O paciente preferido

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Era quarta-feira e Draco já estava impaciente

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Era quarta-feira e Draco já estava impaciente.

Ele não sabia dizer exatamente quando começou a se incomodar com aquilo. Talvez no instante em que aquele sujeito entrou no hospital e começou a jogar charme para Hermione como se fosse a coisa mais natural do mundo.

O paciente, um bruxo de trinta e poucos anos, alto, loiro e absurdamente convencido, aparentemente se achava irresistível. Desde o momento em que Hermione entrou no quarto para examiná-lo, ele fez questão de lançar sorrisos exagerados e soltar comentários que Draco considerava absurdamente desnecessários.

— Você tem mãos muito suaves, Dra. Granger. — o homem comentou enquanto Hermione verificava os curativos no braço dele. — Será que é um feitiço ou você já nasceu com esse toque delicado?

Draco bufou alto do outro lado da sala, onde observava a interação com os braços cruzados.

Hermione, para seu crédito, apenas ignorou o comentário e continuou seu trabalho.

— Você ainda sente dor aqui? — ela perguntou, pressionando levemente um ponto próximo ao ombro do homem.

— Só um pouquinho. — ele respondeu, lançando-lhe um olhar dramático. — Mas nada que sua presença já não esteja ajudando a aliviar.

Draco estreitou os olhos.

Hermione permaneceu profissional, focada no trabalho, mas Draco conhecia bem a expressão dela. Sabia que ela estava apenas sendo educada, sem dar espaço para as investidas do paciente.

Mas isso não tornava a situação menos irritante.

Draco não gostava da forma como o sujeito olhava para ela, como se estivesse testando os limites. E, mais do que isso, não gostava da ideia de que Hermione estava acostumada com aquele tipo de abordagem e não via problema nenhum.

— Alguma restrição para atividades físicas, doutora? — o homem perguntou, lançando um sorriso que claramente pretendia ser encantador. — Ou já posso sair por aí em busca de aventuras?

— Se por "aventuras" você quer dizer algo que exija esforço físico intenso, é melhor esperar mais alguns dias. — Hermione respondeu de maneira neutra.

O paciente sorriu.

— Bom saber. Eu adoraria um jantar tranquilo, sem esforço nenhum. Se precisar de uma recomendação de restaurante, posso te levar em um dos meus favoritos.

Draco perdeu a paciência.

— Ah, por favor.

Hermione virou-se para ele, arqueando uma sobrancelha.

— Algum problema, Malfoy?

Draco cruzou os braços, sem se preocupar em disfarçar seu desagrado.

— Só estou impressionado com a recuperação milagrosa do seu paciente. Há cinco minutos ele mal conseguia mexer o braço, agora já está planejando jantares românticos.

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