CAPÍTULO 36

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MAHARA HASSAN 

Quatro dias sem a minha irmã.

Quatro dias que não sabia nada sobre ela, pois Lasya tinha o celular desligado.

Ontem Kira me trouxe para o seu apartamento e, sinceramente, estava me sentindo um encosto. Tentei ao máximo não trazê-la para os meus problemas, no entanto não aguentei guardar tudo para mim porque sentia meus demônios mentais me comendo viva.

Então desabafei. Contei o que aconteceu, inclusive a minha relação com a minha mãe. Era uma conquista, uma vez que nunca mencionei isso para Kira, nem mesmo quando éramos crianças. De certa forma, desabafar com ela me aliviou um pouco. Ela não me julgou, pelo contrário, cuidou de mim como se eu fosse uma peça frágil e de vidro. Ela segurou a minha mão e disse que tudo ficaria bem e que iria me ajudar.

Kira era a pessoa certa pela qual estava me apaixonando, e as palavras que foram ditas na minha declaração não eram mentiras. Ela tinha o direito de saber o bem que me fazia. Ela tinha o direito de saber que era uma pessoa inesquecível.

Inesquecível porque nunca a esqueci. Nem mesmo quando eu queria e me esforcei para superar.

Hoje Kira saiu de casa às cinco da manhã, eram meio-dia agora. Ela avisou que iria resolver um assunto e que só voltaria no final do dia. Kira também falou para eu ficar à vontade na sua casa, que poderia fazer o que quisesse e até o momento a única coisa que fiz foi tomar o café da manhã — bebi apenas uma xícara de leite.

Também liguei para o trabalho, avisando que não conseguiria ir. Expliquei tudo ao meu chefe, que foi compreensivo e me disse para não me preocupar, que eu deveria resolver logo a situação da minha irmã. O gerente acabou por me dar dez dias de folga, descontados das férias. Ou seja, dentro de dez dias necessitava de ter o problema, no máximo, sob controle.

Sobre a faculdade, para não perder a bolsa, telefonei para a administração e falei o motivo das minhas faltas. O funcionário de lá, passou a chamada para o coordenador responsável pelas bolsas e ele agradeceu pela consideração e responsabilidade. Também desejou que a situação fosse resolvida o mais rápido possível e me recomendou que eu tivesse algum colega de confiança para me passar os conteúdos dados em aula. Assim não ficaria para trás.

Após encerrar a ligação com o coordenador, mandei mensagem para uma colega pedindo anotações, e sem entrar em muitos detalhes, contei que estava passando por problemas pessoais. Neste período nós tínhamos as mesmas aulas, então poderia pedir para ela. Dez minutos depois ela respondeu e escreveu que estava disponível para me ajudar.

Esperava voltar para a faculdade em dez dias também, igual o trabalho.

Sem nada para fazer, me ocupei em procurar algo interessante para assistir na TV. De pernas cruzadas e cobertas por um edredom, me encontrava sentada no sofá. Não sabia o que ia comer no almoço e honestamente, não tinha um pingo de vontade de cozinhar. Mas se eu dissesse para Kira que a única coisa que ingeri durante o dia foi uma xícara com leite, ela me daria esporro. Então era melhor preparar qualquer coisa leve.

Bruscamente a campainha tocou, me arrancando um sobressalto. Me levantei com o cenho franzido, pois não estava esperando por visitas. Me aproximei da porta e ao escutar as vozes que vinham do outro lado, minha expressão relaxou. Com um giro no trinco, a estrutura de madeira se abriu relevando as minhas melhores amigas.

Zamira trajava sua roupa de ginasta e o cabelo estava amarrado num rabo de cavalo. Já Kailani, vestia um moletom preto combinado com uma calça jeans.

— Oii. — Disse com os lábios colados num no outro, formando um sorriso frouxo.

Não sabia como encará-las depois de tê-las magoado com minhas palavras.

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