Íncubo

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— Fala vadia.

Paraná se virou surpreso para a voz que claramente se dirigia a si. Sorriu debochado.

— Oi perua. — Se aproximou de Tocantins o cumprimentando com beijos aéreos nas duas bochechas. — Chegou atrasada neh.

— É que eu tava me arrumando toda mona, manter isso aqui dá trabalho. — Gesticulou para si mesmo.

— Ele tava escolhendo o sapato esse tempo todo. — Amapá se intrometeu mal humorado. — Era pra gente tá aqui uma hora atrás.

— Ai. — O paranaense colocou a mão apoiando o rosto. — Eu super entendo.

O estressadinho revirou os olhos e indicou que se afastaria, não tinha paciência para o tipo de conversa que os dois desenvolviam. Nisso PR enganchou o braço no nortista e começou a guiá-lo pela casa.

— Tu acredita que o Sul tinha esquecido as cordas pra aula de shibari?!

— Jura?! E eu aqui super animada querendo ver isso!

— Calma mona, eu trouxe depois daí. Mas se fosse por ele não ia ter não.

— Alguém tem que pensar no casal né. O Mapá, se não fosse por mim, ia vim de bermuda e uma camiseta veia xexelenta que ele tem lá. Eu que salvei o divo. Ninguém ia querer ele daquele jeito.

O sulista esticou o pescoço para deixar claro que analisava o outro e sorriu vendo a interação dele com o Sul e o Matin, que estavam no bar.

— Eu não teria tanta certeza Tins. Olha como os dois tão olhando pra ele agora.

— Uuuu, o panterinha vai rugir hoje pelo jeito.

— Panterinha? — Paraná olhou curioso e divertido para o outro.

— É um apelido que o Mara deu pra ele, não sei direito o porque, mas que ele parece com uma ele parece. Todo bravinho. — TO falava aquilo com ternura, parecia gostar muito da referência. — Mas eu domestiquei ele direitinho.

— Com muito chá neh?

O mais novo abriu um sorriso largo e malicioso.

— Pode apostar. Se eu estalar os dedos ele vem aqui. Quer ver?

— Bah. Duvido.

— Pois espere pra ver.

Tocantins se virou em direção ao bar e procedeu em estalar os dedos, claramente chamando. Tamanha não foi a surpresa quando o amapaense realmente se virou para ver o que era e o tocantinense simplesmente o chamou com o dedo e apontou para o chão à sua frente. O outro nortista claramente revirou os olhos, bufou audivelmente e no fim das contas se aproximou.

— O que tu quer agora?

— Pode me trazer uma bebida? — Falou ronronando em seu ouvido. — Panterinha.

Amapá corou profundamente as bochechas e lhe deu os dois dedos do meio.

— Égua! Vai se foder caralho! Me chamou aqui pra isso porra! — Se afastou reclamando, porém momentos depois retornou com uma lata de drink pronto na mão. — Da próxima você vai pegar. — Viu o sorrisinho incrédulo do paranaense sobre si, revirou novamente os olhos e se afastou apressado. Suas orelhas e nuca estavam vermelhas de vergonha, ele sabia que tinha sido manipulado.

— Tah! — Paraná falou energético. — Tu me impressionou dessa vez. Se eu fizer isso com o Sul ele vai me mandar a merda de longe. — Suspirou. — Ainda mais com o Matin do lado daquele jeito. — Gesticulou de qualquer jeito para o namorado de mãos dadas com o outro. — Me dá isso aqui. — Tomou a lata da mão do amigo e virou grande parte do conteúdo.

A "festa"  -  ABANDONADOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora