Minha boca fica amarga e minhas mãos suadas quando ouvi aquelas palavras saindo da boca de Jeremiah. Minhas sinapses só aumentavam a cada segundo e coloco minhas mão em minha testa, numa tentativa falha de fazer meu cérebro se acalmar. Jeremiah suspira afastando sua comida e segura firme minhas mãos.
Ele me olha nos olhos e sorri.
-Não precisa ter medo, Alice. Sei que tudo está indo por água abaixo, sei que o mundo é cruel e você descobriu isso da pior forma possível, mas vai melhorar. Não irá ser fácil se acostumar com o sentimento de impotência, porém eu sei que você é uma garota de fé, uma mulher corajosa. Minha palavra ao seu avô continua valendo: Não vou deixar que nada de mal aconteça a você e sua família. Tudo bem?
Digo um "sim" baixinho sentindo meus olhos marejados.
Jeremiah pega nossas embalagens e junta com o resto do lixo no carro.
- Eu conheço seis cemitérios aqui em Cambridge. Vou começar a busca hoje mesmo e mando uma mensagem pro seu celular caso eu encontre algo. - Ele pega a caixa e a observa, passando seus dedos sobre a borda - Conheço alguém que pode me ajudar a abri-la.
Sykes olha em seu relógio dourado e se espanta.
- Alice, precisa voltar pra aula. Seu segundo tempo começa em dez minutos. Thomas vai me deixar em casa. - Ele aperta de leve meu ombro - Se cuida.
- Pode deixar...
Saio do carro olhando para todos os lados e aceno para Thomas que me observa até a entrada do curso. Olho para os lados e cruzo meus braços contra meu peito, a fumaça sai da minha boca e logo lembro de Gabriela que sempre se empolgava quando o tempo mudava e colocava suas botas de couro marrom. "Não é sempre que faz um frio desse aqui na cidade", ela dizia.
Alice!
Ouço uma voz masculina do outro lado da rua, um carro prata atravessa a avenida, o que impossibilita reconhecer o dono da voz.
Ele está parado do outro lado. Uma mão está em um dos bolsos da calça jeans escura, os cabelos sendo bagunçados pelo vento, a blusa preta contrastando com sua pele, um sorriso sereno é formado em seu rosto seguido de um levantar de mãos. O rapaz atravessa a rua e vem ao meu encontro. Minhas mãos começam a suar.
- Então é aqui que você estuda? - disse colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. Ele para bem na minha frente e posso sentir um cheiro de shampoo infantil e café.
- Olá Morris. Estou ficando paranoica ou você está me seguindo? - digo estreitando os olhos fazendo Jace rir e morder de leve seu lábio inferior.
- Eu moro por aqui, então acho que é o contrário. - Nós rimos juntos. - Está com tempo livre?
- Ah... Não. Minha aula vai começar daqui a pouco.
- Hmm... Sendo assim, bons estudos pra você. - Jace acena com a mão e dá dois passos atrás.
- Obrigada. - Digo me virando e encaro o portão do curso.
- Alice. - Paro e volto-me a ele.
- Sim.
- Ahm... Aqui na cidade nós temos o costume de fazer um baile de natal. Chama-se "Baile do Inverno", acontece na véspera do natal. Minha banda vai tocar lá, junto com outros coros de algumas igrejas. Se quiser ir...
- Tudo bem. - Sorri.
- Okay... Eu tenho que ir. Até. - Eu aceno e ele atravessa a avenida correndo. Um suspiro que nem eu sabia que estava guardando resolve escapulir.
Não é momento para pensar nisso, Alice.
Eu tento dizer isso a mim mesma, mas quando eu estou perto dele sinto que posso viver algo bom.
►►►
-Tom, é aqui mesmo. Valeu.
- Que isso, irmão. Boa sorte.
Saio do carro e olho para os lados. Um rapaz e duas moças passavam pela rua e não havia muita movimentação de carros. Então respiro fundo segurando minha pasta e a caixa dentro do paletó.
Uma pequena cafeteria francesa perto do Rio Cam era o nosso ponto de encontro de hoje.
-Boa tarde, senhor. Deseja uma mesa? - uma simpática moça de cabelos curtos e ruivos me recepciona na porta.
- Há alguém me esperando. - Aponto. - O rapaz bem ali.
- Ah, sim. Ele me comunicou. Seja bem vindo.
- Obrigado.
O local estava praticamente vazio, o cheiro de chocolate vinha da vitrine e meu convidado em uma mesa ao lado de um vaso que parecia ser mais caro que minha casa. E provavelmente é.
- Cara, não acredito que você raspou essa sua cabeça de bigorna.
- Sempre sutil, Sykes... Sempre sutil.
- Ah, para de graça. - Ele levanta da cadeira e me dá um abraço de urso herdado de sua mãe, Margaret.
- Senta aí, coroa. Onde estava que se atrasou oito minutos?
- Estava com Alice. - Disse pegando o cardápio de sua mão.
- E como ela está?
- Sentida por tudo o que aconteceu a ela. Tão nova e já passar por tudo isso...
- Infelizmente vivemos em um mundo sombrio, Jeremiah. - Ele bebe um pouco do seu café e tira de sua mochila uma pasta transparente. - O que você pediu.
- Alguém desconfiou?
- Não. A Pantera não estava lá. - Rimos juntos. - Mas, tenho que confessar: Que mulher incrível.
- Não vai se apaixonar, Don Juan. - Ele olha seu relógio e ri.
- Preciso ir, amigo. Obrigada pela oportunidade que me deu. Farei de tudo pra te ajudar. - Ele toca meu ombro e aperto sua mão.
- Muito obrigado, irmão. Você sabe o quanto isso é importante pra mim.
- Devo saber mais à noite, te comunico caso descobrirmos algo... Aproveite o café, é por minha conta.
- Valeu, Phill.
Mais um mistério pra vocês... Quero agradecer a todos que acompanham Odisseia desde o início e quero comunicar que entraremos em uma nova fase da história. Muitas coisas serão explicadas e não explicadas daqui pra frente. E dedico esse capítulo a minha aniversariante do dia, Nathalia Reis, minha amiga/prima que sempre me ajudou muito quando comecei escrever essa história. Que Deus te abençoe muito <3
Fiquem com Deus e até logo.
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Odisseia (EM PAUSA)
Mistero / Thriller" Não espere uma princesa, uma garota rica e maravilhosa ou a filha do presidente dos Estados Unidos. Se estiver esperando uma história com esse tipo de garota, existem outras por aí, sou somente uma garota normal que descobriu uma parte de sua vida...