Capítulo 15

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Acordo de manhã e vou tomar um banho, coloco uma calça jeans rasgada, a blusa da escola e um moletom por cima. Pego minha bolsa do ballet que eu arrumei ontem e a bolsa da escola. Desço e a minha mãe já está esperando.

- Vamos?

- Sim. Mãe, hoje um menino da minha escola vai vir aqui depois da aula pra fazer um trabalho, na verdade, ele vai comigo no ensaio também.

- Tudo bem, filha.

Vamos para o carro e eu chego na escola 15 minutos mais cedo. Logo vejo a Sarah vindo na minha direção.

- Oie - falo me aproximando.

- Oi baixinha - ela diz sorrindo.

Eu mostro a língua pra ela.

- Quem mostra a língua quer beijo - ouço uma voz falando atrás de mim.

Me viro e vejo o Thiago atrás de mim.

- Oi grandão - digo sorrindo.

- E aí baixinha?

Faço cara de brava. O sinal bate.
As aulas passam rápido, não consegui me concentrar direito, meus pensamentos voavam pra longe. Quando bate o sinal da saída, me dirijo a entrada da escola. Chegando lá, vejo que a minha mãe já chegou, eu procuro pelo Vitor e vejo ele beijando uma garota. Até aqui? Eu vou até eles e limpo a garganta.

Eles se separam e eu vejo que a loira oxigenada que tava atrás dele é a Izabelle. Ela abre um sorriso falso, mas de vitoriosa.

- Oi Sophie - a Izabelle fala.

Ignoro completamente ela e me viro para o Vitor.

- Vamos logo senão eu te deixo aí - falo e cruzo os braços.

- Espera aí o esquentadinha - vejo que o sorriso da Izabelle se fechou completamente e agora eu sorri para ela - Tchau Izabelle.

- Tchau amor... - ela faz bico, como se fosse pra ele beijá-la de novo, porém ele ignora e vem pro meu lado.

- Tchau, tchau Iz - falo com a minha melhor voz falsa. Me viro e começo a andar com o Vitor ao meu lado.

- Parece que alguém ficou com ciúme - ignoro-o - Você vai me ignorar mesmo?

- Você é muito idiota - falo e entro no carro.

Chegamos na academia e eu fui pro banheiro me trocar, coloquei meu collant azul, com mangas brancas s minha sapatilha de ponta, voltando, vi o Vitor na recepção, ele me olhou de cima a baixo, mais não falou nada, falei para ele me seguir. Cheguei em uma porta e bati, ouvi um "entra" e entrei seguida pelo Vitor.

A sala era muito ampla, com espelhos por todos os lados, e um chão de linóleo preto. Me esperando, estava a minha professora Mônica e o bailarino que iria dançar comigo, fiz alguns alongamentos e começamos o ensaio.

***
VITOR

Me sento em uma cadeira que tinha na sala e fico observando. Nossa, a Sophie tá muito gostosa naquela roupa, e aquele menino fica segurando ela e levantando... Espera, hã? Não estou com ciúmes né!

Me perco em pensamentos olhando-a, ela parece tão linda naquela roupa, ao mesmo tempo uma mulher forte, porém também algo nela me faz ter vontade de protegê-la... Não sei como uma pessoa como aquele homem na praia consegue fazer mal a uma coisa tão meiga e... Irritante! O que eu estou falando? Odeio essa garota! Se eu quiser é só pegar e depois deixar como eu sempre faço.

Depois do que pareceu 10 horas de tortura, ela me chama.

- Aleluia! - levanto os braços.

- Ah fica quieto, eu sei que você gostou. - ela responde.

- É... O que? Não!

Ela abre um sorriso e sai andando. Por favor, troca de roupa eu não consigo me controlar! Ela se dirige ao banheiro e se troca de novo, colocando a mesma roupa que estava antes. Vamos pra casa dela.

Chegando na casa dela, a mãe dela fala que vai no mercado e nós ficamos sozinhos, a Soph vai direto pra cozinha.

- Tô com fome - ela grita e sai correndo.

- Novidade! - ela vira e mostra a língua pra mim, vou chegando mais perto dela.

Ela também vem chegando mais perto e quando nossas bocas estavam a cinco centímetros de distância, ela enfia um pão que estava com ela na minha boca e sai gargalhando.

- Engraçadinha você ein!

****
SOPHIE

Subo as escadas até o meu quarto e o Vitor me segue. Foi difícil não beijá-lo, mas eu consegui.

Entro no meu quarto, depois ele e fecho a porta.

- Vamos começar - pego o celular dele e guardo no meu bolso por precaução.

- Ei! - ele reclama.

- Não reclama. Vem.

Sento na minha cama com uma certa distância dele e pego meu notebook, caderno e canetas.

Já de tardezinha começa chover de novo e a minha mãe chega. Ela bate na porta.

- Nossa tá muita chuva! Filha comprei isso pra você - ela me entrega uma barra de chocolate - Filha, vocês já estão terminando??

- Ainda não, porque??

- Parece que aconteceu um acidente na pista que vai pra casa do Vitor. Não dá pra ele ir embora agora.

- Ah, mais vai demorar um pouco ainda mãe, até lá dá.

Ela sai do quarto e eu abro o chocolate. O Vitor arranca ele da minha mão antes de eu pegar um pedaço.

- Dá meu chocolate!

- Vem pegar - ele levanta e ergue a mão e eu com minha altura de girafa, não consigo pegar. Então eu tenho uma ideia de gênio, subo em cima da cama e fico da altura dele, só que como sou uma pessoa muito equilibrada, eu escorrego e caio em cima dele, na verdade ele me segura.

- Tudo isso por causa de um chocolate? - tiro o chocolate da mão dele.

- Tudo por comida, ah, e eu não vou te dar.

- Por favor - ele faz cara de gatinho triste. Eu o ignoro.

- É assim? - ele vem pra cima de mim e começa a fazer cócegas.

- Para! - pego um pedaço e coloco na boca dele, ele sai de cima de mim.

- Gostoso - senti um duplo sentido, mas ok.

Depois de uma hora finalmente acabamos. Começou a chover mais forte. O Vitor deita dramaticamente na minha cama.

- Vou ficar por aqui mesmo.

- Não vai não, seu folgado.

Desço e vejo minha mãe preparando o jantar e a minha irmã na mesa. Meu pai viajou a trabalho.

- Cheiro bom tia - ele chega dizendo.

- Que intimidade é essa??

- Pode deixar, pode me chamar de tia Vitor - ele sorri pra mim - Vitor, eu liguei pra sua mãe e ela disse que tudo bem se você dormir aqui hoje...

- O quê? Não precisa! Nem tá chovendo tanto e ele não tem roupa...

- Está chovendo muito lá fora.

- Eu sempre trago uma roupa extra.

Olho pra ele com ódio no olhar, ele dá de ombros se divertindo com a situação.

- Sou um homem prevenido - ele pisca pra mim e eu reviro os olhos

- Mamãe, o namorado da Sophie vai dormir aqui hoje??

- Vai, e filha, tem que ser no seu quarto, que dá pra colocar um colchão no chão.

- Ele não é meu namorado! Eu odeio ele! - digo isso e vou pro meu quarto.

O garoto loiroHistórias para pegar e não largar. Descubra agora