Cap.20- Sacerdotes e hereges pt.2
__ Antes de continuarem sua jornada em busca do tesouro de Nicolau VII, irei cumprir a minha maior função de sacerdotisa, antes das guerras bem sabem que fortalecíamos as armas dos guerreiros ou lhes dávamos armas mais fortes, farei o mesmo com vocês, porque a jornada a esse tesouro será árdua e precisarão de muita força para o encontrarem
__ Como?__ indagou Alexis__ Eu acho que entendi, eles querem nos dar armas melhores, espadas mais afiadas, arco-e-flechas mais potentes...__ disse Marcelo
__ Finalmente, a corda desse arco está meio gasta, por mais que ainda sirva, não sei por quanto tempo ela vai durar__ disse Micaelle
__ Não troco a minha espada de ossos por nada, se bem que duas espadas funcionam melhor do que uma__ disse TonyAlexis recordou-se da fortaleza de armas, de como havia conseguido sua espada, de início havia escolhido a foice, que logo quando a tocou apareceu uma frase em seu cabo: "Eu não lhe pertenço", e um grande terremoto abalou aquele lugar que apenas cessou quando Alexis teve de tocar justamente naquela espada, "Se essa espada é minha de verdade, não posso abandonar ela de forma nenhuma".
__ Não vou trocar minha espada por nada__ respondeu__ ela me escolheu pra ser sua dona
__ Ah, francamente, ainda se lembrando daquele incidente na fortaleza?__ disse Marcelo
__ Tem alguma explicação melhor pra aquilo?
__ Foi você que armou tudo aquilo, não tenho como provar, mas armou
__ Claro, com certeza me esforçaria muito pra escrever meu próprio nome e provocar um terremoto só para escolher uma espada ao invés de simplesmente andar e pegá-la
__ Do que estão falando?__ indagou GwendaMarcelo e Alexis entreolharam-se e Alexis respondeu:
__ É que estamos aqui caçando o tesouro de Nicolau VII porque o chefe do lugar que trabalhamos e ele, o Marcelo, estuda, nos propôs isso, e acabamos aceitando, e ele daria as armas pra nos defendermos com uma condição: se o vencêssemos em um duelo de espadas, caso a gente perdesse basicamente a gente tinha de se virar pra encontrar alguma arma, ele tem uma coleção enorme de armas históricas numa fortaleza debaixo da sua sala e tínhamos 5 chances, Tony foi o único que se recusou porque ele era o único que tinha uma arma própria pra se defender, e então lutamos e ganhamos o direito de escolher qualquer arma daquele lugar, o nosso chefe deu uma arma especialmente a Marcelo, Excalibur porque Marcelo era seu... digamos... "amigo" mais leal e ele queria retribuir isso e Marcelo aceitou, logo quem realmente teve o direito de escolha foi eu e Micaelle, quando foi minha hora de escolher por algum motivo me atraí mais pela foice, quando eu a peguei apareceu escrito no cabo que eu não lhe pertencia em letras laranjas, eu fiquei assustado porque eu pensei que ela estava queimando e depois que ela caiu começou a voar e parou no meio do ar no centro daquela fortaleza onde tinha uma formiga grande desenhada no chão, e a foice começou a girar e atirou um tipo de raio no desenho que se desmanchou se transformando no meu nome, também laranja, e depois a foice parou de atirar, ficou vermelha e bateu o cabo no chão e veio um terremoto, Sr.Coleman disse para todos ficarem de mãos dadas e fugirmos, mas eu não fui porque se aquela foice tinha escrito meu nome significava que ela queria alguma coisa comigo e eu tinha de saber, não podia desperdiçar aquela chance.
Toda minha vida foi cheia de perguntas, por onde andaram meus pais? Por que eu vejo coisas fora do normal? Aquela era minha chance de ter pelo menos uma resposta, e eu fui, consegui tocar no centro e ouvi uma voz que dizia que a foice não me pertencia, que apenas uma me pertencia e eu merecia e que ela estava pronta para mim, me perguntou se eu estava pronto pra ela e se eu queria, eu respondi sim pra todas as perguntas, e uma espada saiu da parede, veio até mim e cravou-se no chão como se alguém estivesse jogado ela, e eu a peguei, e por isso não posso abandonar ela, porque ela me escolheu__ Mentiroso...__ disse Marcelo__ você fez tudo aquilo!
