CAPÍTULO 17

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 MAHARA HASSAN

— Ela está no quarto. — Kailani disse, fungando o nariz. — Eu não sabia o que fazer, então deixei que ela tivesse o seu momento, colocando para fora o que ela estava sentindo. — Sua mão, que segurava o celular, tremia muito.

— Você fez o certo. Desculpa se te causou algum incômodo. — Pousei a mão em cima da sua.

— Não causou, Mah. Estou chorando porque não gosto de ver Lasya triste. Tudo começou com o dever de casa de ciências. Estava tentando ajudar, até ela começar a ficar nervosa porque não estava entendendo o exercício de jeito nenhum e o resto você já sabe. — Resumiu.

— Obrigada mais uma vez, Lani. Eu te amo, obrigada por me ajudar. — Não contive as emoções e a abracei. Kailani retribuiu em seguida, me apertando. — Não sei o que seria de mim sem você e a Zamira. — Afastei devagar, limpando as lágrimas que desciam pelo rosto.

— Estamos aqui para isso. — Sorriu com os lábios colados um no outro. — Preciso ir. Se você precisar de mais alguma coisa, me liga, tá? — Assenti com a cabeça. — Amo você, Mah. Se cuidem. — Plantou um beijo na minha testa.

Assisti a minha melhor amiga atravessando a porta do apartamento e fechando. Abaixei a cabeça, limpando mais as lágrimas e marchei em direção ao quarto, me preparando para conversar com a minha irmã.

Como a porta estava encostada, apenas a empurrei, entrando na escuridão, pois a janela do quarto estava coberta pela persiana. Caminhei devagar e me sentei no canto da cama.

As fungadas de nariz da Lasya, me indicavam que ela estava acordada, então decidi esperar que ela falasse primeiro.

Esperava que a Kira não ficasse brava comigo, também já tinha enviado uma mensagem para ela assim que cheguei a porta do apê.

— A Kailani já foi embora, Mahara? — A voz da minha irmã rasgou o silêncio.

Mahara. Nada de mana.

— Já.

— Ela tentou me ajudar.

— Eu sei, ela me contou.

— Desculpa por ser um fardo para você. — Foi quase impossível escutar.

— Você não é e nunca foi um fardo para mim, Lasya.

A vontade de chorar retornou, deixando a minha garganta seca.

— Às vezes sinto que te dou muito trabalho.

— Só estou cuidando da minha irmã e isso não é nenhum problema. Como você se sente? — Devagar, arrastei a bunda para o lado, tentando me aproximar dela.

A pouca luz que entrava pela porta aberta delineava a silhueta de Lasya, encolhida na ponta da cama, abraçando suas pernas.

— Mal. Acho que sou burra, não entendo nada de ciências. Não me sinto uma garota inteligente, diferente dos meus colegas. Na sala, eles resolvem os exercícios em dez minutos.

— Para mim você é muitoooo inteligente. — Comentei, chegando cada vez mais perto. — Eu não sei nada sobre maquiagem e quando você fala, quem se sente burra sou eu. — Tentei exemplificar.

— O que você quer dizer com isso?

— Quero dizer que você não pode definir a sua inteligência só porque você tem dificuldades em uma coisa específica. Seus colegas podem ser bons em ciências, mas será que eles entendem de maquiagem?

Parei de arrastar a bunda quando minha perna tocou seus dedos dos pés.

— É diferente, Mahara. Isso não conta. — Exalou ar pesado.

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