CAPÍTULO 40

731 68 24
                                        

MAHARA HASSAN

Minha mãe terminou seu depoimento com um sorriso provocativo iluminado em seu rosto. Ela passou por mim, ignorando a minha presença e se direcionou para o seu assento. Fechei a mão, descarregando a raiva.

A parte da minha advogada foi excelente, minha mãe se contradisse várias vezes e se enrolava nas explicações. Dona Erika era boa, sabia jogar com as palavras, num nível que deixava as pessoas desconfortáveis e inseguras.

No entanto, quando chegou a vez do advogado de Ayana, ele fez de tudo para limpar a imagem da minha mãe, chegando a alegar que ela poderia sofrer de algum transtorno mental, o que justificaria as ações que teve no passado. Mas essa opção foi rapidamente descartada no momento em que o juiz solicitou o relatório médico, e o advogado respondeu que não o tinha.

— Dará tudo certo, calma. — Disse dona Harrington, pousando a mão em cima do meu ombro.

— Encerrados os depoimentos das partes, ouviremos as testemunhas. Advogada da peticionária, apresente sua primeira testemunha. — Pontuou o juiz.

Dona Erika se levantou e proferiu:

— Meritíssimo, gostaria de chamar como primeira testemunha a senhora Legacy Anderson, professora de Lasya, para relatar suas observações sobre a criança.

A porta do fundo da sala se abriu, e a professora de Lasya entrou. O oficial da justiça a acompanhou até a frente, onde foi juramentada. Depois de prometer dizer apenas a verdade, ela se sentou no banco das testemunhas, ajeitando a saia longa.

— A testemunha está autorizada. Pode prosseguir com as perguntas, senhora advogada.

A senhora Harrington se aproximou da professora de Lasya e questionou como eram as notas da minha irmã. A dona Legacy disse que Lasya era uma aluna esforçada e que tirava boas notas. Para uma menina com síndrome de down o desenvolvimento escolar dela era impecável. Com os colegas, Lasya era uma garota tímida, mas sempre educada. A dona Anderson comentou que sempre via que minha irmã brincava com as amiguinhas dela. E que também, em atividades extracurriculares que consistiam em apresentações onde os alunos tinham que falar sobre a pessoa mais importante para eles, Lasya falava sobre mim.

Que eu era a melhor irmã do mundo. Que Lasya me enxergava como uma super heroína e que um dia ela queria ser como eu — forte.

Enquanto as perguntas decorriam, baixei a cabeça e limpei a lágrima que desceu pelo meu rosto. Funguei baixinho e retornei a elevar o cenho. Quando a minha advogada terminou o interrogatório, o juiz passou a vez para o advogado da minha mãe. No entanto, ele disse que não tinha perguntas e então a primeira testemunha foi liberada.

Depois da professora, adentrou a terapeuta da minha irmã. O processo foi o mesmo. Mais questões foram realizadas, mais o tempo passou e mais eu chorava, pois não sabia que Lasya falava de mim para as pessoas. Não sabia que ela me admirava tanto assim e que era sempre: "a minha irmã para lá... a minha irmã para cá."

Eu também a amava, apesar dela ter traído a minha confiança e despedaçar o meu coração. Ainda doía e não iria ser um assunto fácil de superar ou deixar de lado.

Nem queria pensar nisso agora.

Eu a amava tanto que nem cabia no meu peito, se não nem estaria aqui lutando por ela — lutando pela sua liberdade.

Dessa vez o advogado da minha mãe quis fazer perguntas. Duas foram negadas pelo juiz — uma foi por especulação e a outra argumentativa. — O advogado da minha mãe começou a discutir com a terapeuta da minha irmã, extrapolando os limites do interrogatório. Diante disso, o juiz suspendeu as perguntas. A terapeuta foi dispensada, e em seguida a terceira testemunha foi chamada.

Ritmo da VidaOnde histórias criam vida. Descubra agora