__ Não tem como provar, logo o único mentiroso aqui é você, engraçado é que você ama dizer que sou iludido, mas em quê falar algo sem ter prova nenhuma te torna mais realista do que eu?
Marcelo ficou calado franzindo os lábios.
Gwenda disse:
__ Foice... hum... se ela fez tudo isso significa que não é uma simples foice... é a primeira vez que ouviu essa voz?
__ Não
__ Interessante, não tenho tempo pra tentar dizer quem é esse ser, apenas que não está lidando com alguém qualquer, certo e errado não existem para ele, o vermelho de sua foice significa catástrofe e a laranja, mensagem
Foi quando Alexis recordou-se... quando estava naquele penhasco ele estava de olhos vermelhos e no país em ruínas de Nicolau laranjas, "na primeira vez ele tentou me matar, na segunda ele salvou minha vida porque sabia que só a presença dele poderia dizer que algo de ruim podia acontecer, com que tipo de maluco estou lidando?"
__ Como sabe de tudo isso?__ indagou
__ Sou capaz de transformar flechas em animais, paladino, sei mais do que você pensa que eu sei, mas vamos nos focar no mais essencial no momento, não perderão suas armas, podem ficar tranquilos, eu irei aprimorar algumas e dar outras melhores para auxiliarem as que vocês já possuem, Micaelle, faça as honras de ser a primeira, me dê sua aljava
E assim Micaelle fez.
Gwenda no chão agarrou uma boa parte das flechas nas mãos, bastante nervosa pensou: "Que Odin esteja comigo, é agora", fechou os olhos, respirou fundo e disse:
__ Melius... Carmina
E uma pequena energia fluiu sobre todas as flechas como uma pequena corrente elétrica, Micaelle ficou confusa e surpresa ao mesmo tempo, e disse:
__ O que você fez?
__ Pegue uma das flechas e atire
__ Mas não iremos chamar atenção de algum bárbaro?
__ Meu pai já cuidou deles, estão agora bem distantes, vocês provocaram um alvoroço e tanto__ e sorriu
__ Olha, me desculpe se falei mal dos seus deuses__ disse Alexis
__ Tudo bem, no seu lugar faria o mesmo caso não acreditasse, meu povo não tem dado um bom testemunho de nossa religião
Micalle tocou em uma das flechas, pôs sob o arco, retesou e atirou no chão, em meio ao ar a flecha multiplicou-se em duas, que penetraram o solo.
__ Mas... mas... não entendo, jurava que tinha acertado só uma__ disse perplexa
__ E atirou__ disse Gwenda__ mas eu dei poder a elas para que se multiplicassem, tornando assim maiores as chances de você conseguir alcançar algum alvo
"Se usasse isso em alguma competição... com certeza seria desclassificada, mas..."
__ Pra uma caça é um prato cheio
Tony disse:
__ Não, isso é mais o utensílio pra você conseguir o prato cheio
__ Tem razão, e que belo utensílio, Gwenda, você não vai querer que eu devolva depois, não vai?
Gwenda não pode evitar de rir e disse:
__ Não, só o que eu peço é que cuide bem dessas flechas, pois nas mãos erradas podem causar um grande estrago
__ Pode deixar
__ Tony, chegou a hora de você ter o seu próprio utensílio
__ Por acaso você vai fazer minha espada virar um dragão falante?
__ Não, mas envolve fogo, caro samurai
__ Fogo?
__ Exatamente
__ Caramba, mostra! Mostra!__ disse com várias ideias rondando sua mente.
E então Gwenda pegou uma vela de vidro negra acesa que estava sobre a prateleira e disse após respirar fundo: "Melius... Carmina"; e daquela vez a energia havia fluído em forma de calor
__ Aqui está
__ O quê? Uma... uma vela? O que espera que eu faça com ela numa batalha? Que derrote um inimigo só queimando o dedo mindinho dele?
__ Talvez se você ameaçar jogar cera, alguém se renda com medo de mijar na cama__ brincou Marcelo
__ Já presumia que essa seria sua reação, afinal de contas uma vela, para o quê serve se não para iluminar? __ disse Gwenda e então virou de costas, estendeu o braço para a frente segurando a vela com firmeza, foi quando aos poucos aquele pequeno fogo passou a aumentar na forma de uma esfera do tamanho de um globo de cristal e Gwenda soltou alguns de seus dedos rapidamente e aquela vela avançou feito canhão ao chão, quando chegou ao seu destino não parecia que Gwenda havia atirado uma bola daquele tamanho, pois no chão havia se formado uma grande fogueira.
