CAPÍTULO 25

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 MAHARA HASSAN

Kailani tinha passado dos limites com a bebida, e isso significava prejuízo para mim e para Zamira. Quer dizer, para Zamira não, porque até ela me abandonou. Disse que ia passear por aí, mas com certeza estava fumando em algum canto. Além disso, perdi a Kira e a galera do Toppers de vista, já que há alguns minutos estava ocupada procurando Kailani, que andava alcoolizada.

A emoção de assistir à corrida do lado da Nycoly Walker subiu ao cérebro dessa mulher. Inclusive, foi incrível. Foi a minha primeira experiência assistindo uma corrida de motos ao vivo e era um absurdo a adrenalina que sentia vendo todos os veículos disputando pelo primeiro lugar. Torci para gente que nem conhecia, só ia na onda da Kailani que conhecia todos os corredores, principalmente os seus preferidos.

Agora eu estava segurando o cabelo da Kailani enquanto ela vomitava na privada. Estávamos naquele banheiro público pequeno e fedido, onde era impossível caber duas pessoas, mas eu estava aqui dentro, com ela. Claro que a porta estava aberta, o cheiro era simplesmente insuportável.

Eu não fazia ideia do quanto ela tinha bebido. O cansaço e o estresse já estavam tomando conta do meu corpo. Porra, era sempre o mesmo. Kailani nunca sabia beber com moderação, era sempre um exagero.

Que maravilha! Era uma melhor amiga com os pulmões pretos e a outra estava acabando com os rins.

Do jeito que ela vomitava, parecia que o estômago também ia sair. Quando finalmente expulsou tudo o que a incomodava, Kailani respirou fundo e, sem forças, encostou a cabeça na porra da privada suja.

Puta que pariu. Olha as situações que me submeto.

Impulsivamente, puxei seu cabelo, forçando-a a erguer a cabeça. Ela reagiu rápido, mas sem resistência, já que seu corpo estava mole. Posicionada atrás dela, senti Kailani encostar as costas nas minhas pernas.

— Vamos lá, Kailani. Vamos procurar alguma bancada para comprar água para você. — Declarei, soltando suas mechas.

— Mahara, minha cabeça está doendo muito. — Sua voz mal passava de um sussurro.

— Imagino. Precisamos encontrar a Zamira e procurar uma farmácia que funcione 24 horas.

— Você me ajuda a levantar?

— Ajudo.

Com cuidado, coloquei meus braços por dentro dos dela e impulsionei seu corpo para cima. Aos poucos e com paciência, Kailani subiu devagar, contando os números. Em seguida, ela girou o tronco para mim e me deu um sorriso de conforto, embora seu rosto implorasse por ajuda. Lani estava pálida, quase como um defunto.

— Consegue andar? — Entrelacei nossos dedos.

— Devagar, sim.

— Ótimo. Vamos sair desse lugar, por favor.

Abandonamos o lugar e marchamos em direção a uma barraca que vendia água. Durante o percurso, tirei o celular da bolsa, desbloqueei e liguei para Zamira. Ela atendeu no segundo toque, falando que estava nos procurando. Avisei que ia comprar água para Kailani, e ela disse para nos encontrarmos na saída.

Após chegar à barraca, comprei três garrafas e também um pão com queijo e presunto para Kailani comer mais tarde. Seguimos em um ritmo lento, acompanhando o passo da Lani, até a saída. Lá, encontrei Zamira encostada em um poste de luz, distraída com o celular.

— ZAMIRA! — Gritei seu nome.

Zami levantou o rosto e guardou o telefone na bolsa. Se afastou do poste e acelerou os passos, vindo na nossa direção. Quanto mais ela se aproximava, mais sentia o odor de tabaco que emanava de seu corpo. Queria reclamar, mas não era hora para isso.

Ritmo da VidaOnde histórias criam vida. Descubra agora