Dia 17

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DIA 17- CORPOS

[ HARRY ]

O barulho dos pássaros a chiar foi o que me acordou do sono profundo e endurecedor que estava a ter. Não me lembro de alguma vez ter dormido tão bem. Sempre que fechava os olhos era invadido por pensamentos negativos do que me podia acontecer mal na vida mas, estranhamente, nesta noite eu não tinha tido nenhum pesadelo. Era como se tudo na vida estivesse bem e não me precisava de preocupar.

Abro os olhos lentamente, ajustando-me progressivamente à luz que interceptava nas lianas. Pequenos raios do luz permitiam iluminar a gruta e eu olho para a rapariga ao meu lado que ressonava lentamente.

Sorri pela sua posição. Boca aberta, baba a escorrer pela sua bochecha e de vez em quando proferia algumas palavras inaudíveis. Se eu tivesse uma câmera para captar este momento, gastava o rolo todo só a tirar fotos dela.

Encostei-me no chão e aconchego-me nele, observando cada traço seu. É linda. Meu deus, como é linda. Como é possível existir tal ser humano? Os seus lábios entreabertos davam-me um desejo de dar-lhe um bate chapa. Foi o que acabei por fazer.

Deposito-lhe vários beijos pela sua face. Ponta do nariz. Bochecha. Testa. Olhos. Queixo. Por fim, os lábios. Foi aí que ela deitou uma gargalhada pelos beijos molhados que depositava e tentava limpar com as suas mãos afastando-me. Continuei a espalhar mais beijos pela sua cara gostando de ouvir o seu riso e os seus protestos.

- Harry!- ela exclama.

-Ruby!- exclamo de volta.

- Deixa-me em paz, seu preguiçoso!- ela ri, agarrando na minha cara com as suas mãos e olhando seriamente para mim.

Sorri ao ver o quanto próximo estávamos. Fecho os meus olhos quando sinto os seus lábios nos meus para um pequeno e rápido beijo.

- Se for assim todas as manhãs, não me importo de te chatear.

Ela sorri antes de deitar a língua de fora e levantar-se. Mas eu não deixei. Rodeio a sua cintura com os meus braços e puxa-a para baixo, colidindo com o meu peito. Ela solta gritinhos de ajuda e peço-lhe para fazer pouco barulho ou se não alguém nos ouvia.

- Não tivesses me agarrado! - exclamou ela.

- Um último abraço antes de ires.

- Como se alguma vez eu te fosse deixar.

Suspirou e deixou um beijo na minha testa antes de se levantar e espreitar pelas lianas. Fiquei chocado a olhar para ela ainda apanhado desprevenido pelas suas palavras. Estávamos a começar a ver novos lados um do outro e ela não me deixava de surpreender.

- Temos de ter cuidado hoje- ela informa.

- Então?

- Precisamos de comida ou se não morremos. Oh e de um banho! Vinha mesmo a calhar.

- Não podemos ficar simplesmente a dormir?!- sugeri.

- Não - ela responde, enviando um olhar de morte. Deitei uma pequena gargalha. Ela era demasiado engraçada. - Precisamos das nossas coisas.

- Podes sempre aventurar-te no meio da selva.

Houve um silêncio e eu arqueei-me para cima para olhar para ela. A rapariga estava nos seus pensamentos mas olhava para mim com os olhos tão arregalados como se eu tivesse a melhor ideia possível. Um sorriso apareceu na sua face e ela levantou-se, colocando-se a si mesma numa pose de heroísmo.

- Vou aventurar-me e venho já!

Assim que processei a informação, corri o mais rápido que pude e puxei-a pela cintura.

Island || h.s Histórias para pegar e não largar. Descubra agora