Era 9:30 da manhã quando o sol finalmente apareceu. Surgiu tímido entre as nuvens, marcando o fim da tempestade, espalhando calor pelos telhados molhados e pelas ruas cobertas de poças.
Vera Lúcia abriu uma das janelas da sala, se apoiando no parapeito. O calor do sol agraciou sua pele feito um beijo... e a moça suspirou. Como era bom ver o lado de fora novamente!
Letícia estava no quintal, ajoelhada na grama úmida. Ela saiu de casa assim que o primeiro raio de sol apareceu, trazendo com ela uma amostra de sangue e uma lupa. A luz batia diretamente em seus cachos, acrescentando um brilho dourado aos fios.
— O que ela tá fazendo?
André se juntou a ela na janela, erguendo uma sobrancelha para a cena que acontecia diante deles. Vera Lúcia puxou seu celular.
— Testando algo com o sangue do seu parasita.
O rapaz estremeceu. Abraçou o próprio corpo, esfregando os braços arrepiados.
— Não sei como ela consegue... o estômago dela é de ferro?
— A fome dela por respostas supera qualquer coisa.
Ele franziu o rosto. Desviou o olhar da janela, encarando Vera diretamente.
— Ela descobriu algo novo hoje?
Vera Lúcia o encarou de volta.
— Não muito, mas ela deve fazer uma descoberta grande em breve. Ela tem passado mais tempo investigando do que de costume.
— ...por acaso ela dorme? Quase nunca vejo ela dormindo.
A moça apertou os lábios. Seu olhar se tornou neutro.
— Ela dorme sim.
Se dormia o suficiente, isso já era outra história... mas Vera não queria que a amiga fosse encurralada com perguntas desconfortáveis, não com tanta coisa já incomodando a cabeça dela. Não era como se qualquer um deles estivesse dormindo direito. As olheiras estavam lá como prova.
O que levava à outra pergunta.
— E você?
André estreitou os olhos.
— O que tem eu?
Vera Lúcia forçou um sorriso, tentando suavizar a questão.
— Como você tá? Não é todo mundo que passa pelo que você passou algumas noites atrás. Isso deve ter te marcado e tanto.
André ficou rígido. Ele começou a esfregar os ombros, calado, mordendo a pele ressecada de seus lábios. Vera o via esfregando os ombros e as costas com frequência, como se sentisse dor. Talvez ele tenha dormido de mal jeito? O sofá acabava mesmo com qualquer um.
— Eu bem que queria falar com você sobre isso...
Agora sim ela ficou curiosa. A moça se afastou da janela, indo até o sofá e se sentando nele. O rapaz se sentou ao lado dela.
— Falar o quê?
André cruzou os braços, encarando o tapete sob seus pés.
— Eu percebi que nunca te agradeci... pelo que você fez naquela noite — ele pigarreou. — Me salvando daquele jeito e tudo mais, nem sei o que seria de mim se não fosse por você. Sério, muito obrigado.
Bom, isso era uma surpresa. Vera Lúcia mostrou um sorriso mais natural.
— Que isso, cara, nem precisava agradecer. Eu só fiz o que tinha que ser feito.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Oneirofobia
HorrorOneirofobia: o medo extremo de sonhar. Três jovens adultos, atormentados por pesadelos terríveis, se juntam para investigar e deter as estranhas entidades que assombram seus sonhos. No processo, eles aprendem que seus medos podem ser muito mais pr...
