New Life

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   Após perder a pessoa mais importante da minha vida finalmente conheci meu pai. Eu sempre soube que tinha um pai, também sempre soube que ele era muito ocupado e que vivia do outro lado do mundo.
Eramos só eu e mamãe, portanto precisava de um novo lar, uma garotinha de 10 anos não pode morar sozinha. Cheguei a conclusão que moraria com minha vó e foi assim por um mês. Depois de um mês um homem de por volta dos 34 anos bateu na porta de vovó.
Quando abri a porta dei de cara com um japonês que mais tarde descobri ser coreano, meu pai.
Ele entrou e ficou um bom tempo na cozinha conversando com vovó. Eu fiquei na sala agarrada em Tommy, logo o homem veio até mim e se ajoelhou na minha frente, ficando da minha altura.
- Olá florzinha. - O homem disse sorrindo carinhosamente e tocando a ponta do meu nariz com o seu indicador.
- Olá. - Respondi meio envergonhada.
O homem falava um português meio enrolado e aquilo as vezes era engraçado, mas eu não conseguia sorrir.
- Você é mais bonita do que pensei - ele acariciou meus cabelos e aquilo me fez estremecer. - Puxou sua mãe.
Eu realmente era muito parecida com mamãe, pele extremamente branca e cabelos castanhos. Meus olhos eram puxados, mas não tanto quanto daquele homem, e apesar dos olhos asiáticos eu até então não sabia ter dupla nacionalidade.
- Bem, Anne... - ele sabia meu nome. - Eu me chamo Chung Hyun.
Ele ficou esperando por alguma palavra minha mas eu não me pronunciei, fiquei apenas pensando "Hyun? Eu me chamo Hyun, Anne Tedesco Hyun."
Agora eu sabia o porque do meu nome, Tedesco era da minha mãe e Hyun de meu pai. Pai. Porque essa palavra era tão estranha?
O homem levantou-se e caminhou até a cozinha novamente deixando eu e vovó sozinhas.
- Docinho? Está tudo bem? - ela perguntou pegando minha mão. Apenas assenti.
- Eu vou sentir sua falta docinho, mas é melhor assim. - Vi os olhos dela se encherem de lágrimas enquanto tentava entender o que ela queria dizer.
Fiquei novamente sozinha enquanto vovó subia até meu quarto. Depois de alguns longos minutos vovó desceu com algumas malas. Então eu entendi, papai veio me buscar.
- Está pronta florzinha? - Ele perguntou ficando novamente na minha altura.
Novamente eu não disse nada, sabia que não tinha escolha. Talvez não fosse tão ruim ir para o outro lado do mundo, talvez fosse melhor assim.
Papai levou as malas para o carro enquanto vovó se despedia ao choro de mim. Eu não chorei, nem falei nada, apenas ouvi.
- Não se esqueça de mim ta? - Ela sorria entre lágrimas. - E não demore para vim me visitar.
Ela deu um beijo em minha testa e me deixou ir. Entrei no carro ao lado de papai que me olhou e me ofereceu o melhor sorriso que podia. Ele parecia cansado e triste. As olheiras eram bem visíveis com a luz da manhã no seu rosto.
Ele ligou o carro e começou a andar os primeiros metros até o aeroporto. Cerrei os dentes na tentativa de não chorar mas não deu muito certo. Apertei Tommy contra meu colo e segurei o colar que mamãe havia me dado da pior forma possível.
- Adeus mamãe. - Sussurrei para mim mesma.

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