Capítulo 39

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Eu caía.

Estava tudo escuro ao meu redor, estava andando numa floresta escura sem ninguém por perto, então, de repente caio em um buraco.

Fiquei esperando o impacto da queda, mas nunca chegava. Eu caia, caia e gritava. Então uma mão aparece e me segura, olho para ele e vejo o rosto do Vitor.

Acordo assustada, suada, com o barulho do despertador. Olho no relógio e ainda é bem cedo, ainda bem que não estou atrasada.

Ontem dormi antes de ouvir minha mãe chegar, logo depois do Vitor ir embora.

Vitor...

Lembranças do dia anterior junto com esse sonho estranho invadem minha mente.

Vou até o banheiro e tomo um banho rápido para acalmar meus pensamentos, arrumo minhas coisas e então lembro das roupas do Vitor, já estão secas, as pego e coloco na mochila. Desço e avisto minha mãe e... Meu pai? Não sabia que ele já voltaria.

- Pai?

- Bom ver você também, filha.

Vou até ele e o abraço.

- Bom, já está na hora de ir mãe - digo a minha mãe que ainda faz aquele suco estranho no café da manhã.

- Já? Nem comeu.

- Não estou com fome, vamos.

Estava ansiosa para chegar na escola e contar tudo à Sarah, e também ver como o Vitor iria se comportar. Chegamos na escola e logo na entrada avisto o Vitor... Com a Izabelle?!

Ela está se jogando para cima dele com a maior cara de pau, ah, não vou deixar isso assim! Pego as roupas do Vitor na mochila e vou até eles com o sorriso mais radiante que consigo.

- Oi, Vitor! - ignoro Izabelle de propósito.

- Oi, Soph. - ele me olha e em seus olhos tem confusão e... Alívio? Ele me cumprimenta com um beijo no rosto, tenho que admitir que fico decepcionada, mas não demonstro.

- Você esqueceu isso ontem, na minha casa... - mostro as roupas, e meu sorriso aumenta quando vejo que ela está de boca aberta.

- Ah... Obrigada - ele sorri e passa o braço pela minha cintura - Tchau Izz.

- Mas... - ele a ignora e ela fica furiosa, mas só sai batendo os pés.

- Estou orgulhosa - digo depois que nos afastamos.

- Eu também - ele diz e me dá um beijo na bochecha. Então entramos na sala.

Sarah já está na sala ao lado do Vinicius, seu cenho está franzido e ela o encara com raiva, é eu disse que os dois estavam mais próximos, mas não que estavam se dando exatamente bem, vamos dizer que eles se suportam, ou fazem o melhor para isso.

Quando ela olha na nossa direção, sua raiva se transforma em confusão, o Vini segue seu olhar e quando nos vê dá uma risadinha, como assim?

Vitor ainda está com os braços na minha cintura, e eu deixo. A Sarah ainda nos encara e levanta uma sobrancelha questionadora para mim, respondo silenciosamente que depois eu explico tudo. Vamos até nosso lugar e nos sentamos, finalmente nos afastamos.

Vejo Izabelle entrar na sala, seu sorrisinho cínico está de volta e suas amigas, que como sempre estão atrás dela, me olham com cara feia, retribuo com um sorriso que as faz revirar os olhos.

A aula começa e eu tento prestar atenção, logo sinto um cutucão nas minhas costas. Me viro um pouco.

- Pode começar a explicar - ela sussurra.

- No intervalo - digo e me viro antes que o professor brigue.

As duas primeiras aulas acabam e vamos para o intervalo. Sigo até o refeitório como sempre e me sento entre os meninos, logo a Sarah chega.

- Sophie, será que podemos conversar?

- Claro - digo e fico no lugar numa postura de "pode falar", mas já sei o que ela vai responder.

- Conversar, as sós - ela aumenta a palavra para explicar.

- Ah, sim - me levanto e vou em direção ao banheiro, com ela atrás. Entro e antes de falar, olho em todos os reservados para ver se está vazio, pois é, isso que filmes demais faz com uma pessoa, e então explico tudo sobre ontem.

- E como ele agiu hoje?

- Não tenho certeza. Ele não me afastou ou algo assim, pelo contrário.

- É, eu percebi - nós duas rimos.

Voltamos ao refeitório e qualquer coisa que os meninos estivessem conversando para, porém vejo uma sombra de sorriso nos lábios, e que lábios, do Vitor.

O resto da aula passa como se fosse uma eternidade, fico toda hora olhando para o relógio que não passa.

Não verdade não sei porque estou ansiosa, acho que queria ver o que o Vitor irá dizer, ele não veio na última aula.

O sinal da saída bate e me levanto, olho em volta e vejo que o Vitor não está. Um leve desapontamento vem até mim. Saio da sala.

Então o avisto na porta.

- Podemos conversar?

O garoto loiroHistórias para pegar e não largar. Descubra agora