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LUNA

O carro de Apollo cortava as ruas da cidade, enquanto eu checava meu celular para ver quanto tempo faltava para a batalha

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O carro de Apollo cortava as ruas da cidade, enquanto eu checava meu celular para ver quanto tempo faltava para a batalha. 

— Tá nervosa? — Ele perguntou, desviando o olhar rápido da rua para mim.

— Um pouco. Mas não pela batalha. — Suspirei, olhando pela janela. — Sabe, acho que faz tempo que não sinto essa adrenalina por algo além das rimas.

— Isso é bom, né? Sinal de que tá viva. — Ele sorriu de canto, sem tirar a atenção do trânsito. — Aposto que o Jotape surtou quando soube da música.

Ri, lembrando da empolgação do meu irmão.

— Com certeza. Ele quer que eu finalize logo e jogue pro mundo.

— E você? Quer o quê?

Fiquei em silêncio por um momento. Essa era a pergunta que me atormentava há semanas. O que eu queria? Por tanto tempo, minha resposta teria sido simples: vencer batalhas, ser reconhecida, chegar ao topo. Mas agora, realmente colocar minhas emoções em algo mais sólido, parecia começar a ocupar um espaço na minha mente que antes era só da competição.

— Acho que quero ver até onde tudo isso pode me levar. — Respondi finalmente. — Mas ainda tô descobrindo.

Apollo assentiu, como se entendesse exatamente o que eu quis dizer. Ele sempre parecia entender.

Chegamos à Aldeia no meio do caos que já era esperado. Mcs espalhados, organizadores correndo de um lado pro outro e com o público crescendo a cada minuto. Assim que desci do carro, vi Jotape e Kakau me esperando perto dos bastidores.

— Demorou, hein! — Jotape me deu um soquinho no ombro. — Já tavam chamando seu nome aqui.

— Relaxa, cheguei na hora certa. — Sorri e meu irmão retribuiu.

Kakau se aproximou, olhando de mim para Apollo com aquele olhar malicioso de sempre.

— Vocês dois tão estranhos... O que eu perdi?

— Nada demais. — Falei rápido, antes que ela começasse a especular.

Mas ela não se convenceu.

— Sei... — Ela riu, cutucando meu braço. — Depois você me conta.

Antes que pudesse responder, um dos organizadores subiu no palco e pegou o microfone. O público explodiu em gritos.

— SEJAM BEM-VINDOS A MAIS UMA NOITE DE ALDEIAAAAA! — Bob gritou, e o coro de vozes respondeu de volta. — Vocês já sabem como funciona, então sem enrolação. Para primeira batalha vem pra cá LUNAAA!

Jotape deu um tapa leve nas minhas costas.

— Vai lá e faz o que você faz de melhor.

A Aldeia estava mais cheia do que o normal hoje e a vibe estava absurda. Eu acabei perdendo na segunda fase para o Neo que foi o campeão da noite.

— Parabéns campeão, eu te ganhei na sua casa e você me ganhou na minha. Precisamos de um desempate. — Disse sorrindo pro Neo ao fim da batalha.

— Concordo, vocês podiam voltar pro Rio comigo amanhã pra colar no Coliseu. — Neo propõem e gosto da ideia

— A gente acabou de voltar mas gosto da ideia. — Respondo e me afasto dele para dar uma atenção para os fãs que estavam chamando.

Depois de tirar algumas fotos e trocar ideia com a galera, me afasto um pouco da multidão para esperar meus amigos, que ainda estavam atendendo os fãs. O alívio de respirar um pouco longe do barulho é interrompido quando um homem que nunca vi antes se aproxima. Ele está visivelmente alterado, o cheiro de álcool misturado com suor me atinge antes mesmo de ele falar.

— E aí, gatinha? Te vi rimando hoje. — A voz arrastada dele me dá um arrepio de alerta.

Dou um aceno rápido de cabeça, sem querer prolongar a interação, e dou um passo para trás. Mas ele não percebe – ou finge não perceber – meu desconforto e se aproxima ainda mais.

— Será que você é tão boa na cama quanto nas rimas? — A pergunta vem com um sorriso torto e nojento.

Meu estômago revira. O nojo se transforma em raiva instantânea.

— Cala a boca e se afasta! — digo firme, empurrando ele para trás.

Só que ele não gosta. O sorriso desaparece e seus olhos estreitam. Antes que eu possa reagir, ele agarra meu braço com força, seus dedos cravando na minha pele como garras.

— Qual foi, bebê? Parecia tão durona no palco... Tá com medo de quê? — Sua voz agora tem um tom ameaçador, e o rosto dele se aproxima demais do meu.

Meu coração dispara e eu dou um chute no meio das pernas dele me afastando, ele tenta me segurar de novo mas antes de conseguir encostar em mim ouço alguém chegar correndo nas minhas costas.

— Fica longe dela caralho! — A voz firme e cheia de ódio de Apollo ecoa pelo espaço, e em um segundo, o homem se afasta. Meu corpo ainda está tenso, o coração martelando no peito. Sinto o olhar de Apollo sobre mim, e quando nossos olhos se encontram, vejo preocupação misturada com raiva. Sem pensar, me jogo nos braços dele.

— Tá tudo bem? — ele pergunta.

Respiro fundo, tentando acalmar a adrenalina.

— Agora tá. — respondo ainda assustada.

Quando olho, vejo meu irmão segurando o cara pela camisa, os olhos dele queimando de raiva. O homem tenta reagir mas a força com que Jotape segurava ele o impede de tentar qualquer coisa.

— Tá chapando porra, eu vou acabar com você. — Ele grita, fechando os punhos.

Kakau chega correndo, ofegante e Apollo me coloca nos braços dela pra impedir que o João faça uma besteira.

— Vamo' Jota, esse merda não vale a a pena. — Apollo fala segurando meu irmão.

— Se a gente ver sua cara de novo você não vai ter tanta sorte seu arrombado. — Eles falam e João solta o cara que resmunga algo e cambaleia para longe.

Jotapê coloca a mão no meu ombro.

— Caralho eu to com tanta raiva, que filho da puta.

— Calma ele já foi, eu to bem! — Digo abraçando ele que me abraça ainda mais forte me fazendo sentir a segurança do abraço dele.

Sorrio para ele e  Apollo que ainda estão um pouco abalados

— Obrigada. — digo com calma olhando pra eles.

Eles balançam a cabeça, como se não precisasse de agradecimento.

— Eu poderia matar esse cara por você, Luna! — Meu irmão fala com sinceridade.

Respiro fundo, tentando deixar a tensão para trás. Apesar do susto, sei que não estou sozinha.

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ECLIPSE, apollo mcOnde histórias criam vida. Descubra agora