- Vitor...
- Você estava mexendo nas minhas coisas? - sua voz não está alta, só demonstra frieza.
- Eu achei esse pote e achei que...
- Que poderia pegar e levar embora? - ele levanta a voz.
- Não! Eu ia falar sobre isso mais tarde, agora que a gente estava se acertando...
- Falar sobre o quê? Não tem nada pra falar!
- Quando eu vi esse remédio, eu lembrei do que você me falou uma vez, e fiquei com medo...
- Falei o quê?
- Que você já tinha tentado se matar... Já usou drogas.
- E se eu uso? O problema é meu! - grita.
- Não, o problema não é seu! Você não pode me puxar pra perto de você desse jeito e simplesmente sumir depois. O mundo não gira ao seu redor, mas se você morrer vai afetar todos à sua volta. Só eu sei o que eu passei semana passada.
- Acho melhor você ir embora - sua voz está mais calma, mais fria.
- O quê? Não, temos que falar sobre isso...
- Vá embora!
- Garoto, qual é o seu problema? - falo pausadamente para ver se ele entende.
- Você é meu problema.
- Eu? Se você é louco a culpa não é minha - me viro de costas, segurando as lágrimas e começo a andar.
Ouço meu nome e me viro. Ele está com a mão na nuca como se pensasse no que falar.
- O problema é que você consegue ver através das máscaras - diz finalmente.
- Que máscaras?
- Eu uso máscaras, sabe? Pra cobrir as dores. Milhares de dores. Me afastar do mundo - eu percebo em seus olhos que é difícil pra ele dizer isso.
Ele vai em direção à cama e se senta, bate a mão ao seu lado como se quisesse que eu sentasse. Hesito por um tempo, mas cedo.
- Quando eu era criança, meu pai até que era mais presente, mas quando eu cheguei nos meus 13, 14 anos, ele começou a só pensar em trabalho, na época em que mais precisava dele, ele não estava. Achava que só dando dinheiro, pagando uma das escolas mais caras era o suficiente. Minha mãe tentou, mas não conseguiu ser pai e mãe, ela também se afastou agora, eu sinto que o casamento deles está por um fio - ele dá uma pausa - Mesmo assim, eu sempre fui um bom aluno, um bom filho. No ano passado, eu namorava uma menina, realmente gostava dela, ou achava que gostava - agora ele me olha nos olhos - Até que peguei ela na cama com meu melhor amigo, o Gabriel. Agora nós nos odiamos. Depois daquilo, eu conheci as drogas, as festas, comecei a pegar uma atrás da outra sem me importar. Virei o pegador da escola, mas por dentro, eu tinha falhas, eu comecei a ir mal na escola, matava aula, até que eu descobri que iria repetir de ano, tudo o que estava acumulado dentro de mim quis sair, foi então que eu tentei me... - ele não consegue completar.
- Se matar - ele que tinha abaixado a cabeça, agora olha para mim.
- Sim.
- Como? - ele apenas fita a caixinha de remédios, que tinha deixado cair no chão e eu entendo.
- Mas então você chegou... Eu não sei o que faz comigo, mas sempre me sinto melhor ao seu lado, eu temo agora fazer coisas erradas com medo de te magoar...
- Ah, Vitor...
Eu levanto seu olhar, seus olhos estão vermelhos e molhados, porém o infinito azul me olha como se pudesse ver a minha alma. Eu o puxo para perto de mim e quando nossas bocas estavam a centímetros ele segura minha nuca e me dá um selinho demorado.
Eu seguro a sua mão, puxo até mim em um abraço forte e demorado. Depois ele deita a cabeça no meu colo e eu começo a fazer cafuné em seus cabelos loiros e macios. Ficamos assim por vários minutos...
Depois de um tempo eu percebo que ele parou de chorar.
- Vai tomar um banho, amanhã você terá que estar muito descansado para fazer o que eu quiser... - sorrio diabolicamente.
Ele se levanta e para minha surpresa me dá um selinho e entra no banheiro. Depois de um tempo ele volta só de shorts e a toalha sobre o ombro, que linda visão...
- Tem uma baba aqui - ele toca o canto da sua boca e eu automaticamente levo a mão a minha, não encontrando nada. Ele abre um sorriso malicioso.
- Idiota - me levanto e vou em direção ao banheiro, ele me entrega uma toalha.
Ligo o chuveiro e entro debaixo, tomando cuidado para não molhar o cabelo. Fico pensando em tudo que ele falou, será que eu devo deixar isso continuar como meu coração pede? Ou sair correndo como meu cérebro sempre avisa quando estou perto dele?
Saio do banho, visto a lingerie que já estava usando. Então eu vejo uma camisa pendurada, tenho uma ideia, visto a camisa e ela fica como um vestido para mim. Saio do banheiro, o Vitor me olha e sorri maliciosamente. Ele se levanta e vem até mim em dois passos.
- Você tá muito gostosa assim - ele me segura pela cintura e fala em meu ouvido com a voz rouca.
- Que bom que gostou, porque não vou devolver - me afasto e pisco para ele.
Nós deitamos na cama e eu coloco a cabeça em seu peito.
- Boa noite, ruiva - dá um beijo na minha testa.
- Boa noite, loiro.
E dormimos assim a noite inteira.
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O garoto loiro
RomantikSophie era uma garota comum de 16 anos, ruiva, bonita e de personalidade forte. Ela entra para uma nova escola e logo faz amizades e como é inteligente vai muito bem. Porém, um garoto fica a tratando mal junto de seus amigos, sem motivo aparente. Ma...
