Despedida

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Robin acordou às 5:00, antes de Regina, e teve a ideia de fazer o café da manhã e levar para ela.

Ele ficou a observando dormir por um instante. Passou a mão no seu cabelo, afastando a mesma mecha que sempre insistia em cair em seu rosto. Sua face apoiada no travesseiro... A boca sem os batons que ela estava acostumada a usar deixavam a pequena cicatriz do lábio dela transparecer. Ele amava aquela cicatriz, a deixava ainda mais charmosa. Regina era uma das únicas pessoas no mundo que ficavam bem com uma cicatriz no rosto.

Ele estava torcendo para ela não acordar, por isso tomou muito cuidado ao se retirar do quarto.

Os ovos mexidos, o bacon e o suco de laranja estavam prontos. Colocou tudo em uma bandeja e levou até o quarto.

Regina tinha acordado e estava olhando pela janela do seu lado da cama com um ar pensativo. O céu ainda estava cinza pois o sol não tinha nascido.

Tinha acabado de ter um pesadelo; ela já não se recordava direito mas era algo com Robin não se lembrando de quem ela era e indo embora. Aquilo deixou seu coração apertado e mesmo que não fosse real, ela sentia a dor do sonho. Ela estava tão desconcertada que nem notou a presença de Robin.

Ao perceber que ela estava estranha, ele colocou a bandeja em cima da cômoda e foi falar com ela.

- Bom dia, Gina. Estou aqui. - ele procurou a mão dela entre os lençóis, a segurando firme.

Ela o fitou com um olhar que jamais havia usado com ele.

- O que há de errado? - ele estava começando a ficar preocupado.

Regina passou o polegar repetidamente na mão que ele segurava a dela. Sem dizer nada, num gesto súbito ela o abraçou, suas unhas curtas apertando as costas dele contra o tronco dela, como se aquele abraço fosse um escudo protetor contra qualquer coisa.

- Eu... - ela hesitava contar - Tive um pesadelo, só isso. - Com aquelas palavras ela tentava minimizar o ocorrido, tanto para ele, quanto para si mesma.

- Sabe o que eu faço quando tenho pesadelos? Eu como. - ele sorriu.

- Por que às vezes eu acho que você fala comigo como fala com o Roland?

- Porque você é minha baby também.

Ela sorriu timidamente e descobriu o outro lado da cama, num gesto para que ele reocupasse o lugar. Ela olhou para Robin com expectativa, esperando que ele se acomodasse do lado dela. Quando ele o fez, Regina o abraçou deixando a cabeça apoiada em seu peito. Robin pegou a bandeja do seu lado e apoiou em cima da cama, para que ela comesse.

- Eu odeio pesadelos. - ela disse com cara de raiva, enquanto pegava um bacon e colocava na boca.

Ele beijou a cabeça dela, rindo um pouco pelo jeito meigo que ela falou.

- Obrigada pelo café. - ela acrescentou, levantando a cabeça e sorrindo.

- De nada. - ele sorriu de volta enquanto pegava um bacon também.

- Quer me contar o que você sonhou?

- Não. Pesadelos não devem ser ditos em voz alta, se não eles se realizam. - disse com fé naquelas palavras.

Ela olhou para o relógio involuntariamente e viu que eram 5:50.

- Nós temos menos de 2 horas juntos. É melhor agilizarmos nisso aqui.

- O quêêê? Eu te ajudo, então. - ele brincou enquanto pegava mais comida.

...

Robin tinha ido tomar banho enquanto Regina colocava seu vestido e sapatos. De repente ela se lembrou da ótima noite que eles tiveram, e sorriu sozinha. A blusa dele estava dobrada no pé da cama, e ela a tomou para si.

Regina resolveu ir até o quarto de Roland acordá-lo. Ela entrou no quarto dele e se agachou ao lado da cama. Ele dormia serenamente, e ela sentiu dó de o tirar daquele estado.

- Ei, macaquinho. - ela falou baixinho, o chacoalhando levemente.

Ele abriu os olhos, os estreitando de início para se acostumar com a luz.

- Vocês vão fazer uma grande viagem hoje, esqueceu? - ela tentou animá-lo para que levantasse.

Roland arregalou os olhos ao ouvir aquilo.

- Regina, hoje eu vou ver minha mamãe.

- Vai sim. Por isso você tem que levantar e ir se preparar.

- Okay! - ele disse animado, dando um pulo da cama.

Regina o ajudou a se arrumar. Ela procurou uma roupa quente no guarda-roupa dele. Ao terminar de vesti-lo, um Roland de cabelos emaranhados lhe disse:

- Mesmo eu indo ver minha mamãe eu vou sentir saudade sua, Regina.

Ela sorriu para ele e o abraçou, o levando até o andar de baixo em seguida.

Regina ligou a TV para que Roland se ocupasse enquanto ela servia o cereal dele.
Ela lhe entregou a tigela e se sentou no sofá, assistindo desenho também.

Robin desceu as escadas com duas malas nas mãos.

- Vamos indo? - anunciou.

Roland se levantou para colocar a tigela vazia em cima da pia.

- Mas antes... Escovar esses dentes, filhão. - Robin ordenou.

Ele foi correndo, com medo de adiar a ida.
O táxi que Robin havia chamado já estava à espera na porta, então ele foi colocar as malas no carro.

Após trancar a casa, passou o braço pelo ombro de Regina e a puxou para mais perto, e eles foram andando até o táxi, Roland correndo na frente.

Os dois ficaram o trajeto até à estação em silêncio, apenas segurando as mãos e procurando sentir e aproveitar a presença um do outro.

Chegaram lá às 7:46; o trem deles já estava perto de passar.

Robin colocou as malas no chão e segurou o rosto dela com as duas mãos e olhou em seus olhos castanhos. O coração de Regina começava a palpitar.
"Esse momento chegou mesmo? Eu quero voltar..." ela pensava.

- Vou te ligar quando chegar, e todos os dias. E quando eu sentir saudade, que vai ser sempre. - ele esfregou o nariz no dela.

- Faça tudo que você tem que fazer, e volta para mim. Eu não vou sair daqui, vou estar esperando.

Eles se beijaram com um abraço, sendo interrompidos pelo barulho do trem vindo, os forçando a abrir os olhos.

Ela se soltou do entrelaço e agachou em frente ao Roland.

- Tchau, amigo. Faça uma boa viagem. - ela beijou a testa dele.

Os dois entraram no trem e Regina observava a cena, estática no meio do corredor da estação, impotente de fazer algo para impedir, porque infelizmente aquele "adeus" era necessário. O pensamento de que algo de ruim aconteceria na estadia dele em New York pairava em sua cabeça.

Enquanto as portas se fechavam, Robin pronunciava um "eu te amo" silencioso.

Essa música que coloquei começou a tocar quando eu tava escrevendo e achei que combinou, amo muito ela. Espero que tenha gostado

Uma Nova Chance | Outlaw QueenHistórias para pegar e não largar. Descubra agora