CAPÍTULO 23

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KIRA FANE

"Obrigada por me fazer sentir uma mulher dando prazer e satisfazendo outra mulher ontem, Mahara."

Era isso que queria dizê-la enquanto a observava dormindo calmamente no meu peito, abraçando o meu corpo. Era fofo vê-la num momento vulnerável e saber que ela confiava em mim para se sentir à vontade e dormir desse jeito.

Confessava que o nosso sexo de ontem me causou certa estranheza. Não estava falando isso de forma negativa, mas foi algo diferente para mim. Fazia meses, desde que comecei a me relacionar com Emma, que não vivia uma experiência em que uma mulher realmente me satisfizesse e se preocupasse com o meu prazer. Era até triste falar que não estava acostumada e infelizmente a minha realidade.

Só agora que eu conseguia visualizar e pensar o quão merda era o nosso relacionamento. Deveria ter questionado desde do início, mas eu era uma idiota e o amor às vezes cegava.

Ontem Mahara deu atenção a cada parte do meu corpo. Ela quis conhecê-lo, explorá-lo, desvendá-lo com seus dedos e sua boca. Nunca conseguiria explicar que o sexo lésbico ia muito além do corpo físico. As pessoas só me entenderiam e me dariam razão se fizessem. Era surreal, era um reencontro de almas. Eram duas mulheres se amando, se tocando, se conhecendo. Era intenso.

Ou talvez a palavra "intenso" não fosse suficiente para definir o que era o sexo lésbico. Estava longe de definir o que eu sentia quando estava com a Mahara.

Amaria continuar deitada na cama com elas nos meus braços, só que para o meu azar e o dela, sabia que nós duas tínhamos que ir para a faculdade. Inclusive, hoje será o meu primeiro dia trabalhando como ajudante da Camila lá no toppers. No outro dia, conversei com ela sobre a minha vontade de trabalhar e ganhar meu próprio dinheiro e Camila super me apoiou, me aceitando como sua ajudante.

Lado positivo: não teria ensaio. Todo mundo estava ocupado, então não iria rolar.

Que merda, não queria acordá-la.

Levei minha mão de encontro com a sua bochecha e acariciei-o, sussurrando em seguida o nome dela para acordá-la, no entanto, Mahara não reagiu. Ela estava afundada no seu sono profundo e pesado. A história de como Mahara acabou dormindo na minha cama não é longa, apenas sugeri como quem não queria nada, jogando verde, e ela aceitou, sem pensar duas vezes. Sua resposta me surpreendeu porque eu não estava esperando um "sim" tão direto e rápido.

— Mahara. — Falei de novo seu nome. — Infelizmente precisamos ir para a aula.

Ela resmungou algo por debaixo da língua e se mexeu, afastando seus braços do meu corpo e se virando para o outro lado, ficando de costas para mim. Seu cabelo liso e preto preenchia seu travesseiro e era bonito, era perceptível que Mahara se dedicava bastante em deixá-lo bem hidratado.

— Não quero ir, sua cama é mais confortável. — Resmungou, retornando a girar seu tronco para o meu lado.

Ainda de olhos fechados e bufando, sem paciência para levantar, pude admirar as características físicas dela. Um dos traços mais bonitos que ela tinha era seu nariz fino e reto, era simétrico com lábios cheios e delineados. Mahara era linda pra caralho.

— Quer faltar? — Arrisquei a perguntar, pois também não queria ir.

Queria passar a manhã com ela na minha cama.

Mahara riu fraco e abriu os olhos, e os coçou.

— Faltar não faz parte do meu vocabulário, Kiki. — Me analisou. — Bom dia, dormiu bem?

— Dormi, e você? — Deslizei minha mão para suas mechas, iniciando um cafuné.

Ela assentiu com a cabeça.

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