Tony ficou boquiaberto junto dos outros.
Gwenda voltou-se para ele, torceu o nariz e disse:
__ Por que fui tão tola a ponto de achar que iria querer uma simples vela?
__ Amigão, se você não quiser eu vou aceitar com o maior prazer__ disse Alexis
__ Tira o olho, claro que aceito, sou um samurai de fogo, essa arma foi feita pra mim
Gwenda deu a ele e o ensinou a usar: mirar, concentrar, pressionar com firmeza e soltar alguns dedos para atirar.
__ Simples como atirar com um estilingue
__ Essas são as funções básicas, não terei tempo pra lhe explicar sobre tudo porque nosso tempo é curto, mas praticando você descobre, apenas tome cuidado no lugar em que vai praticar
__ Pode deixar
__ Se houver um incêndio na diretoria já saberemos quem poderá ter sido__ disse Marcelo
__ Ei! Não sou tão mau assim... quer dizer, se bem que seria legal ver o Sr.Coleman saltando feito perereca com os sapatos pegando fogo... não, não! Com certeza não vou levar essa vela pra escola
__ Marcelo, chegou a sua vez
__ O que preparou para mim? Um chapéu de mago? Bem que eu estava querendo há muito tempo jogar coelhos raivosos em cima dos meus inimigos, não, já sei! Vai ser uma varinha de condão pra transformar as espadas de meus inimigos em cobras voadoras
__ Percebo o escárnio em sua voz, acredita em tudo que esteja no limite da razão e tudo que vê aqui está fora dela, talvez não esteja pronto para uma arma muito poderosa, por isso lhe darei algo fácil de acreditar, de se absorver e ao mesmo tempo em que não consiga compreender por completo, dê-me sua arma
E assim Marcelo o fez.
Gwenda repetiu aquelas mesmas palavras de feitiço que usara antes, o cachecol da espada transformou-se em uma corrente verde, e disse:
__ Essa é uma corrente serva, correntes servas são correntes leais apenas ao mestre que lhes comanda, pode percorrer longos alcances, o que vai ser vantajoso, o fazendo destruir mais inimigos ao invés de se preocupar apenas com um, e ainda é leve e rápida, não precisando se importar com o peso dela no momento do ataque, caso queira seu cachecol de volta, basta apenas dizer: "repouso", e se quiser a corrente apenas diga: "despertar"__ e lhe deu a espada__ simples o bastante para você acreditar?
__ O que acontece com quem pegar além de mim?
__ A corrente se transforma novamente em cachecol, o cachecol só aceitará ser manejado nas mãos da pessoa que o proprietário autorizar
Marcelo fitou pensativo sua arma.
E então Gwenda foi até Alexis:
__ E ao último, mas não menos importante, paladino, vou dar uma arma que se assemelhe a você, como conseguiu proteger seus amigos utilizando a mente, tomando frente das rédeas do cavalo de um selvagem junto de seu amigo Tony logo atrás, e a forma como conseguiu salvar e encontrar sua amiga caçadora mesmo em meio a tantas coisas ocorrendo é impressionante, você sabe como aproveitar cada detalhe, como usar o vento a seu favor e é por isso que vou te dar algo que saberá ter muito bom proveito, dê-me sua espada
E assim Alexis o fez, Gwenda com mais concentração do que nos feitiços anteriores encantou a espada, lentamente abriu os olhos e disse:
__ Sua arma é muito poderosa pelo que senti, agora ela é ainda mais, pois de hoje em diante possui o poder de lhe fazer sentir a presença do adversário
__ Irado! Como um sentido de aranha do Homem Aracnídeo!__ disse Tony
__ Sentido de quem?__ indagou Gwenda
__ Nada não, é só um herói fictíço que existe na nossa terra
__ Fictício__ corrigiu Marcelo
__ Se eu tivesse esse poder... junto com as flechas múltiplas eu seria imbatível como caçadora
__ A cobiça é a fraqueza dos fortes, caçadora, muito tento para o que olha__ disse Gwenda
Gwenda o deu, e logo quando Alexis tocou viu Rhodes junto a três formosas mulheres com asas semelhantes as de libélula em uma clareira mal iluminada, Rhodes estava com a palma da mão esquerda ensanguentada, apenas pequenas velas iluminavam o local, seis velas ao redor de um corpo, três em cada lado, não, não apenas um corpo mas... o de Jotun, Rhodes disse ás estranhas mulheres: "E então? Que mais devo falar?", uma delas respondeu: "Nada, agora aguarde"; sangue fresco estava nos lábios de Jotun, Jotun estava imóvel e inerte, e a luz das velas lhes davam um ar ainda mais assombroso exaltando suas recentes marcas de queimadura, Alexis perguntou-se o que raios Rhodes e aquelas mulheres estavam esperando, mas não estava com nenhuma vontade de descobrir, foi quando Jotun abriu os olhos!! Olhos que exalavam fúria, Alexis afastou-se sobressaltado para trás de volta á cabana.
