O escritório de Wanda Maximoff ficava no segundo andar de um prédio decadente no centro de Nova York, daqueles que pareciam ter sobrevivido a pelo menos três guerras e um incêndio. O elevador rangia tanto que a maioria das pessoas preferia subir as escadas, inclusive Wanda, que alegava que era exercício gratuito. A placa na porta dizia "W. Maximoff - Investigação Particular" em letras adesivas meio tortas, como se quem as colou estivesse ligeiramente bêbado, e estava, era a própria Wanda às três da manhã depois de um caso resolvido com muitas doses de tequila.
Naquela manhã chuvosa de dezembro, Wanda chegou atrasada, como de costume. Jogou as chaves na mesa bagunçada, deixou a bolsa cair no chão com um baque surdo e se jogou na cadeira giratória que protestou com um rangido dramático, quase como se dissesse "de novo não, pelo amor de Deus".
Ela mal tinha conseguido ligar a cafeteira velha, que fazia um barulho de avião decolando, quando a porta se abriu de supetão. Entrou uma mulher elegante, mas claramente abalada, tailleur caro, cabelo perfeito apesar das lágrimas, bolsa Hermès pendurada no braço e um lenço Chanel que ela usava para enxugar os olhos vermelhos.
- Você é a Wanda Maximoff? - perguntou, a voz trêmula, mas ainda com aquele tom de quem está acostumada a ser atendida rápido.
- Sou eu mesma. E você é...? - Wanda ergueu uma sobrancelha, tomando um gole do café que mais parecia lama.
- Maria. - Ela hesitou antes de se sentar, olhando com desconfiança para a cadeira de visitas, que tinha uma perna mais curta e balançava perigosamente. E no final decidiu ficar de pé mesmo. - Como você consegue trabalhar nesse... cheiro de mofo? Me disseram que você era a melhor detetive particular da cidade, e eu acabo num muquifo desses?
- Ei. Você quer minha ajuda e já chega ofendendo meu barraquinho? Calma lá, filha. - Wanda diz levemente ofendida.
- Desculpa. Estou nervosa. Muito nervosa. - Maria corou levemente.
- Tá perdoada. - Wanda se inclinou para frente, apoiando os cotovelos na mesa cheia de papéis, fotos de vigilância e copos de café vazios. - Agora me conta, o que te trouxe aqui tão desesperada? Perdeu o cachorrinho branco fofinho que custou cinco mil dolares e tem nome de humano?
- Dez mil dólares, na verdade - Maria corrigiu automaticamente. - Mas o Natanael está ótimo em casa com a babá. O problema não é ele. - Ela fungou, os olhos enchendo de lágrimas novamente. - Eu acho que minha esposa está me traindo.
- Você acha? Eu tenho certeza. - Wanda soltou, automática.
- O quê é? - Maria arregalou os olhos.
- Se a senhora veio até aqui é porque já tem certeza e só quer a confirmação oficial pra se sentir validada - Wanda explicou, dando mais um gole no café ruim.
- Eu quero saber tudo! Quem é, quando, onde, pra eu poder acabar com a vadia que tá destruindo meu casamento. - Maria apertou o lenço com força.
- Nossa, que justiça poética. Vai matar a "puta" e deixar a sua esposa, a verdadeira cachorra da história, livre, leve e solta? Prioridades, hein. - Wanda soltou uma risada sarcástica.
- Que tipo de detetive você é? - Maria piscou, surpresa.
- A melhor. E a mais sincera. - Wanda deu de ombros. - Meu preço é quinhentos dólares a hora. À vista ou cartão, sem parcelamento.
- Quinhentos dólares a hora e você nem tem um escritório decente? - Maria abriu a boca, indignada.
- Vai embora daqui. - Wanda apontou para a porta, sem cerimônia.
- Não! Parei, desculpa, desculpa! - Maria ergueu as mãos em rendição. - Eu aceito. Aceito tudo. Só me ajuda.
- Certo. Agora me fala o nome, onde ela mais fica, preciso da rotina completa, até quantas vezes ela pisca por minuto - Wanda disse, puxando um bloquinho.
