Lee Min-ho

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Boa leitura.


O som violento dos limpa-para-brisas do carro não era suficiente para afastar a cortina de água que caía sem tréguas.

O céu sobre a estrada sinuosa nas montanhas de Gangwon parecia ter desabado.

No banco do condutor, Lee Min-ho mantinha as duas mãos firmes no volante, a sua postura imponente ligeiramente inclinada para a frente enquanto tentava decifrar o caminho por entre a névoa e a escuridão da noite.

Tu olhaste pelo vidro lateral, sentindo um arrepio pelo corpo.

O aquecimento do carro estava no máximo, mas a humidade parecia infiltrar-se em tudo.

- Está mesmo muito mau lá fora... - sussurraste, sem querer demonstrar o tamanho da tua preocupação.

Min-ho desviou os olhos da estrada por um breve segundo para te olhar.

Aquele perfil perfeito e maduro, que tantas vezes dominava os ecrãs de cinema, exibia agora uma expressão de pura concentração e cuidado.

Ele soltou uma das mãos do volante e pousou-a suavemente sobre o teu joelho, apertando-o de forma reconfortante.

- Não tenhas medo. Vou tirar-nos daqui - a voz dele resou num tom grave, baixo e incrivelmente seguro, agindo como um bálsamo para a tua ansiedade. - Há uma pequena estalagem tradicional (hanok) a poucos quilómetros. Vamos parar lá. Não há condições para continuar a guiar até Seul.....

Minutos depois, que pareceram horas, os faróis do carro iluminaram a estrutura de madeira antiga de uma estalagem isolada.

Min-ho estacionou o carro o mais perto possível da entrada e virou-se para o banco de trás, puxando o seu longo casaco de lã escura.

- Espera aqui - pediu ele. - Vou primeiro. Quando eu abrir a porta, tu corres....

Antes que pudesses protestar, ele saiu para a tempestade.

O vento quase lhe levou o casaco, mas ele avançou com determinação até à receção.

Momentos depois, a porta do teu lado abriu-se e o rosto dele, já salpicado de gotas de chuva, apareceu.

Ele abriu o casaco comprido, usando a sua altura e estrutura larga para criar uma barreira contra o vento, e puxou-te para perto do seu peito.

Correram juntos para o interior do edifício, fugindo da fúria da natureza.

Lá dentro, o estalo da madeira e o cheiro a chá de gengibre criavam um contraste reconfortante.

Uma senhora idosa e simpática, a dona do local, olhou para vocês com pena enquanto vos entregava duas toalhas secas.

- Tiveram muita sorte em encontrar este lugar com esta tempestade - disse a senhora, num tom amável. - Mas peço desculpa... devido ao mau tempo, houve um grupo que ficou retido aqui mais cedo. Só me resta um único quarto disponível. E a eletricidade foi-se há uma hora, por isso terão de usar velas.

Tu olhaste para Min-ho de imediato. Vocês eram amigos próximos e colegas de trabalho há muito tempo, mas partilhar um quarto tradicional, pequeno e isolado, numa noite como esta, trazia uma voltagem de tensão totalmente nova para o ar.

- Nós ficamos com ele. Muito obrigado - respondeu Min-ho com educação, curvando-se levemente antes de pegar na chave.

O quarto era simples, tipicamente coreano: o chão aquecido (ondol), uma mesa baixa de madeira no centro, algumas velas a iluminar o espaço com uma luz dourada e suave, e os colchões tradicionais (yo) dobrados num canto.

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