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LUNA

No dia seguinte, acordei com a cabeça pesada

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No dia seguinte, acordei com a cabeça pesada. Não sabia se era pelo álcool ou pelas palavras de Apollo que não paravam de ecoar na minha mente. Peguei o celular e vi uma mensagem dele, mas antes que eu pudesse responder, outra mensagem chegou. Dessa vez de Jotape.

João ❤ : "Acorda aí que tem fofoca. Parece que aquela mina do bar ainda tá falando. Abre o Twitter."

Revirei os olhos e fui até o aplicativo. Dito e feito. A garota estava postando indiretamente sobre como alguns MCs se achavam demais e não davam chance para garotas "gente boa como ela". Nos comentários, algumas pessoas riam e até marcavam Apollo, perguntando se era sobre ele. Ele, por outro lado, não tinha interagido com nada disso.

Suspirei e joguei o celular de lado. Eu não queria me importar, mas era impossível. Talvez fosse insegurança, talvez fosse só medo de passar pelo que já passei antes. Mas uma coisa era certa: eu precisava decidir logo o que queria antes que fosse tarde demais. Fiquei encarando o teto do quarto, tentando ignorar a onda de sentimentos que se misturavam dentro de mim. Por um lado, a mensagem de Apollo ainda estava ali, esperando uma resposta, e eu sabia que ele merecia uma. Por outro, ver aquela menina ainda insistindo na história me incomodava mais do que eu queria admitir, mas antes que eu pudesse decidir o que fazer , meu irmão entrou no quarto sem nem bater.

— Meu Deus, João Pedro! Privacidade te assusta?

— Cala a boca, você viu o que eu te mandei no WhatsApp? — Ele jogou o celular na cama e cruzou os braços. — Ela tá tentando pagar de coitada porque levou um fora.

Suspirei e me recostei na cabeceira da cama.

— Eu vi. E sinceramente? Não tô a fim de dar palco pra isso.

— Bom, o Twitter tá dando. Tá todo mundo falando que ela forçou a barra e que o Apollo só foi educado. — Ele sentou na ponta da cama. — Falando em Apollo... E aí? Vai dar o braço a torcer ou vai continuar nessa de "ai meu coraçãozinho machucado"?

Joguei um travesseiro na cara dele.

— Meu Deus, irmão, você é insuportável.

Ele riu e levantou as mãos em rendição.

— Só tô falando que tá na cara que vocês se gostam. O cara já provou que tá na sua, você que tem que decidir se vai entrar de cabeça ou se vai ficar com medo.

Revirei os olhos, mas sabia que ele tinha razão.

— E o Apollo? — Kakau pergunta entrando no quarto e tentando participar da conversa.

— Meu Deus vocês namoram porque são iguais, só vão falar comigo pra perguntar dele agora?

— Ah, Luna, não se faz. Sei que você quer falar dele. 

Suspirei

— Eu tô tentando, sabe? Eu quero confiar nele. Mas ao mesmo tempo, ainda tem uma parte de mim que fica com o pé atrás. — Respondo sincera.

— Isso é normal, amiga. Mas se ele tá mostrando que tá com você, por que não se permitir? 

Fiquei em silêncio por um tempo. Eu queria acreditar que era tão simples, então peguei o celular novamente e finalmente abri a mensagem de Apollo.

Apollinho: "Bom dia, como tá a ressaca?"

Sorri involuntariamente. Ele era sempre assim, direto e cuidadoso ao mesmo tempo. Respirei fundo antes de responder.

Luna: "Bom dia, to sobrevivendo eu acho. E Você?"

Apollinho: "Tranquilo, só esperando pra saber se você vai desistir de mim de novo hoje ou se vai me dar uma folga."

Revirei os olhos e ri. Ele sabia exatamente como me provocar sem ser insistente.

Luna: "Acho que hoje você tem folga. Mas não se acostuma."

Apollinho: "Tá ocupada?"

Luna: "Não, por quê?"

Apollinho: "Quero te ver, que tal um café pra curar ressaca? Tô aqui na frente da sua casa."

Meu coração disparou. Ele não esperou resposta, apenas enviou outra mensagem:

Apollo: "Desce."

Olhei para Kakau, que me encarava com um sorriso malicioso.

— Meu Deus, esse homem tem um timing perfeito, né? — Ela disse rindo...

— Ah, claro. Café com Apollo. — Jotape falou me olhando e rindo da situação — A minha irmã tá apaixonada!

Joguei uma almofada nele e saí antes que ele continuasse com as provocações. Assim que saí do prédio, vi Apollo encostado no carro, usando uma camiseta preta e um boné de lado, como sempre. Ele parecia absurdamente tranquilo, mas assim que me viu, abriu um sorriso de lado.

— Você veio. — Ele disse, abrindo a porta para mim.

— Parece que sim. — Respondi, entrando no carro.

Sentamos em uma cafeteria pequena e aconchegante, e enquanto ele falava sobre a próxima batalha que teria, eu o observava. Ele parecia genuinamente confortável comigo, como se estivéssemos voltando a ser o que éramos antes. E isso me assustava.

— O que foi? — Ele perguntou, percebendo meu olhar.

— Nada, só tô te ouvindo. — Respondi, mexendo no café.

— Sei. Você tem essa mania de fugir quando tá sentindo alguma coisa. — Ele encostou no assento, cruzando os braços. — O que foi agora?

Mordi o lábio, hesitante.

— Aquela menina ainda tá falando de ontem. Vi no Twitter. — Admiti, sem querer parecer que aquilo me afetava tanto.

Apollo bufou e passou a mão no rosto, claramente frustrado.

— Eu já imaginava. Mas Luna, você precisa parar de dar tanta importância pra essas coisas. Eu não liguei, eu nem respondi. Se eu quisesse, eu já teria feito algo, não acha?

Ele estava certo. De novo. E eu odiava admitir isso.

— Eu sei. É só que... sei lá. Eu já passei por coisas parecidas antes e... não quero ser trouxa de novo. — Falei baixinho.

Apollo assentiu devagar, como se entendesse exatamente o que eu queria dizer.

— Eu não sou qualquer um, Luna. Eu não sou o que aconteceu antes. Eu sou eu. E se você quiser mesmo tentar, então tenta de verdade. Para de procurar um motivo pra fugir. — Ele pegou minha mão sobre a mesa. — Eu tô aqui. Só quero que você esteja também.

Meu coração deu um salto. A intensidade no olhar dele fazia qualquer argumento meu parecer pequeno.

Respirei fundo e apertei de leve sua mão.

— Tá. Eu tô aqui. — Respondi, e dessa vez, eu quis dizer cada palavra.

O sorriso dele foi instantâneo.

— Ótimo. Então agora, termina seu café e me acompanha até o estúdio. Quero te mostrar uma coisa.

E sem perceber, naquele instante, eu soube que algo tinha mudado. Dessa vez, eu estava realmente deixando ele entrar.

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ECLIPSE, apollo mcOnde histórias criam vida. Descubra agora