Elleanor POV
Adentrei a boate. As luzes piscavam sem parar e a música ensurdecedora me dava náuseas, mas eu não podia deixar que isso atrapalhasse a missão.
Caminhei até a área VIP, onde encontrei Scanor, relaxado, segurando um copo de whisky na mão.
Ele ergueu os olhos lentamente ao me ver se aproximar, um sorriso preguiçoso surgindo em seu rosto.
— Achei que você não viria — disse ele, batendo o dedo contra o copo, o som metálico ecoando acima do barulho da música.
— Não tinha escolha — respondi, tentando manter a voz firme, mesmo com o coração acelerado.
Sentei-me ao seu lado, sentindo o cheiro forte do whisky misturado ao perfume amadeirado que ele sempre usava. A tensão era quase palpável. Eu sabia que não podia falhar naquela noite.
— Não tinha escolha — repeti, cruzando as pernas e encarando-o de frente. — Mas confesso que não imaginava que te encontraria assim... tão à vontade.
Scanor riu baixo, inclinando-se na minha direção.
— É bom que você me veja relaxado. Assim não desconfiam de nada. — Seus olhos percorreram meu rosto de um jeito que me fez engolir em seco. — Mas e você? Veio sozinha?
— Eu sempre venho sozinha — retruquei, arqueando uma sobrancelha.
Ele deu um estalo de dedos para o garçom, sem tirar os olhos de mim.
— Traga o melhor drinque da casa para a senhorita — disse, em um tom quase provocativo. — Algo que combine com alguém... perigosa.
— Perigosa? — soltei uma risada curta. — Cuidado com o que você deseja.
— Eu nunca tomo cuidado com você, Elleanor — respondeu, aproximando o rosto, até que o som da música quase desapareceu para mim. — E é isso que torna tudo mais interessante.
O garçom voltou com o drinque, um líquido de tom avermelhado que parecia brilhar sob as luzes da boate.
— Experimente — disse Scanor, deslizando o copo para mim. — Aposto que vai gostar.
Levei o copo aos lábios, mantendo os olhos fixos nos dele. O sabor era forte, doce e ardente ao mesmo tempo.
— Hm... — sorri de lado. — Você tem um gosto perigoso para bebidas.
— Só para bebidas? — ele provocou, recostando-se na poltrona de couro, mas ainda me observando como se pudesse ler minha mente.
— Você adora testar meus limites — retruquei, colocando o copo sobre a mesa. — Mas cuidado, Scanor, um dia posso te surpreender.
— É tudo o que eu quero — respondeu, inclinando-se novamente. — Surpresas.
O ar entre nós estava elétrico. A música alta parecia um fundo perfeito para aquele jogo silencioso de poder.
— Fala logo, Scanor — disse, finalmente, deixando a máscara cair. — O que você quer de mim essa noite?
Ele sorriu de canto, aquele sorriso que sempre escondia algo.
— Quero ver até onde você está disposta a ir... comigo.
Antes que eu pudesse responder, o som familiar no meu ouvido me fez estremecer.
— Elleanor, — a voz de Nick soou firme pelo fone — leve-o para o beco atrás da boate. Já está tudo preparado.
Meu coração acelerou. Scanor percebeu algo em meu olhar e ergueu uma sobrancelha, curioso.
— Algum problema, princesa? — ele provocou, com aquele sorriso preguiçoso.
— Nenhum — respondi, forçando um sorriso de volta. — Mas acho que está na hora de irmos para um lugar... mais reservado.
Os olhos dele brilharam com interesse.
— Eu estava esperando você dizer.
Atravessamos a pista de dança. As luzes coloridas pintavam o corpo de Scanor, que caminhava ao meu lado com um sorriso satisfeito, como se estivesse no controle.
Do lado de fora, o ar frio da madrugada bateu no meu rosto. A música da boate ainda vibrava ao fundo, abafada pelas paredes. Caminhei na frente, sentindo o olhar dele em mim a cada passo.
O beco estava escuro, iluminado apenas pela luz amarelada de um poste no final. Me encostei na parede úmida, cruzando os braços.
— Então? — ele disse, se aproximando devagar, a voz baixa e rouca. — O que exatamente você quer aqui atrás?
— Talvez te mostrar que não sou tão fácil de ler quanto você pensa. — Sorri de lado, tentando disfarçar a adrenalina que corria nas minhas veias.
— Hm... — ele parou bem na minha frente, tão perto que pude sentir o calor do seu corpo. — Adoro quando você tenta me provocar.
O clique quase inaudível do fone em meu ouvido me lembrou do que estava prestes a acontecer.
— Equipe posicionada, — disse Nick. — Só diga a palavra.
Scanor passou o dedo pelo meu queixo, forçando meu olhar a se prender ao dele.
— Então, Elleanor? — murmurou, sorrindo. — Qual vai ser?
Eu abri a boca para responder, mas o som seco de um tiro cortou o ar. O grito abafado de um dos homens de Nick ecoou no beco.
— Merda! — ouvi Nick pelo fone, a voz tomada pelo pânico.
Antes que eu pudesse reagir, uma silhueta saiu da sombra no final do beco. O brilho metálico da arma foi a primeira coisa que vi antes de reconhecer aquele rosto.
— Pietro Alekseeva... — murmurei, sentindo o sangue gelar.
Ele avançou com passos firmes, a arma ainda fumegando.
— Que cena bonita — disse, o sotaque pesado tornando cada palavra mais ameaçadora. — Achei que fosse encontrar apenas você, Elleanor... mas parece que trouxe o idiota do meu irmão.
Scanor me olhou como se eu tivesse acabado de traí-lo.
— Mas que merda é essa, Elleanor?! — rugiu, a voz grave ecoando contra as paredes sujas do beco. — Vai me explicar agora o que tá acontecendo?!
Antes que eu pudesse reagir, senti o cano gelado da arma de Pietro encostar na lateral da minha cabeça. Ele se mantinha calmo, mas havia uma ameaça mortal em cada palavra.
Três homens atrás dele preenchiam o beco, armas apontadas para os dois homens de Nick. O pouco da luz que chegava não era suficiente para ver claramente seus rostos, mas dava para sentir a tensão nos corpos rígidos, prontos para atirar.
— Vai, explica — disse Pietro, a voz baixa, carregada de perigo. — Pode começar falando quem te contratou.
Continua...
Oi, gente! Desculpa o sumiço, mas voltei de vez com a fic. Novos capítulos toda sexta-feira, com muita ação e paixão! Não esqueçam de deixar a ⭐️
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RED ZONE
Fiksi PenggemarEm um mundo onde sombras se entrelaçam com a luz e segredos são a moeda mais valiosa, Isabel Romanov e Elleanor Nicolay se destacam. Unidas desde a infância por laços indestrutíveis, estas melhores amigas enfrentaram a vida lado a lado, forjando um...
