CAPÍTULO 31

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 MAHARA HASSAN

Kailani estacionou o carro lentamente em frente ao portão da casa da Zamira. A rua estava silenciosa, exceto pelo leve tilintar de uma garrafa de vidro sendo balançada. Diante de mim e sentado na calçada estava Felipe, segurando uma garrafa grande de cerveja, já quase pela metade. Seus olhos semicerrados tentavam focar em algo, mas o corpo mole e os movimentos lentos deixavam claro que ele já tinha passado do ponto.

Ao lado dele, em pé com a postura firme, estava Zamira — toda montada no que só ela sabia fazer parecer casual. Usava um roupão de seda rosa que reluzia sob a luz do poste, moldando-se ao corpo dela. Envolvendo os cabelos, estavam seus flexi rods, também cor-de-rosa, enroladinhos com precisão.

Zami se encontrava com os braços cruzados, o rosto sério e os olhos fixos no carro da Kailani. Sua expressão gritava de raiva. Os lábios cerrados e a mandíbula tensa denunciavam a mistura de frustração e cansaço.

Eu e Lani compreendendo o olhar de desespero que nossa melhor amiga transmitia, saímos do veículo e nos dirigimos em direção a Zamira. À medida que nos aproximávamos, os ombros dela finalmente se tranquilizaram. Ela soltou um suspiro longo e profundo.

— E aí, Mahara e Kailani! Vocês estão bem? — Felipe perguntou assim que nos viu, com a voz embriagada.

— Estamos bem. Kira e a Scarlett estão quase chegando. — Me virei para Zamira.

— Como isso aconteceu? — Foi a vez da Kailani.

— Não sei! — Exclamou, gesticulando com as mãos. — Eu estava dormindo, até ser acordada com alguém gritando meu nome e cantando em outro idioma. Quando levantei e fui para perto da janela, encontrei ele. — Apontou para o Felipe. — Desse jeito que vocês estão vendo. Ainda bem que os meus pais não estão em casa para ver essa palhaçada.

— Assim você me magoa, miss perfeitinha. — Lipe lamentou.

O revirar de olhos de Zamira veio carregado de tanto desprezo que eu pensei que eles fossem pular para fora. Lutei contra a minha vontade de rir, mas um sorriso trêmulo se formou, e meus ombros vibraram num gesto contido.

— Onde está a sua guitarrista, Mahara? — Zamira perguntou impaciente.

— Ela já deve estar chegando.

No mesmo instante, luzes fortes cortaram a escuridão da rua de Zamira. Os faróis altos iluminaram o asfalto com intensidade, projetando sombras dos nossos corpos. Era o carro da Kira. Ela estacionou ao lado do carro da Kailani, os pneus rangendo contra o meio-fio.

Poucos segundos depois, a porta do motorista se abriu e Kira saiu, e do lado do passageiro, Letty desceu, ajeitando a alça da bolsa no ombro enquanto analisava a cena à frente com o cenho franzido.

Ao chegar diante de nós, elas cumprimentaram as minhas amigas e depois Kira parou do meu lado. Ela depositou um beijo na minha testa e disse próximo ao meu ouvido:

— Oii mia bella

Sua voz atravessou como um choque elétrico, despertando arrepios que correram pela espinha. Um calor conhecido preencheu meu corpo, trazendo de volta lembranças vivas da nossa noite no Toppers. Era como se suas mãos ainda estivessem em mim, percorrendo minha pele com precisão e sua boca explorando cada centímetro das minhas coxas, até alcançar minha virilha.

Porra! Não era hora de pensar nisso, mas de repente, ficou impossível ignorar o calor.

— Oii! — Abri um sorriso bobo.

— Felipe, você tem que nos amar muito, puta merda. — Se ouviu o comentário da Letty, parada em frente ao seu amigo.

— Desculpa pelo constrangimento. — Kira se direcionou para a Zamira.

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