CAPÍTULO 14

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KIRA FANE

— Você vai para casa, Kira? Quer carona? Estou saindo. — Mason indagou, colocando a alça da mochila nas costas após o final do ensaio.

Eram quase vinte e duas horas, e a galera já tinha ido embora. Só ficamos eu e o Mason para fazer a faxina na nossa sala de convívio. A banda tinha esse costume para não deixar o ambiente uma zona, e sempre trocávamos os pares para ser justo. Hoje foi a minha vez com o Mason.

— Na verdade, você pode me deixar na porta do seu trabalho se não for muito incômodo, por favor. — Pedi com educação e caminhando para fora da sala. — Vou buscar a Mahara.

Mason de imediato abriu um sorriso malicioso, me acompanhando nos passos.

— Estão ficando, é? — Inquiriu curioso.

— Amigas mesmo. — Menti, já que não era para ninguém saber.

E de qualquer forma, não era mentira, não podia falar que já fiquei com a Mahara sabendo que nunca a beijei. Não, nunca, mas deu para entender. Nunca a beijei depois que crescemos.

— E depois? Vão como pra casa? Está de noite e fica perigoso para vocês. — Mason acenou para sua irmã se despedindo dela e eu pisquei o olho com um sorriso.

— Vou chamar um Uber, fique tranquilo. Obrigada pela preocupação.

Fomos recebidos pela rua deserta e pelo vento frio em pleno outono. Puxei o zíper do casaco, me aquecendo e seguimos para o carro de Mason. Ele destrancou o carro e eu abri a porta, sentando em seguida e pousando o estojo entre as pernas.

Mason copiou meus movimentos e jogou sua mochila para o banco de trás. Encaixou a chave na ignição e girou. Em segundos, o veículo estava se movimentando pela estrada e Mason colocou sua playlist para tocar.

— E você? Está ficando com alguém? — Perguntei para puxar assunto.

Ele sorriu de canto e riu nasalado, batucando os dedos no volante.

— É mais um sexo causal. Uma garota da faculdade. — Confessou.

— E ela está te respeitando? Porque, pelo que você contou da outra menina... — Me referi à situação de transfobia.

Mason assentiu com a cabeça.

— Quando começamos a sair, eu contei e ela ficou bem de boas, disposta a aprender e compreender mais do meu mundo. Fiquei feliz pra caralho, Ki. — Sorriu fraco.

— Sei como é o sentimento de uma pessoa nos aceitar como somos, nos respeitar e estar disposto a aprender mais do nosso mundo. É incrível. — Também sorri, feliz pelo meu amigo.

— Sim. — Concordou comigo, contornando uma rotatória.

Estávamos quase chegando no lugar onde Mahara trabalhava. Já reconhecia o bairro. Ele diminuiu a velocidade ao se aproximar da porta principal. Peguei os meus pertences e removi o cinto. Abri a porta e pulei do carro.

— Obrigada, Mason.

— Se cuidem. — Ele piscou o olho, arrancado o automóvel logo após.

Atravessei para o outro lado da calçada e na mesma hora a porta do estabelecimento foi aberta, me mostrando a Mahara soltando suas mechas lisas e ajeitando sua bolsa no ombro. Assim que ela levantou a cabeça e nossos olhares se alinharam, Mah sorriu. Um sorriso lindo.

— Você chegou no momento perfeito. — Ela disse. — Mas eu estou horrível, cheirando a fritura. — Resmungou, rindo fraco.

Não me importava, continuava linda.

Ritmo da VidaOnde histórias criam vida. Descubra agora