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Guinevere

(O carro seguia devagar. Eu observava as ruas como quem observa uma vida que não é sua... Arthur dirigia com uma mão no volante, a outra repousando perto da minha, mas sem me tocar. Como se tivesse medo de ultrapassar um limite invisível).

--- Você está quieta. -Comentou ele.

--- Estou... Pensando. -Respondi.

(E eu estava mesmo... Pensando na minha mãe... Pensando no Camilo ao lado dela).

--- Pensando em quê? -Ele perguntou, com cuidado.

(Hesitei. Eu queria dizer tanta coisa. Queria dizer tudo... Mas as palavras pareciam grandes demais para sair).

--- Na minha mãe, com essa gravidez de risco. -Falei por fim.

(Arthur me olhou rápido, preocupado).

--- Ela está bem?

--- Está... quer dizer, eu acho que sim. Hoje ela foi fazer ultrassom.

(Eu apertei as mãos no colo. Meu coração não parava).

--- Você é muito ligada a ela, né? -Ele disse.

--- Sou... -Minha voz falhou um pouco. ---Ela só tem a mim.

(Arthur assentiu. Ficou em silêncio por alguns segundos).

--- Você carrega o mundo nas costas, Gui.

(Eu sorri sem humor... Se ele soubesse... Paramos em um lugar simples. Um banco de praça. Árvores. Crianças ao longe. Vida acontecendo normalmente. Sentamos... Arthur falou de coisas banais. Tentava me distrair. Eu ria. Às vezes de verdade. Às vezes por esforço... Por alguns minutos, consegui esquecer da casa... Do quarto... Do Camilo...).

--- Gui... -Arthur tocou de leve minha mão.

--- Desculpa... - Respirei fundo. --- Às vezes eu tenho medo.

--- Medo de quê?

(Era ali... Meu coração gritava para pedir ajuda. Mas a imagem da minha mãe surgiu de novo. Frágil. Grávida. Em risco).

--- De perder quem eu amo. -Respondi.

(Arthur apertou minha mão com delicadeza).

--- Você não está sozinha - disse. --- Mesmo que não queira falar agora... Eu estou aqui.

(E aquilo quase me quebrou... Eu queria ficar ali para sempre... Mas sabia que precisava voltar).

Camilo

*MEUS PARABÉNS, MAMÃE E PAPAI... É UMA MENINA!*

(A palavra ecoou dentro de mim... Menina... Senti algo se mover... Algo que eu conhecia bem demais... Olivia chorava. Falava em roupinhas, em nomes, em futuro... Eu sorri, mas por dentro... Por dentro, eu pensei nela... Na Guinevere, em como tudo se repetia, em como eu sou o homem mais sortudo do planeta. A Gui nunca irá se separar de mim, pois usarei a parte onde mais doerá nela, caso me desobedeça. Uma menina).

Guinevere

(Cheguei em casa ao anoitecer. Arthur insistiu em me levar até a porta. Eu pedi que não descesse do carro... Olhei em volta antes de entrar, como quem foge de algo invisível... Eu estava me sentindo um pouco aflita, uma sensação diferente como se algo estivesse para acontecer. A casa estava silenciosa. Minha mãe e o Camilo ainda não tinham chegado... Subi para o meu quarto. Troquei de roupa. Sentei na cama, e esperei, pois queria notícias sobre a minha mãe).

Um tempo...

(Quando ouvi a porta bater, meu corpo inteiro se contraiu... Passos).

--- Gui? -A voz da minha mãe chamou.

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⏰ Última atualização: Feb 07 ⏰

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