chão, e a raiva me explodiu no peito.
— Elleanor! — gritei, mas não podia me distrair de Pietro por muito tempo.
Ele aproveitou a minha brecha e me acertou um golpe pesado no torso. Senti o impacto e fui jogada contra a parede molhada, respirando com dificuldade. Meu corpo latejava, mas não podia desistir.
Antes que pudesse reagir novamente, um som familiar cortou o ar: passos firmes e rápidos.
— Isabel! — a voz de Nick ecoou pelo beco.
Pietro olhou para trás, distraído por um segundo. Eu aproveitei para me levantar, suada e dolorida, e olhei para onde ele apontava: Nick havia chegado.
No chão, Elleanor estava desmaiada, machucada demais para continuar. Scanor, já exausto e com vários golpes sofridos, hesitou ao ver Nick avançando com rapidez e precisão.
O momento de distração foi suficiente. Eu me recompus, respirando fundo, sentindo que a luta ainda não havia terminado, mas que agora tínhamos uma chance de virar a situação. Pietro me lançou um olhar afiado, ainda concentrado, mas por um instante, isso mudara.
Continua...
Oi, gente! Desculpa o sumiço, mas voltei de vez com a fic. Novos capítulos toda sexta-feira, com muita ação e paixão! Não esqueçam de deixar a ⭐️
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RED ZONE
Fiksi PenggemarEm um mundo onde sombras se entrelaçam com a luz e segredos são a moeda mais valiosa, Isabel Romanov e Elleanor Nicolay se destacam. Unidas desde a infância por laços indestrutíveis, estas melhores amigas enfrentaram a vida lado a lado, forjando um...
