CAPÍTULO 7

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MAHARA HASSAN

Quando será que o pobre vai ser glorificado?

Porque eu não aguentava mais. Hoje era sábado, meu chefe da lanchonete me deu folga, no entanto, arranjei um trabalho de babá no final de semana. Já estava escurecendo, e eu estava saindo da casa da família milionária.

Nunca tive tanto choque social entrando numa casa como a deles. Era cada item desnecessário e cômodos da casa vazios, só para exibir. Sem contar que as crianças eram insuportáveis, me enchiam de perguntas ridículas e se percebia que eles tinham zero consciência racial. Um até se questionou se era impossível eu ser negra com cabelo alisado.

Eles eram tão burros e ignorantes, que minha paciência esgotou duas horas após a minha entrada, o que compensou foram os 200 dólares que recebi como pagamento. Estava ótimo, sabendo que eu só precisava passar a tarde com eles até os pais chegarem, por volta da hora do jantar.

Os pais das crianças também não pareciam pessoas inteligentes. Deve fazer parte do estereótipo para pertencer à classe da elite. Requisitos: Burros e ignorantes. Desde que me pagassem, eu era feliz. Estava nem aí para essa gente.

Tinha que pegar dois ônibus para ir para casa. O primeiro era até o centro da cidade, porque eles moravam na zona rica, riquíssima. E no centro, pegarei outro para ir para casa.

Lasya dessa vez ficou em casa sozinha. Perguntei-lhe se queria ficar com a vizinha e ela negou, e como só ia passar um dia fora, aceitei e deixei que ela ficasse com a paz dela.

Ao chegar ao ponto de ônibus, a minha carona também se aproximava. Entrei passando o cartão de transporte na máquina com sensor e segui para um assento vazio. Me sentei respirando fundo e puxando a xuxa do cabelo. O ônibus não estava lotado, o horário de pico já tinha passado.

Continha algumas mulheres e um homem velho com um semblante frio, olhando fixamente para um ponto. Ignorei-o, para o bem da minha vida e matei o tempo mexendo no celular, observando os stories das pessoas que eu seguia da faculdade.

Os minutos voaram e quando cheguei ao meu ponto, desci correndo, notando que a próxima carona estava quase chegando. Corri, me sentindo humilhada para pegar a merda de um ônibus. Subi dois degraus, sem fôlego e cumprimentei o motorista.

Sorte que tinha uma parada perto do meu prédio.

Me sentei pela segunda vez e desta vez encostei a cabeça na janela, analisando a rua e os cidadãos que passeavam de noite. Este busão não demorava muito tempo para chegar a minha casa, diferente do outro.

Estava morrendo de fome, a barriga fazia aqueles barulhinhos que provocavam vergonha e desconforto e não tinha nada para comer em casa. Só que me sentia exausta demais para passar no mercado 24 horas aberto para comprar qualquer besteira.

Mas Mahara, você acabou de sair de uma casa, você não comeu? Não. A comida deles era estranha, eles comiam coisas esquisitas e em pouca quantidade, como se aquilo enchesse a barriga de algum ser humano.

— OBRIGADA, SENHOR MOTORISTA! TENHA UMA BOA NOITE. — Desejei, acenando e descendo do transporte, sentindo ar puro e o vento.

Faltava pouco.

Atravessei a rua em passos acelerados e tirei as chaves do bolso do casaco. Parei em frente da porta do prédio, inseri a chave na fechadura e girei-a, adentrando em seguida. Marchei, diretamente, para o elevador que subiu e em segundos, já estava diante da porta do apartamento.

Bati a porta três vezes e quatro vezes as palmas. Era um combinado entre mim e a minha irmã para ela saber que era eu. A porta não demorou muito a ser aberta, me apresentando um par de olhos arredondados e suas tranças.

Ritmo da VidaOnde histórias criam vida. Descubra agora