CAPÍTULO 27

842 91 66
                                        

— Vocês viram os stories da Kira durante o fim de semana? Parece que o irmão dela e a cunhada estiveram em Lincoln. — A fofoqueira da Kailani disparou.

Assenti com a cabeça enquanto mastigava meu almoço. Para minha felicidade, hoje só precisava me preocupar com as aulas, já que estava de folga do trabalho. Mas ainda tinha o meu trabalho extra, pelo menos eram poucas horas, e eu sairia cedo.

— E que irmão, nossa. — Zamira comentou. — Que homem bonito, meninas.

— E a esposa, Zami? Nossa, ela é linda demais. Amo ver pessoas bonitas juntas. — Kailani continuou.

— Verdade. — Zami concordou. — Vai no Toppers hoje, Mah? — O tema da conversa mudou.

— Vou ver ainda. Mas pretendo. — Terminei de comer, levando o suco de caixinha à boca.

— Por que você comeu com tanta pressa? — Kailani franziu o cenho.

— Você parece distante, tá tudo bem? — Foi a vez da Zami.

— A minha última aula do dia é uma prova de neurociência, que é agorinha. Desculpem, só consigo pensar nisso e estou nervosa.

Kailani e Zamira fizeram uma careta de dor em uníssono.

— Pois é! — Soltei um longo suspiro.

Me levantei, pousei a mochila em cima da mesa, já aberta, e guardei a vasilha vazia e os talheres. Estava tão angustiada com a prova que fiquei até às quatro da manhã estudando, o que me deixou com um sono imenso.

— Me manda mensagem quando sair da prova, talvez eu ainda esteja por aqui e te dou carona. — Disse Kailani.

— 'Belê, mando sim. Preciso ir. — Fechei o zíper e encaixei a alça no ombro. — Não quero me atrasar.

— Vai, boa sorte. — Zamira se despediu, acenando com a mão.

Usei a pouca energia que tinha e sorri para as minhas melhores amigas. Me virei de costas e comecei a correr, saindo do edifício da cantina em direção ao prédio da minha faculdade. Andando eram uns dez minutos e faltavam exatamente dez minutos para a prova começar. Nem podia me dar o trabalho de chegar atrasada um minuto sequer porque o professor não tolerava e ele também não tinha um pingo de empatia.

Corria pelos corredores, igual uma maluca, ganhando atenção de alguns estudantes. Não me importei. Continuei correndo sem fôlego, com a garganta seca e os batimentos do meu coração pulsando tão forte que pareciam explodir nos meus ouvidos. Ao chegar diante do edifício, subi as pequenas escadas e segui apressada até a sala sem dar tempo de regular a minha respiração.

Quando cheguei na porta, muitos alunos já estavam entrando. Entrei na fila e adentrei instantes depois. O professor já estava na sala, sentado na sua mesa e as provas estavam espalhadas pelas cadeiras. Sentei na primeira fila, um pouco mais calma e removi da mochila a minha garrafa de água e o estojo, tirando a caneta, o lápis e a borracha.

Passados alguns minutos, o ambiente estava cheio. Cada aluno em sua respectiva cadeira, pronto para fazer logo essa bosta. O professor tirou o foco do celular e falou para a turma:

— Podem começar. Vocês têm uma hora e meia. — Cruzou os braços em frente ao peito, nos vigiando.

Olhei para o papel e li a primeira pergunta. Em seguida, engoli em seco e soltei uma lufada de ar. Duas palavras: estava fodida.

Antes que os pensamentos negativos se formassem, sacudi a cabeça e respirei fundo. Eu tinha estudado para isso. Eu sabia tudo. Iniciei a primeira pergunta e durante os minutos seguintes, me concentrei nas restantes. Eram questões muito difíceis, de fazer o cérebro estourar. Perdi a conta de quantas vezes levantei a cabeça para ver que horas eram no relógio fixo contra a parede. Quando cheguei na última pergunta, faltava meia hora para a aula acabar.

Ritmo da VidaOnde histórias criam vida. Descubra agora