19. Let It Happen

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Minha boca fica amarga e minhas mãos suadas quando ouvi aquelas palavras saindo da boca de Jeremiah. Minhas sinapses só aumentavam a cada segundo e coloco minhas mão em minha testa, numa tentativa falha de fazer meu cérebro se acalmar. Jeremiah suspira afastando sua comida e segura firme minhas mãos.

Ele me olha nos olhos e sorri.

-Não precisa ter medo, Alice. Sei que tudo está indo por água abaixo, sei que o mundo é cruel e você descobriu isso da pior forma possível, mas vai melhorar. Não irá ser fácil se acostumar com o sentimento de impotência, porém eu sei que você é uma garota de fé, uma mulher corajosa. Minha palavra ao seu avô continua valendo: Não vou deixar que nada de mal aconteça a você e sua família. Tudo bem?

Digo um "sim" baixinho sentindo meus olhos marejados.

Jeremiah pega nossas embalagens e junta com o resto do lixo no carro.

- Eu conheço seis cemitérios aqui em Cambridge. Vou começar a busca hoje mesmo e mando uma mensagem pro seu celular caso eu encontre algo. - Ele pega a caixa e a observa, passando seus dedos sobre a borda - Conheço alguém que pode me ajudar a abri-la.

Sykes olha em seu relógio dourado e se espanta.

- Alice, precisa voltar pra aula. Seu segundo tempo começa em dez minutos. Thomas vai me deixar em casa. - Ele aperta de leve meu ombro - Se cuida.

- Pode deixar...

Saio do carro olhando para todos os lados e aceno para Thomas que me observa até a entrada do curso. Olho para os lados e cruzo meus braços contra meu peito, a fumaça sai da minha boca e logo lembro de Gabriela que sempre se empolgava quando o tempo mudava e colocava suas botas de couro marrom. "Não é sempre que faz um frio desse aqui na cidade", ela dizia.

Alice!

Ouço uma voz masculina do outro lado da rua, um carro prata atravessa a avenida, o que impossibilita reconhecer o dono da voz. 

Ele está parado do outro lado. Uma mão está em um dos bolsos da calça jeans escura, os cabelos sendo bagunçados pelo vento, a blusa preta contrastando com sua pele, um sorriso sereno é formado em seu rosto seguido de um levantar de mãos. O rapaz atravessa a rua e vem ao meu encontro. Minhas mãos começam a suar.

- Então é aqui que você estuda? - disse colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. Ele para bem na minha frente e posso sentir um cheiro de shampoo infantil e café.

- Olá Morris. Estou ficando paranoica ou você está me seguindo? - digo estreitando os olhos fazendo Jace rir e morder de leve seu lábio inferior.

- Eu moro por aqui, então acho que é o contrário. - Nós rimos juntos. - Está com tempo livre?

- Ah... Não. Minha aula vai começar daqui a pouco.

- Hmm... Sendo assim, bons estudos pra você. - Jace acena com a mão e dá dois passos atrás.

- Obrigada. - Digo me virando e encaro o portão do curso.

- Alice. - Paro e volto-me a ele.

- Sim.

- Ahm... Aqui na cidade nós temos o costume de fazer um baile de natal. Chama-se "Baile do Inverno", acontece na véspera do natal. Minha banda vai tocar lá, junto com outros coros de algumas igrejas. Se quiser ir...

- Tudo bem. - Sorri.

- Okay... Eu tenho que ir. Até. - Eu aceno e ele atravessa a avenida correndo. Um suspiro que nem eu sabia que estava guardando resolve escapulir.

Não é momento para pensar nisso, Alice.

Eu tento dizer isso a mim mesma, mas quando eu estou perto dele sinto que posso viver algo bom.

                                                                                 


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-Tom, é aqui mesmo. Valeu.

- Que isso, irmão. Boa sorte.

Saio do carro e olho para os lados. Um rapaz e duas moças passavam pela rua e não havia muita movimentação de carros. Então respiro fundo segurando minha pasta e a caixa dentro do paletó.

Uma pequena cafeteria francesa perto do Rio Cam era o nosso ponto de encontro de hoje.

-Boa tarde, senhor. Deseja uma mesa? - uma simpática moça de cabelos curtos e ruivos me recepciona na porta.

- Há alguém me esperando. - Aponto. - O rapaz bem ali.

- Ah, sim. Ele me comunicou. Seja bem vindo.

- Obrigado.

O local estava praticamente vazio, o cheiro de chocolate vinha da vitrine e meu convidado em uma mesa ao lado de um vaso que parecia ser mais caro que minha casa. E provavelmente é.

- Cara, não acredito que você raspou essa sua cabeça de bigorna.

- Sempre sutil, Sykes... Sempre sutil.

- Ah, para de graça. - Ele levanta da cadeira e me dá um abraço de urso herdado de sua mãe, Margaret.

- Senta aí, coroa. Onde estava que se atrasou oito minutos?

- Estava com Alice. - Disse pegando o cardápio de sua mão.

- E como ela está?

- Sentida por tudo o que aconteceu a ela. Tão nova e já passar por tudo isso...

- Infelizmente vivemos em um mundo sombrio, Jeremiah. - Ele bebe um pouco do seu café e tira de sua mochila uma pasta transparente. - O que você pediu.

- Alguém desconfiou?

- Não. A Pantera não estava lá. - Rimos juntos. - Mas, tenho que confessar: Que mulher incrível.

- Não vai se apaixonar, Don Juan. - Ele olha seu relógio e ri.

- Preciso ir, amigo. Obrigada pela oportunidade que me deu. Farei de tudo pra te ajudar. - Ele toca meu ombro e aperto sua mão.

- Muito obrigado, irmão. Você sabe o quanto isso é importante pra mim.

- Devo saber mais à noite, te comunico caso descobrirmos algo... Aproveite o café, é por minha conta.

- Valeu, Phill.


Mais um mistério pra vocês... Quero agradecer a todos que acompanham Odisseia desde o início e quero comunicar que entraremos em uma nova fase da história. Muitas coisas serão explicadas e não explicadas daqui pra frente. E dedico esse capítulo a minha aniversariante do dia, Nathalia Reis, minha amiga/prima que sempre me ajudou muito quando comecei escrever essa história. Que Deus te abençoe muito <3

Fiquem com Deus e até logo.


Odisseia (EM PAUSA)Onde histórias criam vida. Descubra agora