Capítulo 16

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Chegando no meu quarto, vou direto pro banheiro, ligo o chuveiro e entro embaixo. Tá, eu aguento uma noite ele aqui, mas no meu quarto?!

Sinceramente, acho aquele menino meio bipolar, às vezes ele é muito fofo e depois me trata muito mal, realmente queria saber o que passa naquela cabeça... Saio dos meus pensamentos quando ouço uma batida na porta.

- Soph, vem jantar, já faz muito tempo que você tá aí - ouço a voz do Vitor me chamando.

- Já vou... Aí merda! - praguejo um pouco alto,

- O que foi?! - ele responde meio... Preocupado.

Na pressa de vir, eu esqueci de pegar uma roupa, então me embrulhei na toalha.

- Nada, só sai daí e fecha a porta - respondo.

-Tá - Espero um pouco e abro a porta... Saio do banheiro e vejo que tem um certo loiro sentado na minha cama.

- Não falei pra você sair? - grito, segurando a toalha apertado.

- Ainda bem que eu não sai... - ele me olha malicioso.

- Eu esqueci de pegar uma roupa. Agora sai daqui!

- Mas eu tenho que tomar banho também.

- Tá, mas vai logo que eu to com fome - respondo procurando alguma roupa pra vestir.

- Claro que tá - ele responde e eu sinto seu olhar nas minhas costas.

- Chato. Tem toalha na gaveta aí - ele entra no banheiro e fecha a porta.

Eu coloco um short de pijama curtinho e por cima uma camiseta larga que quase cobre todo o short. Vejo as atualizações mas minhas redes sociais e desço, vejo minha mãe arrumando os pratos.

- O que tem de comida? Quero comer.

- Eu fiz lasanha, arroz, farofa e frango grelhado - minha mãe responde.

- Tudo isso pra visita? - vejo ele descendo as escadas com uma bermuda e uma camiseta larga, os cabelos ainda molhados.

- Se acha mesmo - respondo olhando pra ele.

- Não me acho, eu sou.

Reviro os olhos e sento na cadeira. Me sirvo de um pedaço de lasanha grande e um frango. Está muito bom. Depois do jantar minha mãe levanta.

- Sophie, você lava, ele seca - ela diz apontando pra mim e pro Vitor.

- Sim senhora! - ele faz sinal de sentido. Aí, parece que tem 4 anos. Tiro os pratos da mesa e levo até a cozinha. Começo a lavar e ele está do meu lado.

- Por que a diretora queria falar com você aquele dia? - tento puxar assunto.

- Ah, ela me viu pegando uma garota.

- Por que você é assim? - a pergunta sai antes que eu possa segurar.

- Assim como? - ele responde com um tom de receio.

- Você fica pegando todas, finge que não tem sentimentos, fica dando essa de pegador e o melhorzão da escola. Eu sei que você não é assim, eu sinto.

- Você não sabe nada da minha vida - seu tom agora é frio. Aquele silêncio constrangedor entre nós parece durar uma eternidade.

- Eu não sei - só então percebo que ele respondeu.

- O quê?

- Eu nem sempre fui assim, eu ia bem nas provas, porém, eu nunca me dei bem com o meu pai. Não sei se você percebeu.

- Não...

- Na viagem, ele deu uma de pai bonzinho, mas eu quase não falo com ele, ele quase não fica em casa. Ano passado tudo piorou, eu não era esse garoto, eu namorava uma garota, eu gostava muito dela, e então eu peguei ela na cama com o meu melhor amigo, na época, o Gabriel. Ela mudou de escola e eu comecei a ir mal, repeti de ano...

- Meu Deus... - eu termino de lavar e seco as mãos, eu olho para ele, vejo seus olhos marejados.

- Então você chegou, eu não sei o que acontece comigo, mas você me faz querer ser uma pessoa melhor.

- Quer me falar mais alguma coisa?

- E-eu... Já usei drogas e tentei... Acabar com a minha vida.

Com essa descoberta eu dei um passo involuntário para trás.

- Vai, já pode fugir - ele abaixa a cabeça.

Eu pego com delicadeza a sua mão, com urgência. Vejo uma lágrima solitária em sua bochecha. Não aguento, fico na ponta dos pés e o abraço. Ele enterra a cabeça na curva do meu pescoço.

- Está tudo bem, eu estou aqui - ele aperta minha cintura.

- Você é tão pequena - vejo que ele está debochando, que bom ver ele assim, por incrível que pareça eu prefiro ele me insultando.

- Trouxa - ele me solta e me olha estranho, passa o dedo na minha bochecha e fisga uma lágrima. Nossa, nem percebi que eu estava chorando. Ele dá um sorriso triste.

- Já sei! Vamos assistir um filme? - pergunto pra tirar esse clima triste.

O garoto loiroHistórias para pegar e não largar. Descubra agora