Normal

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Tudo muito normal~

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— Com licença. — Pernambuco batia à porta aberta dos sulistas. Se dirigia ao gaúcho.

— Sim? — Sul respondeu normalmente, não era comum, mas volta e meia tinha negócios da empresa para tratar com ele. Normal.

Era óbvio que não esperava que nem ele nem Bahia se inscrevessem, ainda lembrava em como ela tinha ficado quando descobriu sobre suas aventuras com o irmão e cunhado.

O pernambucano terminou de entrar na sala e se aproximou falando mais baixo, procedimento comum para não atrapalhar os outros da região.

— Visse homi. Podes vir aqui um pouquinho?

— Onde? — Perguntou automaticamente, o olhando curioso.

— Só vem cabra. — Era impressão sua ou o moreno começava a se mostrar nervoso? — Vai ser rápido.

O gaúcho revirou os olhos, jamais ia entender as esquisitices dos nordestinos. Sabia que não era brincadeira pois o trio encapetado da empresa não tinha coragem de lhe trollar depois que deu uma surra moral neles da primeira vez que tentaram. Por outro lado, volta e meia o próprio irmão fazia dessas e era mais fácil e rápido segui-lo do que argumentar a lógica. Começou a se levantar com um suspiro cansado.

— Pega a lista visse.

Parou e olhou sério e quase em dúvida para ele se perguntando se ouvira direito. Ergueu uma sobrancelha querendo confirmar se entendeu certo. Pernambuco assentiu com a cabeça mal contendo um sorrisinho nos lábios, porém ainda se mostrava nervoso. Indicou para que saíssem logo.

Ainda duvidando, Rio Grande do Sul pegou a lista difamada da festa e uma caneta e seguiu o moreno. Ele estava dois passos na sua frente e não parecia que abriria diálogo. Estranho, mas seguiu-o mesmo assim. Acabaram rumando para um dos jardins internos do prédio, um mais escondido e pouco visitado.

Sul ainda não havia tido a oportunidade de perguntar mais nada, mas começava a deduzir algumas coisas. Viraram num determinado lugar e diante de si estava Bahia sentada num dos bancos disponíveis, parecia nervosa, mas não tanto quanto o marido.

— Que bom que chegou meu rei, eu já tava ficando preocupada. — Se levantou e deu um selinho em Pernambuco.

O gaúcho foi obrigado a bufar irônico, chamando a atenção sobre si.

— Mas também neh guria, olha a distância daqui pra minha sala!

Ela ignorou a ironia e perguntou séria.

— Trouxe a lista?

Sul abanou o papel diante de si. Admitia que sua atitude não era das mais simpáticas, mas desde que aconteceu aquele desentendimento com Sergipe não conseguia clarear totalmente sua relação com a baiana. Não que afetasse seus trabalhos, só não fazia questão de conversar com ela.

— Tchê, eu não entendo pra que tanto cuidado em se inscrever. Todo mundo vai te ver lá no fim das contas.

— Ah meu filho, tu não entendes mesmo a situação né minino. — Ela se aproximou e lhe tocou o rosto como se fosse uma criança. Deixando o maior desconfortável. — Quantos iam desistir de ir se soubessem que eu vou também? — Olhou-o nos olhos. — Sergipe por exemplo. — Sorriu e se afastou, ele havia entendido. — Não quero que minha presença iniba o pessoal, eu sei que fui bastante rígida com todo mundo, mas isso não quer dizer que eu não entenda das coisas. — Voltou a encará-lo. — Ou que não as queira também.

A "festa"  -  ABANDONADOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora