—Então cara, como vai o andamento do plano? —Fala Sugre ao me ver sair do buraco atrás do sanitário.
—Está tudo de acordo, cara. Mas preciso de um favor. —Paro em sua frente, encarando-o seriamente.
—Abre o bico.
—Preciso que convença aquele gordinho que lava as roupas do presídio a me emprestar uma roupa de guarda. —Ele arregala os olhos e seca a gota de suor da sua testa.
—Cara, você tem noção do que está me pedindo? Irmão; se formos pegos vamos descer lá pra baixo.
—Confie em mim, tenho tudo sobre controle. —Tento passar segurança pelo meu tom de voz confiante.
—Vou tentar, mas e se ele pedir grana? —Sugre anda de um lado á outro.
—Então você pega essa belezura. —Pego a chave de fenda que escondi em minha cueca. — Enfie no pescoço dele e o ameace.
—Beleza cara. —Ele esconde o objeto e sai da cela.
Pego uma folha e uma caneta escondida em baixo do colchão. Respiro pesadamente pensando nas palavras certas para mandar uma carta para a loirinha.
—Vejamos. — Fecho os olhos e lembro-me dos nossos momentos juntos. Quando percebo, já estou sorrindo abertamente.
Cara Lana, ou será que ainda posso te chamar de minha loirinha?
—Ela vai gostar desse começo. —Digo escolhendo com cuidado e anotando as palavras que me surgem em mente.
Sei que os últimos quatro anos foram muito difíceis para você.
Eu quero te pedir desculpas do fundo do meu coração por ter te deixado sozinha, principalmente depois que perdeu nosso bebê.
Encosto-me na parede, e coloco a caneta na boca, relembrando os velhos tempos.
—Linc? —Escuto sua voz, e me animo momentaneamente.
—Fale meu favo de mel. — Ela para em minha frente um pouco acanhada, e desaba a chorar. Céus! Como odeio mulheres choronas. — Engole o choro e fale logo, porra!
—E-eu estou grávida. —Ela gagueja.
Encaro seu rosto procurando algum sinal de piada, mas ela está séria demais para ser uma brincadeira.
—Merda! Sua puta, como você deixou isso acontecer? — Puxo-a pelos cabelos, sentindo uma descarga de adrenalina atravessar meu corpo.
—E-eu não s-sei. —Ela volta a chorar, irritando-me mais ainda.
— Será que vou ter que matar você e seus pais? Você sempre me irrita!
—Me de-desculpe, por favor, não faça nada com eles.
— Não me irrite de novo, me ouviu bem?
— S-sim.
Abro a mochila que carrego meus materiais para dar aulas e tiro de um fundo falso, um pacote pequeno com alguns comprimidos.
—Tome, coloque esses quatro comprimidos em baixo da língua.
—O que é isso?
—Um abortivo simples.
—Mas é muito perigoso, vou ficar sangrando por semanas!
—O problema não é meu. Se eu sonhar que você não fez o que eu mandei, vou resolver do meu jeito.
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Apesar de Você
RomanceCONTÉM BOOK TRAILER. Apesar de Você conta a história de Lana Fontenelle; filha de empresários ricos, estudante de medicina, e dona de uma personalidade reprimida. Com seu passado traumático e cheio de lágrimas, ela nunca planejou ter o gostinho da...
