Dessa vez, Alexander Grace seguiu o exemplo da maioria de hóspedes daquele hotel e levou Charlie para uma cafeteria a duas ruas de distância. Foram a pé, depois de muita insistência do menor. Ele não queria que Alex gastasse seu dinheiro à toa, principalmente com ele. O café da manhã de lá era milhões de vezes melhor se fosse comparado com o da hospedagem.
Aquele cheiro de café, quando combinado com o de pão que acabou de ser assado, se transformava em uma mistura perfeita aos sentidos do pálido. Sempre gostou desse cheiro todas as manhãs em sua antiga casa.
Em sua antiga e falsa vida.
Alex o guiou até uma das mesas mais afastadas, próxima a janela. Sua teoria foi comprovada quando analisou os rostos do local; Várias pessoas que estão hospedadas no hotel, até mesmo funcionários, estavam presentes, espalhadas por todo o ambiente.
A cafeteria seguia o exemplo das clássicas do século passado. Tanto em estrutura como em decoração. Balcão longo, grandes poltronas vermelhas de couro, lustres sem nenhuma ostentação, pôsteres do Elvis Presley e outras lendas da cultura pop e rock norte americana da época. Até uma jukebox, um grande tocador de discos de vinil, estava lá em um ritmo alegre e nostálgico.
- O que vão pedir, queridos? - Pergunta a garçonete, enchendo duas xícaras com o café quente e cheiroso. Todas as atendentes, assim como ela, eram uniformizadas com o tema antigo das cafeteiras, completanto o estilo do lugar.
- Um expresso, um cappuccino - O garoto maior diz rapidamente. Charlie percebe que foi quase automático - E dois pratos de waffles com calda de chocolate, por favor.
A mulher sorri enquanto anota apressadamente o pedido com uma caneta num bloquinho de papel e sai de volta para a parte de trás do balcão.
- Eu gosto desse estilo de cafeteria - Inicia Alexander, destruindo o vácuo do momento. Sua visão, assim como a de Charlie, está na decoração do lugar - Anos 60 e 70, sabe?
Charlie apenas assentiu, mas sem ter muita certeza do que respondera.
- Sabe aquele homem, Charlie? - Pergunta apontando para um dos enormes pôsteres de Elvis - Ouvi muitas das músicas dele. São muito boas. Pena que ele já morreu. Parece que tudo o que é bom, dura pouco.
- "Tudo o que é bom, dura pouco" - Repete o garoto. Sua voz sempre relutante de ser ouvida - Linda frase.
- Infelizmente, é a verdade.
A mesma garçonete volta à mesa, segurando uma bandeja. Ela para ao lado de Alexander e põe um prato de cheio de waffles na frente de cada um. Depois, duas xícaras no meio da mesa, e os talheres.
- Aqui está, garotos - Ela diz ainda servindo. Olha para Alex - Qualquer coisa, me chame querido.
Charlie muda sua linha de visão para a xícara com algo branco em cima, posto exageradamente. Parecia bastante cremoso.
- Você vai conseguir comer isso? - Pergunta ainda com os olhos presos naquilo. Consegue ouvir a risada alta de Alex.
- Isso é seu - Diz entre um sorriso - Não se preocupe, é só cappuccino. Mas com chantilly extra.
Charlie olhou novamente para o tal creme. Não tinha nem certeza de como iria comer aquilo. O garoto ao seu lado percebe isso.
- Tome - Oferece uma colher ao menor. O sorriso continua - Deve ajudar.
O menino tira uma parte do topo com a pequena colher. Vê a expressão que Alexander fez, após saborear seu expresso. Quando finalmente leva a boca, percebe que era como esperava.
- E então? - Quis saber Alex.
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Além do Espelho
Science FictionA busca pelo poder levaria alguém a transformar toda uma dimensão em cobaias para a tentativa de transformar a humanidade em uma nova evolução? E se a chave para essa dimensão fosse um garoto com "habilidades especiais"? O poder existe. Além do Esp...
