Song Kang

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Boa leitura.

Quem visse Song Kang a caminhar pelas ruas escuras da cidade, com o seu casaco longo de cabedal preto, a postura imponente e aquele olhar gélido capaz de congelar qualquer um, nunca imaginaria a cena que se passava neste momento dentro do teu apartamento.

O "perigoso" e arrogante homem que tinha acabado de enfrentar uma situação tensa na rua para te proteger estava agora sentado no teu sofá de pijama de flanela azul, com os lábios num biquinho absurdamente infantil. Ele segurava um urso de peluche contra o peito enquanto olhava para ti com uns olhos gigantes, brilhantes e pidões.

- S/N... dói muito - choramingou ele, com uma voz manhosa que não combinava em nada com o seu corpo alto e musculado.

Tu suspiraste, segurando a caixa de primeiros socorros, mas não conseguiste evitar o sorriso.

Vocês já namoravam há tempo suficiente para tu saberes que a pose de "monstro incompreendido" ou "herdeiro intocável" dele evaporava-se no segundo em que a porta de casa se fechava.

Contigo, Song Kang transformava-se num autêntico cachorrinho carente que exigia atenção a cada segundo.

- Kang-ah, deixa-me ver - disseste, ajoelhando-te no tapete em frente a ele. - É apenas um arranhão superficial no teu antebraço. Tu derrubaste três homens na rua sem sequer piscar os olhos, e agora vais chorar por causa de um bocadinho de desinfetante?....

- Mas na rua eu tinha de manter a minha reputação - argumentou ele, esticando o braço com uma lentidão dramática, como se estivesse a entregar um membro a ser amputado. - Aqui eu sou o teu namorado. O teu namorado está ferido, S/N. Mereço cuidados especiais e mimos. Muitos mimos.

- Está bem, senhor dramático. Vá, aguenta lá - avisaste, aproximando o algodão com o líquido antissético.

No milissegundo em que o algodão tocou na pele dele, Song Kang soltou um ganido agudo, encolhendo os ombros e escondendo o rosto na almofada do sofá.

- Ahhh! Estás a tentar assassinar-me? Isto arde! - protestou ele, espreitando por trás da almofada com uma expressão comicamente ultrajada. - Tu queres livrar-te de mim para ficar com o apartamento, não é? Eu sabia!....

Tu desataste a rir alto, quase deixando cair o algodão.

A capacidade dele de criar uma novela mexicana a partir de um arranhão de três centímetros era fascinante.

- Sim, o meu plano secreto foi descoberto - brincaste, soprando levemente o braço dele para aliviar a ardência enquanto colavas um penso rápido decorado com bonecos fofos que tinhas comprado de propósito.

- Pronto. Sobreviveste. Já podes voltar a ser o homem temido da cidade.

Song Kang olhou para o penso no seu braço, depois olhou para ti.

A brincadeira desapareceu por um instante, dando lugar àquela vulnerabilidade genuína que ele só se permitia sentir quando estava nos teus braços.

Ele largou a almofada e, com um movimento rápido e possessivo, puxou-te para o sofá, fazendo-te cair sentada diretamente no colo dele.

Ele envolveu a tua cintura com os braços compridos, enterrando o rosto no teu pescoço e soltando um suspiro longo, profundo e relaxado.

Todo o stresse e o perigo que ele tinha enfrentado lá fora pareceram dissolver-se no ar no momento em que ele te sentiu perto.

- Obrigado por cuidares de mim - sussurrou ele contra a tua pele, a voz agora num tom baixo, rouco e intensamente apaixonado. - Eu tive tanto medo hoje, S/N... Não por mim. Mas quando vi aqueles homens aproximarem-se de ti, o meu coração quase parou. Se alguma coisa te acontecesse por minha causa, eu... eu enlouquecia.....

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