CAPÍTULO 37

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MAHARA HASSAN

Fiz tudo o que me mandaram.

Fui à delegacia com as meninas e registrei a denúncia. Kailani me orientou a levar documentos que comprovassem que Lasya morava comigo, que eu cuidava dela e que Ayana tinha um histórico problemático. Entreguei os prontuários médicos, as fichas da escola e até mensagens trocadas com terapeutas que tratavam da Lasya. Também preenchi um boletim de ocorrência com os dados da minha irmã, e um policial me pediu que escrevesse uma carta.

No entanto, ainda não tinha escrito. Dona Erika me aconselhou a esperar por ela, para que escrevêssemos juntas, já que a carta também faria parte do pedido de guarda.

— Você acha que falta muito para eles chegarem? — Kailani perguntou.

— Não sei. — Respondi.

Meu pé irrequieto não parava de bater contra o chão.

— Eles chegaram! — Zamira declarou pulando do banco e com seus olhos em direção a porta.

Kailani e eu seguimos o olhar de Zamira. Involuntariamente, eu sorri, me sentindo mais calma ao colocar os olhos na Kira. Ela ocupou o espaço acompanhada pelo seu irmão e também por uma mulher que eu acreditava que era minha advogada.

Nem raciocinei, saí da cadeira de plástico e corri até ela. Abri os braços e assim que nossos corpos se chocaram, Kira apertou meu corpo com força, prensando contra ela. De repente, o mundo silenciou e tudo o que restou foi o perfume que vinha dela.

— Eu falei que ia ajudar você, linda. — Sussurrou no meu ouvido.

— Obrigada. — Agradeci, me distanciando devagar.

Do lado direito da Kira, o irmão dela acenava para mim e do lado esquerdo, a minha advogada continha um sorriso amigável.

— Olá, sou Erika Harrington e estarei ao seu lado como sua advogada. — A senhora disse, estendendo a mão.

— Mahara Hassan, muito prazer. — Apertei, retribuindo a gentileza. — Agradeço por estar me ajudando. Estava aguardando você para que possamos escrever a carta.

— Claro. Vou pedir uma sala para podermos conversar com calma. Siga-me! — Pediu, começando a andar.

— Volto já. — Falei para Kira e minhas melhores amigas.

— Estaremos aqui te esperando. — Afirmou Zamira.

Sorri para elas mais uma vez, e em seguida, virei de costas, indo em direção a advogada Harrington. Após cinco minutos de espera, o policial nos liberou uma sala vazia. Adentramos e eu me sentei em frente a dona Erika. Ela abriu sua bolsa e removeu um caderno e uma caneta.

— Me diga, Mahara, é verdade que você quer a guarda da sua irmã?

— Sim, senhora.

— Então teremos que escrever uma carta, mais especificamente uma declaração, explicando ao juiz o porquê você quer a guarda da sua irmã. Como disse na nossa ligação.

Concordei com a cabeça, compreendendo.

— Portanto, me conte mais sobre a sua relação com sua mãe e sua irmã, por favor. Me dê detalhes.

Durante minutos que se seguiram, com algum receio contei com mais detalhes a minha história de vida desde o início e como Ayana era uma mãe ordinária. Falei que tudo começou quando ela foi deserdada pela família, um golpe que abalou profundamente a visão que ela tinha do mundo. Enquanto eu relatava os acontecimentos, a senhora Harrington escrevia, prestando atenção em cada palavra que saia da minha boca.

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