CAPÍTULO 39

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KIRA FANE

DUAS SEMANAS DEPOIS. 

Hoje era o dia do julgamento e eu não sabia expressar em palavras o quão ansiosa estava. A minha inquietação superava a de Mahara, nem dormi direito e acordei primeiro que Mah.

Durante essas duas semanas ajudei bastante Mahara em relação a Lasya. Mahara ainda não tinha uma boa relação com sua irmã, o clima ainda era uma merda entre elas. Então, às vezes era eu que buscava Lasya na escola e como nessa última semana Mahara voltou a trabalhar, eu passava mais tempo brincando com Lasya.

Nunca toquei no assunto da mãe delas, não queria ser a terceira pessoa a encher a cabeça de Lasy. Sempre ocupava a mente da lindinha com conversas positivas e engraçadas. Inclusive, Lasya não estaria na sala de julgamento porque ela era uma criança, não tinha maturidade para entender e também para não expô-la numa audiência que pudesse causar-lhe traumas emocionais. Portanto, Lasy estava numa sala de espera infantil acompanhada por uma assistente social e pelas melhores amigas da Mahara.

— Se você continuar assim, vai acabar furando o chão. — Meu irmão resmungou do meu lado, se referindo ao meu pé que não parava de bater contra o piso do corredor do tribunal.

Para Mahara, meu irmão era o seu salvador, porque ele foi até Santa Mônica buscar dois antigos vizinhos para testemunhar a favor dela. O que reforçaria para caralho as coisas que seriam ditas por Mahara e a guarda já estaria garantida. Não havia erro.

— Desculpa, estou uma pilha de ansiedade. — Parei o movimento, tentando me acalmar.

Só eu e o Chase estávamos juntos e sentados no mesmo banco. Erika conversava com Mahara em algum canto e a mãe dela não tinha chegado até então.

— Chase e Kira! — Uma voz soou alto e longe.

Reconhecendo claramente a quem pertencia, girei a cabeça rapidamente, me deparando com minha mãe caminhando aceleradamente até nós na companhia de Tommaso.

— Mãe? O que você está fazendo em Lincoln? — Franzi o cenho. — Você sabia? — Me virei rapidamente para meu irmão.

— Ela pediu para não dizer nada porque queria te fazer uma surpresa. — Disse tranquilo, ainda sentado.

— Vim dar apoio moral a minha filha e a namoradinha dela, claro. — Cessou os passos diante de mim. — Non darai un abbraccio a tua madre, eh?⁶— Abriu os braços.

Nem respondi, abracei-a com um sorriso largo e apertei seu corpo contra o meu. Seu cheiro era o mesmo de sempre — nostálgico. Me recordava da minha adolescência e dos bons momentos que passávamos juntas em Santa Mônica.

Dona Bella era a minha melhor amiga. Sempre me compreendeu e abraçou a minha orientação sexual, sem nenhum tipo de julgamento. Sempre esteve interessada em aprender mais sobre a comunidade lésbica.

Sempre.

Sempre foi ela e eu.

Mi sei mancata, cara mamma.⁷— Afastei um pouco para admirar seus olhos verdes.

Mamma, anche io ci sono, sai? Sono proprio qui!⁸— O invejoso do meu irmão reclamou.

Dona Bella soltou uma risadinha e eu rolei os olhos. Ela se aproximou do Chase para dá-lo um abraço também.

— Tudo bem, Tommaso? — Seu semblante implorava por uma cama.

— Só estou cansado da viagem, sua mãe quis vir diretamente para cá. — Proferiu em inglês com o sotaque carregado que entregava suas origens.

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