Tony, Micaelle e até mesmo Marcelo ficou preocupado.
Tony e Micaelle foram até ele o amparar
__ Cara, o que foi? Você tá mais pálido que a lua!
__ Alexis, você tá gelado, essa arma te fez algum mal?__ disse Micaelle
__ Parece que viu uma assombração, o que aconteceu?__ disse Marcelo
__ V-vo-você... você não entenderia__ respondeu Alexis
__ Mas eu sim__ respondeu Gwenda__ o que você viu?
__ É... complicado, eu mesmo acho que foi uma alucinação
__ Me parece que o poder da arma funcionou melhor do que o esperado__ aproximou-se, abaixou-se, tocou em seu ombro e disse:__ seja o que for que tenha visto, tem a sua importância, não foi loucura, o poder na espada não fez mais do que cumprir o seu papel e desta vez não foi diferente, o futuro de vocês está em jogo caso não conte, eu aprimorei sua espada com o objetivo de ajuda-lo, mas eu não posso ajuda-lo se não permitir
Alexis hesitou um pouco e disse:
__ Eu vi o tal do Rhodes, numa clareira um pouco escura, com três mulheres com asas parecidas com as de uma libélula e eles estavam vendo o corpo do pai dele morto ao redor de umas velas acesas, o Rhodes perguntou o que ele devia fazer, e as mulheres disseram para esperar, foi quando... quan-quando... o Jotun... o Jotun...__ ele recordou-se__ abriu os olhos, mas... aquilo não era possível, ele morreu, ele caiu no caldeirão, eu sei disso, eu ouvi ele gritando, por isso só pode ser loucura__ "iutia!"; recordou-se: "Iutia!"__ só pode ser loucura
__ Parece que sua "poderosa" magia não foi tão poderosa assim dessa vez__ disse Marcelo
__ Funcionou sim, há como Jotun estar vivo, através de um ritual, eu não tenho tempo de explica-lo, se Rhodes fez isso vocês tem de ir embora o quanto antes!__ disse Gwenda apreensiva e logo levantou-se, pegou 4 capas e disse:__ Vistam!__ e assim eles fizeram
__ Mas o que aconteceu?__ disse Micaelle
__ Já disse que não tenho tempo de explicar, apenas saibam que vocês têm de ir embora o quanto antes__ e foi até a estante e pegou 4 sementes azuladas__ estas são chamadas sementes da fraqueza, elas servem para localizar a fraqueza de um inimigo, usem elas apenas em caso de extrema emergência__ e distribuiu uma para cada__ agora vão, escondam bem suas armas e ajam com muita discrição
E assim eles fizeram e direcionaram-se até a entrada.
__ Tenha uma boa jornada
__ Obrigado por tudo o que você e seu pai fizeram pela gente, não temos como agradecer__ disse Alexis
Gwenda sorriu e disse:
__ Deem o melhor de vocês por aquele tesouro, é assim que irão agradecer, agora vão
__ Nós iremos
E assim o quarteto de formigas parte novamente em busca do tesouro de Nicolau VII, como hereges travestidos de sacerdotes
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A trilha- O tesouro de Nicolau VII
AdventureO nosso protagonista Alexis é professor em uma escola muito antiga que guarda histórias inimagináveis, mas a que ele gostaria de saber é a do desaparecimento de seus pais que estudaram nessa mesma escola. Em um dia em que ele se atrasa pra aula e é...