Dia 15

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DIA 15- MEDO

[ HARRY ]

Os raios de sol penetravam as nuvens, colocando-me numa posição desconfortável à procura da melhor solução de escuridão possível, apalpando a areia na tentativa de encontrar o pequeno corpo de Ruby de forma a abraçá-la, aconchegando-a e poder dormir mais um pouco antes de a luta pela sobrevivência continuar. A altura em que podia descansar era perfeita não só para nos convencer de que estamos fora do mundo por uns tempos como para esquecer todas as preocupações que dois adolescentes sozinhos numa ilha têm.

Assusto-me quando não sinto ninguém a meu lado. Abro os olhos vagarosamente devido à claridade, esfregando-os e quando foco melhor a minha atenção, Ruby não se encontrava a meu lado. Provavelmente deveria estar preocupado contudo a rapariga poderia apenas estar a tomar um banho refrescante na cascata ou simplesmente a "roubar" os mantimentos que caiam das árvores que serviriam para o nosso pequeno-almoço, uma vez que quem subia às árvores e esfolava os joelhos era eu.

Opto por continuar a dormir quando escuto um grito a ecoar pela ilha toda. O eco era tanto que rebatia na minha alma e obrigava as minhas pernas a levantarem-se. Imagens da Ruby passaram na minha mente e, sem pensar duas vezes, começo a correr em direção da voz.

As minhas pernas correm à velocidade da luz em busca da rapariga que roubou o meu coração frio pelo qual eu tanto tentei manter fechado a sete chaves mas que lá no fundo havia espaço para alguém tão especial. A minha respiração descontrolara-se e mal podia respirar pelo sol que me deixava sem ar. Rasguei a camisola velha e suja do meu corpo, sentindo um alívio pela roupa calorenta.

Apesar de mal conseguir dizer sequer uma palavra, tento ao máximo gritar o nome da rapariga, desesperado e com o medo a crescer nas minhas veias. Se alguma coisa lhe acontecesse, eu não faço a mínima ideia do que fazer. Apesar das minhas pernas estarem a começar a ceder, obrigava-me e gritava ao meu subconsciente para continuar. Procurei por entre os arbustos, pelos espaços mais sombrios das florestas, sítios que nunca tínhamos explorado. Estava a começar a perder a esperança, mas continuava a gritar para mim mesmo que não devia.

- Harry! - ouço a voz da rapariga em apuros.

Estava tão perto. Tão perto que eu mal conseguia controlar o alívio que sentia. Esperava que ela estivesse a salvo, sem feridas por sarar. Mas era tudo menos o que eu imaginava. Sem dar uma bela vista ao que estava ao meu redor, entro por vegetação a dentro para encontrar um acampamento abandonado. Garrafas espalhadas pelo chão e gritando perigo para quem decidisse pôr lá os pês. Cigarros improvisados em cima de rochas e tendas abertas com um cheiro a álcool que me dava vómitos. O meu coração parou ao ver no fundo e na última parte do acampamento, a rapariga que mais gostava presa numa árvore. Um pano branco, sujo e molhado enfiado na sua boca, lágrimas a escorrer pela sua bonita face e o seu corpo a ser esmagado pelas cordas mais apertadas que eu já vi.

Ela contorceu-se ao ver-me, deitando ainda mais as suas lágrimas para fora enquanto eu corria para ela. Retirei o pano da sua boca e ela tentou respirar fundo pela adrenalina que batia. Ela olhou para mim assustada e tentou afastar-me com abanos e contorções.

- Harry, atrás de ti! - ela berra mal conseguiu acalmar-se.

Viro-me para trás e sou esbofeteado pela triste realidade. Era a primeira vez que me apontavam uma arma daquelas. Tudo o que sentia era o meu corpo a ficar preso e os meus olhos a arregalarem-se enquanto ao meu lado a pobre rapariga chorava e chorava. Eram três homens há minha frente com as suas armas bem direcionadas para o meu cérebro e observavam-me com um desejo de morte. Tentei lutar, tentei o máximo que pude para afastar tais ferramentas mas o que recebi foi dor nas minhas pernas e abdómen, choros e gritos vindos de Ruby e mal eu sabia do quarto homem que apontava a sua arma nas minhas costas.

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