Capítulo 12

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Após o café da manhã os reis e rainhas seguiram para suas ocupações enquanto eu, Cedric e a pestinha Valerie éramos acompanhados por Magdalena em direção aos campos. Naquele momento ser obrigada a estar com Magdalena era uma benção, já que eu não fazia ideia de onde ficavam esses benditos campos e com certeza se não fosse pela companhia dela eu teria guiado todo mundo para dentro da floresta onde eu tinha me aventurado noite passada. Durante a caminhada Cedric ia à frente com a irmã e, sim, eu estava analisando cada movimento deles, eu já tinha percebido que tanto Cedric quanto Valerie não gostavam de mim, e só Deus sabe o que podia acontecer comigo se ficasse na mão daqueles dois, geralmente eu era muito boa com homens e crianças, mas aparentemente aqueles dois eram exceções ao meu talento, e por mais que eu não quisesse, tinha que admitir que o príncipe era um belo exemplar masculino da espécie humana... Da minha posição eu tinha uma bela visão dos atributos traseiros do príncipe, e eram belos atributos... Mas a questão não era essa, ele continuava sendo insuportável.

─ Senhorita, vós podeis parar de admirar o príncipe, ou pelo menos fazê-lo de forma mais discreta. ─ Dei um pulo com a voz de Magdalena no meu ouvido.

─ O que? Eu não estou... Eu não estou admirando o príncipe. Inclusive, ele não tem coisa alguma para ser admirada. ─ Respondi, mas Magdalena continuava sorrindo.

─Tens de admitir, senhorita, que o príncipe é sim um belo rapaz.

─ Bem... Sim, mas isso não muda o fato dele ser intragável. ─ Magdalena não deu resposta a isso, mas continuava com um sorrisinho no rosto. A caminhada durou mais alguns minutos e quando eu pensava que não iríamos chegar ainda naquela manhã, Magdalena freou o andar.

E apenas uma palavra poderia descrever a vista.

Oh... Meu... Deus...

Okay, foram três.

O campo era coberto de flores: girassóis, rosas, cravos, peônias, lavandas... Tudo, inclusive gérberas, minhas flores favoritas. E o lugar parecia não ter fim, a não ser pelas árvores que demarcavam o limite do campo, e não só ao horizonte e sim o campo inteiro era rodeado por grandes ipês, rosas ou amarelos. Era definitivamente uma das vistas mais bonitas da minha vida, e eu não conseguia tirar os olhos. A brisa era leve e levava meus cabelos para trás, brincando com os fios e os fazendo voar, os pássaros cantavam a todo o vapor, como se fossem um coral. Aquele era um lugar tirado de um conto de fadas, eu não me surpreenderia se a Sininho aparecesse ali junto com a Cinderela.

─ Princesa Marie. ─ Magdalena chamou. ─A senhorita talvez pudesse falar sobre algumas flores para o príncipe Cedric e para a princesa Valerie? ─ Por um segundo eu havia esquecido que todos estavam ali, me observando. Quando eu olhei para o príncipe percebi que ele tinha as vistas postas exatamente em meu rosto, mas não com um olhar reprovador, e sim contemplativo. Era a primeira vez que ele não me dirigia um olhar azedo, já a princesa Valerie...

─ Sim, claro! ─ Eu me abaixei e toquei a flor que eu identifiquei como uma gérbera branca, a flor que eu gostava de chamar de "minha" por ser a minha favorita. ─ Essa é uma gérbera branca... A gérbera pode ter outras cores, como aquela ali mais a frente, que é laranja. Mas eu acho a gérbera branca, particularmente, a mais bonita... Ela significa a sensibilidade, a nobreza, o amor, a alegria, a sensualidade e a simplicidade. ─ Eu olhei em direção ao príncipe, provavelmente eu estava falando demais, mas aquela flor significava muito para mim. Mamãe mantinha uma pequena estufa em nossa casa e ela sempre me presenteava com uma gérbera branca em todas as manhãs do meu aniversário.

Sina - A viagemHistórias para pegar e não largar. Descubra agora