Na In Woo

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Boa leitura.

O sinal para o almoço ecoou pelos corredores barulhentos da escola secundária, e o habitual caos instalou-se instantaneamente.

Como sempre, tu esperaste que o teu grupo de amigas se adiantasse em direção à cantina antes de te desviares discretamente pelo corredor leste.

Subiste os degraus de cimento que levavam ao terraço com o coração a bater num ritmo que já se tinha tornado rotina: uma mistura de ansiedade pelo medo de seres vista e de pura antecipação.

Ao empurrares a pesada porta de ferro, o vento fresco do meio-dia atingiu-te o rosto.

E lá estava ele.Na In Woo estava sentado no chão, encostado à grade de proteção, com as pernas longas e desajeitadas dobradas.

Os óculos de armação escura escorregavam ligeiramente pelo nariz enquanto ele lia concentrado um livro de física académica.

Ao ouvir o som dos teus passos, os olhos dele iluminaram-se instantaneamente atrás das lentes.

Aquele sorriso gigante, caloroso e desarmante que ele só mostrava a ti, surgiu no seu rosto.

- Chegaste - disse In Woo, com a voz suave, fechando o livro com cuidado e colocando-o de lado. - Comprei o leite de banana que tu gostas....

Tu sentaste-te ao lado dele, aceitando a bebida fria, mas o teu sorriso não alcançou os olhos.

Uma névoa de frustração que vinha a acumular-se há semanas pesava-te no peito.

Olhaste para ele ,para os cabelos levemente desalinhados, para o uniforme escolar impecavelmente abotoado até ao pescoço, e para a forma como ele parecia tão confortavelmente escondido ali.

- O que foi? - perguntou ele, inclinando a cabeça para o lado com uma expressão genuinamente preocupada.

Ele esticou a mão para afastar uma mecha de cabelo do teu rosto, mas tu desviaste-te subtilmente.

A mão dele estagnou no ar antes de recolher, e o sorriso dele vacilou.

- S/N... aconteceu alguma coisa nas aulas?...

- Não é nas aulas, In Woo. É isto - disseste, gesticulando com a mão livre entre ti e ele, e depois apontando para a porta trancada do terraço. - É este segredo. É estarmos sempre a esconder-nos como se estivéssemos a fazer algo errado...

In Woo piscou os olhos, ligeiramente atordoado, ajeitando os óculos com o dedo indicador.

- Nós combinámos que seria mais fácil assim - relembrou ele, com a voz mansa, tentando manter a calma. - Tu és a rapariga mais popular do nosso ano. Toda a gente te segue, toda a gente quer a tua atenção. Se eles souberem que estás a namorar com o rapaz nerd que passa os intervalos na biblioteca... a tua vida vai virar um inferno de comentários e piadas. Eu só te quero proteger disso....

- Proteger-me? Ou proteger-te a ti? - a tua voz subiu um tom, carregada com a mágoa que guardavas. - Às vezes sinto que tens vergonha de estar comigo lá em baixo. Quando passas por mim nos corredores, tu baixas a cabeça. Tu finges que eu sou invisível!....

- Eu não tenho vergonha de ti! - In Woo retorquiu, a sua voz geralmente calma falhando por um segundo. Ele endireitou as costas, os olhos grandes fixos nos teus, cheios de uma dor súbita. - Como é que podes dizer isso? Tu és a melhor parte do meu dia, S/N. Eu baixo a cabeça porque tenho medo de olhar para ti, sorrir sem querer e arruinar o teu estatuto com as tuas amigas. Eu faço-o por ti, não por mim....

- Mas eu não quero essa proteção! - tu exclamaste, sentindo os olhos humedecerem-se. - Eu estou farta de ouvir as raparigas falarem de outros rapazes e ter de fingir que não tenho ninguém. Estou farta de ver os rapazes populares tentarem meter-se comigo e eu não poder dizer bem alto que o meu coração já tem dono, e que esse dono és tu! Eu prefiro lidar com os falatórios do que continuar a viver uma mentira cá em baixo....

In Woo olhou para ti, em silêncio , a respiração dele estava acelerada, e a vulnerabilidade nos olhos dele era quase palpável.

Ele viu a primeira lágrima teimosa escorrer pelo teu rosto e aquilo pareceu quebrar a última barreira de resistência dele.

Com um suspiro profundo, ele aproximou-se. Dessa vez, ele não hesitou.

As mãos grandes e quentes dele seguraram o teu rosto com uma delicadeza extrema. O polegar dele limpou a tua lágrima.

- Tu queres mesmo isto? - perguntou ele, a voz num sussurro rouco, os olhos colados nos teus. - Tens a certeza de que não te vais arrepender se todos souberem?...

- Eu nunca me arrependeria de ti, Na In Woo - respondeste com firmeza, olhando bem no fundo dos olhos dele.

O olhar dele suavizou-se completamente. Um misto de alívio e pura adoração iluminou o rosto dele.

Ele soltou um riso curto, derrotado pelo amor que sentia por ti.

- Está bem. Tu ganhas - cedeu ele, com um sorriso terno, antes de colar a testa dele à tua. - Acabaram-se os segredos....

O resto do intervalo passou num piscar de olhos, já sem o peso da discussão, apenas com a expectativa do que viria a seguir.

Quando o sinal tocou novamente, anunciando o início das aulas da tarde, o teu estômago deu um nó, mas desta vez era de pura adrenalina.

In Woo arrumou o livro na mochila e estendeu-te a mão.

Tu seguraste-a. Os dedos dele entrelaçaram-se nos teus com firmeza, quentes e seguros.

Juntos, cruzaram a porta do terraço e desceram as escadas de cimento. A cada degrau que vos aproximava do corredor principal, o barulho dos alunos aumentava.

In Woo apertou a tua mão um pouco mais forte, como se estivesse a garantir que não ia largar, acontecesse o que acontecesse.

Ao entrarem no corredor do vosso bloco de aulas, o movimento era intenso.

Alunos guardavam livros nos cacifos, riam e conversavam. Mas, à medida que vocês avançavam, um silêncio abrupto e contagioso começou a espalhar-se.

Uma a uma, as cabeças viravam-se , as tuas amigas, que conversavam perto da entrada da sala, interromperam a frase a meio, com os olhos arregalados de choque.

Os rapazes do clube de futebol pararam de rir, apontando discretamente.

Os sussurros começaram de imediato, como fofocas que se espalhavam pelo vento.

"A S/N? Com o Na In Woo?"

"Eles estão de mãos dadas?"

Tu sentiste os olhares pesarem sobre as tuas costas, mas quando olhaste para o lado, para o rapaz alto a caminhar ao teu lado, todo o ruído do corredor simplesmente desapareceu.

In Woo não estava a olhar para os lados. Ele não olhava para os alunos chocados, nem para os sussurros.

Ele caminhava de cabeça erguida, com um perfil calmo, mas os olhos dele estavam fixos apenas em ti.

Ele sorriu-te de lado , aquele sorriso cúmplice que antes pertencia apenas ao terraço escondido, mas que agora era público.

Naquele momento preciso, o corredor cheio de gente desapareceu , o mundo à vossa volta tornou-se num borrão cinzento e sem importância.

Não havia escola, não havia raparigas populares, não havia julgamentos.

Para ti, só existia a mão quente do In Woo envolvida na tua, o som compassado dos passos de ambos e a certeza absoluta de que, a partir daquele dia, caminhar profissionalmente ao lado dele era o único lugar onde querias estar.

Vocês passaram pela porta da sala de aula juntos, de mãos dadas, deixando o mundo inteiro a falar sozinho lá fora.



Fim ........

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