Epílogo

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6 meses depois...

VITOR

Estou sentado nessa cadeira do teatro municipal, esperando o amor da minha vida subir naquele palco e arrasar, como sempre.

Não parece que já se passou tanto tempo desde que tudo aconteceu, mas hoje eu estou aqui, nós estamos aqui. Hoje é seu espetáculo de ballet, que ela ensaiou o ano inteiro e não me deixou ver nem uma parte sequer da dança, eu estou muito curioso.

O Vinicius está aqui do meu lado, junto com a Sarah, quem diria que nós, os pegadores, os que não se importavam com ninguém seríamos fisgados por essa duas baixinhas? Que não nos libertaram nunca mais. Mas quem disse que nós queremos ser libertados?

Segurando o buquê de rosas vermelhas que eu comprei pra ela, eu vejo as cortinas se abrindo.

***

SOPHIE

Eu danço desde que eu me conheço por gente, já fiz inúmeros festivais e sempre dá aquele frio na barriga, mas porque eu estou tão nervosa hoje?

Acho que deve ser porque o Vitor vai estar me assistindo, já fazem 6 meses desde que tudo aconteceu, estamos no final do ano e no ano que vem já é o último ano na escola.

O festival começou, e as outras bailarinas já estão dançando. Eu vou dançar 4 coreografias. Uma ballet clássico, dois jazz e um ballet contemporâneo. Já estou com a sapatilha de ponta e me preparando pra entrar junto com o Ryan, meu parceiro de dança.

***
VITOR

A Sophie já dançou duas música, a primeira foi numa tal de sapatilha de ponta, com um cara. Me lembre de perguntar quem é esse cara depois, porque se eles ensaiaram o ano inteiro daquele jeito, vou ter que conversar com ele.

Ela está dançando sua última música, sozinha. Seus cabelos ruivos soltos se contrastam com o vestido branco, eles lançam aquela névoa de festas no palco e parece que ela está flutuando, parece realmente um anjo, meu anjo.

Nesse momento eu percebo que a cada dia que passa, mais eu me apaixono por essa garota.

O festival acaba e todas as bailarinas comemoram, o público vão perto do palco pra abraçar seus entes queridos. Eu não penso duas vezes, subo no palco e vou até ela segurando o buquê.

Quando ela me vê, ela para e sorri, o sorriso mais lindo que eu vi até hoje, seus olhos cheios de água, eu corro até ela e a abraço, pegando no colo e depois dou as flores.

- Você estava maravilhosa, você é maravilhosa!

- Obrigado, amor!

- Eu te amo - digo.

- Eu te amo.

Nós nos beijamos e quem estava perto aplaude.

***
SOPHIE

Pode-se dizer que essa é uma das noites mais maravilhosas da minha vida, e não teria como terminar melhor, comigo nos braços do meu amor.

Estou deitada no seu peito, girando o anel que ele me deu no dia em que me pediu em namoro, ele fica beijando meu pescoço, do jeito que eu gosto.

- Para com isso - eu digo rindo.

- Eu sei que você adora - ele desce a mão até a minha bunda e aperta.

- Nós acabamos de fazer isso! Você não cansa não?

- Eu nunca vou me cansar de você.

Eu levanto a cabeça para olhar nos seus olhos, nos seus lábios tem um sorriso malicioso e eu sorrio também, passo a mão pelo seu abdômen sarado, ele está fazendo mais academia.

Depois de tudo que aconteceu, o Gabriel mudou para os Estados Unidos e nunca mais ouvi falar dele, ainda bem. A Izabelle mudou de escola e o Thiago... Bom, ele se matou a uns 2 meses atrás...

Eu fui no enterro dele, e rezei pela sua alma, afinal ele não tinha culpa dos seus problemas.

Depois que começamos a namorar, nunca mais vi o Vitor querer fazer algo para se machucar ou tomar aqueles remédios, muito menos pensar em usar drogas. Quando eu perguntei se ele estava bem, ele disse que eu era a sua droga, que ele tinha viciado em mim.

Ano que vem é o nosso último ano na escola, e não sabemos o que irá acontecer quando formos para a faculdade, mas por enquanto eu só quero aproveitar o momento.

- Você acha mesmo que nunca vai se cansar de mim? E quando eu acordar toda descabelada e com bafo? - eu mesma rio.

- Eu já te vejo assim - bato no seu braço e ele da uma gargalhada - Aí! É verdade - ele ri mais.

- Eu não sei não se vou te suportar por muito tempo, com esse seu ego enorme.

Ele da uma gargalhada.

- Eu sei que você me ama, gata - ele dá uma piscadinha. Filho da mãe.

- Quem disse?

- Você, gata.

- Merda - eu rio - Posso saber quem deixou você me chamar de gata?

- Só falo verdades. Mas eu posso saber quem era aquele homem que você dançou? - sua voz passa pra irritada e eu começo a rir loucamente - Por que você está rindo?

- Eu sabia que você ia perguntar, o Ryan é gay - eu me sento e fico rindo da cara que ele faz.

O Vitor bufa mais logo começa a rir também.

- Seu ciumento.

- Ciumento? Eu?

- Ah eu te amo!

- Eu também te amo, gata.

Eu o abraço e depois de um tempo durmo no seu peito.

O garoto loiroHistórias para pegar e não largar. Descubra agora