Entramos no Salty Breeze após o campeonato terminar. O Salty é um bar mesmo à beira da areia, de frente para o mar. É bastante acolhedor e descontraído, não é aquele tipo de bar com música excessivamente alta, corpos e cabelos que colam de álcool entornado, ambiente pesado com cheiro a tabaco, onde temos de pedir licença constantemente para passar como se estivéssemos em um convívio dentro de uma lata de sardinhas, no meio dos mil e um encontrões.
Ele tem portas de madeira que permanecem intactas mesmo com o passar dos anos, lembro-me dos meus pais me falarem dele, ainda dos tempos em que cá estudaram. O cheiro característico salgado, junto a bronzeador, faz-me lembrar do pico do Verão. As paredes são igualmente de madeira, um pouco desgastada pelo sol.
No seu interior, o teto é repleto de pequenas luzes em candeeiros de palha, que balançam levemente com a brisa que vem do exterior. O balcão parece antigo mas um antigo bem cuidado, atrás dele, está repleto de garrafas coloridas e bem alinhadas, pranchas de surf decorativas, fotografias antigas de campeonatos locais e uma enorme ardósia onde o menu é escrito à mão com uma bonita letra desenhada. Observo Shawn que sobre a uma cadeira para colocar a fotografia de Joey, com a classificação de primeiro lugar. A sua pele é bastante bronzeada, como se vivesse os doze meses apenas na estação do verão, cabelo castanho escuro e olhos claros cor de mel, utiliza uma camisa branca um pouco aberta no peito e pisca-me o olho em cumprimento ao ver-nos entrar, Shawn estudou connosco, tinha uma paixão por Biologia Marinha, sempre nos demos bem.
No andar de cima existe um enorme rooftop, em que metade é coberto por um teto de palha, a outra metade são guarda-sóis de palha, mesas de um lado, enormes pufes de outro, onde as pessoas se sentam quase sempre descalças, criando um ambiente completamente descontraído. Durante o dia aqui em cima é um pouco mais calmo, servem algumas comidas rápidas como hamburguers e tostas, há música acústica de fundo e o som do mar a complementar a melodia, é um ótimo espaço de descontração. De noite, acendem-se as luzes em corda que rodeiam o espaço de uma ponta à outra e todo o espaço se enche de gente de todas as idades, incluindo famílias com crianças.
Costumávamos brincar em como no Salty Breeze era onde as histórias começavam, amores, amizades, pequenos negócios, ideias brilhantes.
Sinto a madeira ranger por baixo dos meus pés enquanto algumas já pessoas dançam ao som da música. Foi então que pousei os meus olhos em Joey. Ele usa uma sweat simples verde claro, com o carapuço na cabeça e o cabelo loiro ainda húmido do mar, caído despenteado pela testa. Gostava de manter o meu bronze tanto quanto ele mantém o dele. Ele conversa com alguém que o parabeniza e esboça um bonito sorriso, neste exato momento parece que existe algo nele que me faz instantaneamente sorrir também.
- Meu Deus, vão gabá-lo tanto que vai andar o mês inteiro a falar no mesmo. - diz Beth, alto o suficiente para que ele a ouça e note a nossa presença.
Ele vira a sua atenção para nós e o seu sorriso abre-se ainda mais, fazendo-me engolir em seco, rapidamente abrindo espaço para nós.
- Só aceito pedidos de fotografias agora a pagar. - diz para Beth, colocando-me um braço por cima e apertando-me em um cumprimento quente, o que em parte me surpreende após o decorrer do dia. - Demoraram tanto que por momentos pensei que viesse celebrar sozinho. - diz olhando-me de cima a baixo, pegando-me na mão e fazendo-me de seguida rodopiar com um olhar de aprovo que me faz ligeiramente corar.
- Por favor, és capaz de celebrar sozinho em qualquer lugar. - responde Beth revirando os olhos com um sorriso ao qual ele a imita em uma voz fininha e ela reclama. - Vou buscar o Adam à entrada, por favor não saiam daqui. - pede.
- Não prometo nada pela Eleonor, se ela desaparecer. - responde olhando-me nos olhos, ao qual Beth faz uma careta em desaprovo pelo comentário e sinto-me tensa por momentos, mas dou o meu máximo para disfarçar, entrelaçando o meu braço do dele, atirando-nos em conjunto para um pufe.
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Fallen
ParanormalNovembro 2024 Esta história encontra-se em reconstrução para poder ser então concluída. Um romance cheio de mistério, suspense, drama, criado principalmente para quem gosta de histórias emocionantes com fins imprevisíveis. "A sua única preocupação...
