Capítulo 22

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Saio espumando de raiva do shopping. Linc está muito enganado se acha que vou deixar me abater por ameaças de papéis. Porra! Ele está atrás das grades e é uma prisão de segurança máxima, afinal isso deve ser de extrema segurança como o nome diz não é? Como ele escaparia? Pelo ralo do chuveiro?

Chamo um táxi e passo o endereço que desejo ir. Depois de sair do carro, peço para ele me esperar, pois o que pretendo fazer é rápido.

Ao avistar o lugar, meu coração começa a dar solavancos e minhas mãos ficam subitamente geladas. Mesmo assim obrigo minhas pernas á entrar. Depois de dar as informações necessárias para a policial, sou revistada minuciosamente e entro em uma espécie de sala, onde em minha frente tem uma grossa camada de vidro e telefone tanto do lado de dentro como do lado de fora.

Respiro fundo ao escutar o barulho das portas se destravando. Ao longe avisto um ser desprezível algemado dos pés a cabeça, me olhando com um misto de surpresa e felicidade. Ele senta ainda algemado e pega o telefone me fazendo fazer o mesmo.

—Mas quem diria que um dia eu teria o prazer de ver você vim até aqui, para falar que está com saudades da minha pessoa. — Diz debochado.

—Muito pelo contrário, você poderia apodrecer aí que eu não daria à mínima. Ou melhor, é isso o que vai acontecer á você. —Vocifero furiosa.

—Será? Eu não teria tanta certeza. —Ele diz friamente.

—Você fica me mandando bilhetes e fazendo cartas só pra me assustar, mas adivinha? Não tenho mais medo de você! Aliás, eu poderia te denunciar. Deixa-me em paz, você já teve o que queria! —Minha voz infelizmente falha.

Sua testa se franze e ele se debruça na mesa.

—E por que ainda não denunciou? Eu ficaria mais do que feliz em ver os guardas visitando minha cela, e verem o quão exemplar eu sou. Acho que até diminuiria minha pena.

—E-eu juro que vou fazer você se arrepender do dia em que nasceu.

—Você não me parece muito confiante das suas próprias palavras loirinha, sabe por quê? Porque você ainda tem medo de mim. Mas vou te dar um conselho: nunca enfrente o inimigo, se você não tem psicológico suficiente pra isso.

—Do que você está falando?

—Eu estou vendo você tremendo mais que vara verde e também está muito pálida. O que significa que ainda tenho poder sobre você, amor.

—Você é desprezível Linc. —Minha garganta queima, mas luto para não chorar.

—Fale isso quando eu estiver matando sua filha. —Ele revira os olhos.

—Você... É um monstro! Ela é só um bebê!

—Você sabe que essa não seria a primeira vez. —Ele gargalha como de eu estivesse falado que elefantes podem voar.

Fecho meus punhos, e sinto meu sangue ferver em minhas veias.

—Como você sabe dela? Guarde minhas palavras Linc: se você se aproximar dela, eu mato você com minhas próprias mãos. —Digo com toda a fúria presente em meu corpo.

—Sério? Eu matei meu próprio filho ainda na sua barriga e nunca senti um pingo de remorso. Você se lembra do pequeno Lúcifer? Você nunca gostou desse nome. —Ele encosta a mão sobre o vidro. —Eu não admito ameaças Lana, e quando eu sair daqui, vou fazê-la pagar por cada sílaba e vogal que saiu da sua boca hoje.

Nessa hora não consigo mais segurar as lágrimas.

—Eu te odeio, eu te odeio muito! Eu quero que você morra e apodreça no inferno seu animal. — Cuspo no vidro mostrando todo o meu desprezo.

Ele toca no local onde cuspi, e me olha sério; provavelmente pensando em maneiras perversas de me matar.

—Ops, parece que alguém errou feio ao fazer isso.

O guarda anuncia que o horário de visitas acabou, e vejo o demônio com uma expressão diabólica sendo levado porta adentro.

Saio pelos grandes portões indo em direção ao táxi que me espera. Mas antes de entrar, corro a uma lixeira jogando meu lanche para fora. Droga! Parece que algumas coisas não mudaram.

—Moça, eu não sei quem você foi ver, mas eu sinto muito, quem sabe ele não sai um dia. —O taxista fala inocentemente tentando me consolar ao ouvir meu choro.

—Eu rezo todas as noites pra que isso não aconteça.

Peço para o taxista me deixar em uma praça, eu precisava respirar ar puro. O tempo escurece, e nuvens grossas e escuras aparecem junto com relâmpagos que iluminam o céu.

Sento no banco e coloco meu capuz na cabeça. Choro tudo, colocando pra fora o que deixa minha alma engasgada. Grito até meus pulmões arderem, soco o banco várias vezes expulsando a raiva de mim. Já cansada coloco minha cabeça entre minhas pernas.

A chuva cai forte, marcando minha pele. Sinto uma mão em meu ombro, e pulo assustada. Devido ao tempo meio escuro, demoro alguns segundos para assimilar a pessoa.

—O que está fazendo Lana? — Sua voz invade meus ouvidos.

—Agora lembrou que eu existo Zack? O que aconteceu com o "eu nunca vou te abandonar" que você disse no hospital? Ah, espera esqueci, você deixou de lado quando achou que eu era a porra de uma pessoa desesperada pra casar, ter filhos e morar em uma casa com cercas brancas. Cansei de você! Você é apenas mais uma pessoa com pena. — Grito batendo em seu peito.

—Pode descontar sua raiva em mim, bater em mim até se cansar, mas precisei de um tempo também! Porra Lana, não é só você que tem problemas.

—Ah, claro, me esqueci. Obrigada por me lembrar de que eu sou a dramática afetada mentalmente da história. Que ótimo! Agora pode ir embora. Espera, o que você está fazendo aqui? Que seja, só vá EMBORA. —Grito a última parte.

—Se eu for embora você vem comigo. —Ele diz visivelmente irritado.

—VÁ SE FODER. —Lanço meu dedo do meio em seu rosto. —Não vou ir para lugar algum e não é você que vai me obrigar.

—Ah, mas vai sim e vai ir agora.

Ele me pega no colo, e mesmo com meus socos na sua costa e gritos agudos nos seus ouvidos, ele não me solta. Cansada de lutar, me encolho no banco do carro fumegando de raiva. 

Apesar de VocêOnde histórias criam vida. Descubra agora