A Rosa Azul se abre na mão de Alexia, brilhando como fogo líquido.
Mas a luz não é quente é suave, antiga, como se viesse do tempo em que os sonhos ainda moldavam o mundo.
Lucian não explicou tudo.
Porque ninguém realmente explica o que não se atreve a encarar.
No pedestal, agora que a rosa floresceu, novas palavras surgem, escritas pela pena etérea do livro:
"A rosa não escolhe o mais forte.
Nem o mais puro.
Ela escolhe aquele que aceita sacrificar o passado."
Alexia sente o coração pesar.
Um vento azul serpenteia ao redor dela, como se tocasse as memórias que ainda sangram.
A menina do orfanato.
A dor não dita.
O medo escondido.
A sensação de nunca ser suficiente.
E a culpa de ter sobrevivido.
O vento sussurra não em palavras, mas em compreensão.
Porque a Rosa Azul não era um troféu,
Nunca foi.
Ela era a prova final: quem consegue se perdoar é quem pode seguir adiante.
O chão treme e, ao fundo, o rio que cruzava todo aquele mundo começa a brilhar.
A água se ilumina de um azul profundo, espelhando o céu inexistente daquele plano.
É o Rio dos Sonhos.
Onde toda dor vem à tona, e onde tudo precisa ser deixado ir.
Damon se aproxima, devagar, temendo por ela.
— Alexia... — ele diz, rouco, ainda carregando as visões de sua família, do beijo, do remorso, do ciúme.
— Não precisa fazer isso. Ninguém aqui espera isso de você.
Ela o olha — e pela primeira vez, ele vê não apenas força... mas aceitação.
— Não é sobre o que esperam. — ela responde baixinho.
— É sobre o que eu preciso para continuar viva aqui dentro.
Ela toca a superfície do rio, a água engole a rosa de luz...
E uma onda de energia atravessa tudo.
Helena chora sem perceber, Pietro não tinha palavras para descrever o que sentia.
É como se cada um deles tivesse sido tocado por um fio da verdade dela.
O perdão não destrói o passado mas remove o peso dele.
A visão do orfanato se dissolve.
Os gritos da criança ecoam... e desaparecem.
A chuva azul do rio cai sobre Alexia, como se apagasse antigos hematomas invisíveis.
Ela abre os olhos.
— Eu me perdoo. — ela diz, firme, quase num sussurro.
A realidade do mundo dos sonhos começa a rachar como vidro.
Damon a segura pela mão, porque teme perdê-la para aquela luz.
Helena e Pietro fazem o mesmo o vínculo deles agora mais profundo, mais verdadeiro, nem que seja pela dor compartilhada.
E a voz do livro ecoa, clara:
"Aquele que libera o passado
abre o caminho para a verdade."
A luz envolve todos.
E, num piscar, o mundo dos sonhos desaparece.
Eles acordam nas quatro camas, ofegantes, ainda com lágrimas secando no rosto.
A pena flutua no ar... e para.
O livro fechou sozinho, com um estrondo abafado que ecoou pelas paredes da sala.
Por um instante, ninguém respirou.
Alexia abriu a mão devagar.
Ali estava: uma única pétala da Rosa Azul, vibrando como se tivesse um pulso próprio.
Lucian empalideceu, ele nunca vira alguém voltar daquele mundo trazendo qualquer coisa física muito menos um fragmento da rosa mais sagrada de Zênite.
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ZÊNITE
FantasyAo Vigésimo aniversário de Aléxia Collins, numa noite de celebração, tudo muda ao presenciar sua amiga sendo morta de uma forma assombrosa. No que parecia mais um de seus pesadelos, ela está sendo levada ao mundo de ZÊNITE, onde tudo é completamente...
