cap 20

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Isabel POV

As luzes da boate piscavam nas telas à minha frente, cortando o escuro do carro de vigilância. O som abafado da música vibrava pelos fones, misturado à respiração contida de Elleanor do outro lado da linha.

Ela estava lá dentro.
Scanor na área VIP.
Nick no comando, com três homens posicionados no beco.
E eu… observando tudo, de longe.

— Visual limpo até agora — ouvi Nick pelo canal.

Mas eu sabia que não estava.
Tinha algo errado.
Podia sentir.

Elleanor falava com ele, mas o tom da voz dela... estava tenso demais.
E quando ouvi Scanor rir, aquele riso baixo e provocante, algo no meu peito apertou.

— Mantém a calma, El — murmurei no fone, quase sem voz. — Assim que ele sair da pista, seguimos o protocolo.

Assisti pelo monitor enquanto eles atravessavam a pista. As luzes coloridas passavam pelo rosto dela, e por um instante, Scanor olhou pra Elleanor como se já soubesse de tudo.
Aquele olhar me fez prender a respiração.

Do canal principal, Nick avisou:
— Estão se aproximando da saída lateral. Posição mantida.

Me inclinei pra frente, os olhos grudados na tela.
O beco estava escuro, silencioso, só uma luz fraca tremulando no final.
Elleanor encostou na parede.
Scanor se aproximou.

O som do vento e dos passos ecoou pelo fone.
A tensão era palpável — tanto que eu quase podia senti-la no ar do carro.

Nick falou outra vez:
— Equipe posicionada. Só diga a palavra.

Foi aí que tudo desmoronou.

Um estalo seco atravessou o fone, e o silêncio que veio depois foi pior que o som do tiro.
Eu gelei.
Ouvi o grito abafado de um dos homens de Nick e, logo em seguida, o caos.

— Merda! — Nick gritou. — Estamos sob ataque!

— O quê?! — minha voz falhou. — Nick, responde!

As imagens começaram a tremer — interferência, estática, ruído.
Por um segundo, a tela ficou completamente preta.
Quando voltou, meu coração despencou.

Uma silhueta surgia do fim do beco.
O brilho da arma ainda fumegava.
E quando o rosto dele apareceu sob a luz fraca, eu quase não acreditei.

— Pietro... — sussurrei, incrédula.

A voz dele ecoou pelos fones, gelando meu sangue.

> “Que cena bonita...”

Elleanor estava encurralada.
Scanor olhava pra ela com fúria.
E Pietro… Pietro tinha a arma apontada pra cabeça dela.

— Nick! — gritei. — Saiam daí! Recuem agora!

Mas era inútil.
Os canos das armas brilharam sob a luz amarelada.
E tudo saiu do controle.

O som dos tiros ecoava nos fones, e cada disparo parecia atravessar meu peito.
O grito abafado de Nick, o estalo metálico das armas sendo recarregadas — tudo se misturava em um caos ensurdecedor.

Pela tela à minha frente, vi os homens de Pietro matar os agentes.
Os dois homens de Nick caíram antes mesmo de entender o que estava acontecendo.
O sangue se espalhou pelo chão molhado, e o beco mergulhou num silêncio sufocante, interrompido apenas pelo som do metal sendo recarregado.

Eu congelei.
Elleanor estava lá, sozinha, com uma arma apontada pra cabeça.
E eu… presa num maldito carro, assistindo ela morrer em tempo real.

— Droga! — bati no painel, o som seco ecoando dentro do carro. — Eu não vou ficar aqui.

Arranquei o fone do ouvido e abri a porta com força. O ar frio da madrugada me atingiu, trazendo consigo o cheiro de pólvora. Cada passo meu ecoava na calçada deserta, o coração martelando no peito.

O beco estava a poucos metros.
Podia ouvir as vozes — distorcidas, furiosas.

> “Vai, explica.”
“Mas que merda é essa, Elleanor?!”

Pietro. Scanor.
Os dois prontos pra matar.
E no meio deles, ela.

Corri até o final da rua, o som dos meus passos misturando-se ao do vento. Encostei na parede antes de dobrar a esquina. Respirei fundo. Minhas mãos tremiam, mas o instinto era mais forte que o medo.

— Isabel, responde! — a voz de Nick voltou pelo comunicador do bolso. — O que você tá fazendo? Fica fora disso, é uma ordem!

— Ordens? — sussurrei entre dentes, sacando as pistolas da cintura. — Manda suas ordens pro inferno, Nick.

Avancei pelo beco, em silêncio. As luzes fracas mal iluminavam o chão molhado.
Dava pra ver as silhuetas — Pietro segurando Elleanor, Scanor com o olhar em chamas.

Um movimento em falso e seria o fim.
Mas eu não ia deixar acabar assim.

Dei um passo pra frente, o som da minha bota ecoando no beco.
Apontava uma pistola para os agentes de Pietro, logo os eliminando.

— Solta ela. Agora. — minha voz saiu firme, cortando o ar.

Por um instante, o tempo pareceu parar.
Pietro desviou o olhar de Elleanor e me encontrou.
A raiva se acendeu nos olhos dele. Scanor virou o rosto, surpreso, os dedos ainda firmes no gatilho.

Elleanor aproveitou.
Num golpe rápido, ela girou o corpo e desferiu um soco seco no rosto de Scanor. O impacto ecoou alto, o fazendo cambalear para trás.

— Sua... — Scanor rosnou, limpando o sangue do canto da boca.

O olhar dele queimava.
Em segundos, ele partiu pra cima dela, e o beco virou um campo de guerra.

Enquanto isso, Pietro não tirava os olhos de mim.
De pé, com o rosto vermelho de fúria, ele parecia uma fera prestes a atacar.

— Sempre você… — ele murmurou, carregado de ódio.

Apontei as duas armas, uma mira fixa no peito dele.
Meu coração batia rápido, mas minha voz saiu firme.

Por um segundo, ninguém se mexeu.
O som dos golpes entre Scanor e Elleanor ecoava ao fundo.
E eu sabia… o próximo passo decidiria quem sairia viva dali.

Continua...

Oi, gente! Desculpa o sumiço, mas voltei de vez com a fic. Novos capítulos toda sexta-feira, com muita ação e paixão! Não esqueçam de deixar a ⭐️

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