CAPÍTULO 35

777 93 70
                                        

KIRA FANE 

Mahara estava sumida desde anteontem. Depois que deixei-a em casa, fui para a minha. Como de costume mandei-lhe uma mensagem falando que já tinha chegado, mas ela não respondeu — o que era estranho. Ontem suas melhores amigas me falaram que ela faltou às aulas, e de noite, quando passei no trabalho dela, após o ensaio no Toppers, seus colegas me disseram que ela não apareceu lá.

Algo que era muito esquisito e suspeito. Não era comportamento da Mahara, ela nunca, mas nunca, faltaria às aulas e ao trabalho sem um motivo. Me ajudaria se ela pelo menos respondesse as minhas mensagens ou atendesse as ligações, porém isso não estava acontecendo.

Será que devo passar na casa dela?

Porra, que angustia não saber sobre ela. Por um lado, 5% do meu cérebro pensava que ela só queria o seu espaço, uma vez que Mahara era uma pessoa fechada, e eu respeitava isso. No entanto, não era isso. Meu instinto gritava que não era sobre isso.

— O que está te preocupando? — A voz do Felipe me tirou dos pensamentos.

— Hm? — Pisquei duas vezes, o encarando.

— Você tá olhando para o nada há uns cinco minutos.

Nos localizávamos dentro de uma cafeteria muito conhecida pelos estudantes no campus. Era meio período da manhã e o ambiente continha poucos clientes. Lipe tomava seu café da manhã diante de mim, enquanto eu só o fazia companhia.

— Estou preocupada com a Mahara, ela sumiu desde anteontem.

— Pode estar doente.

Neguei com a cabeça.

— Não é desculpa para não responder às minhas mensagens.

— Vocês estão bem? — Me observou, levando a xícara de café à boca.

— Sim! — Gesticulei com as mãos, me sentindo nervosa. — Acho que alguma coisa aconteceu.

— Tipo? — Levantou a sobrancelha.

— KIRA! — Uma voz soou ao longe.

Ergui a cabeça, procurando de onde vinha o chamado e me deparei com Zamira e Kailani vindo na minha direção com passos acelerados e semblantes fechados. Quer dizer, só Zamira. Kailani parecia que iria chorar a qualquer momento.

— Mahara não atende as nossas ligações, nem responde as nossas mensagens. O telefone da irmã dela está desligado e nós estamos muito preocupadas com ela. Isso nunca aconteceu antes, Mahara não é esse tipo de pessoa. A gente vai agora no apartamento dela, precisamos de você lá.

Zamira tentava manter a compostura, mas sua voz trêmula traía o medo que a consumia por não conseguir falar com sua melhor amiga.

— Eu também estou tentando falar com ela desde anteontem. — Elevei o tronco. — E também pensei em ir ao apartamento dela.

— Vamos agora, por favor! Por favor, sinto que a Mah não tá bem. Não podemos esperar mais. — A voz de Kailani saiu trêmula, sufocada pelas lágrimas que caíam.

— Eu vou com vocês. — Felipe pontuou.

As meninas concordaram com as cabeças. Em seguida, saímos do estabelecimento às pressas. Felipe correu para seu Jeep, eu fui para o minha BMW M4 e Zamira se dirigiu para o dela, ao lado da Kailani.

Os três veículos deixaram o local e os pneus rangiam seco contra o solo ao ganharem velocidade. Zamira seguia na liderança, eu ia atrás e Felipe por fim. Dirigíamos como se estivéssemos competindo em uma corrida e o prêmio era ouro. Ao pilotar loucamente acabei por passar o semáforo no sinal vermelho, pouco me importando com as regras do trânsito nesse momento.

Ritmo da VidaOnde histórias criam vida. Descubra agora